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Achados meio perdidos

Este Datsun 240Z é um dos melhores carros que um entusiasta pode comprar no Brasil

Se você nos acompanha desde o início do FlatOut, certamente se lembra de uma análise que fizemos logo nas primeiras semanas de site. Nosso editor-chefe, Juliano Barata, sentou-se ao volante de um Datsun 240Z branco Series II, fabricado em 1971, e tascou: “é um dos melhores carros que já acelerei na vida”. E agora, aquele mesmíssimo Zetto está à venda.

Naturalmente, o 240Z é um dos nossos esportivos clássicos favoritos, e já falamos a seu respeito algumas vezes aqui no FlatOut. Contudo, para contextualizar, vamos revisitar sua história brevemente.

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O 240Z foi criado para conquistar o mercado norte-americano, que estava de portas mais do que abertas para os carros japoneses, mais modernos, baratos e econômicos, por causa dos preços cada vez maiores que a gasolina atingia no início dos anos 1970. Também era questão de orgulho: poucos anos antes, no fim da década de 1960, a Nissan recusara um projeto de esportivo que veio a se tornar o Toyota 2000GT, um dos mais importantes automóveis japoneses de seu tempo.

Havia, ainda, a inspiração da Nissan no Jaguar E-Type, que podia ser vista no motor de seis cilindros em linha e no perfil da carroceria, com capô longo, traseira curta e o motorista sentado bem perto do eixo traseiro. O motor também é bastante recuado dentro do cofre, o que resulta na distribuição de peso quase perfeita de 52:48.

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Detalhe para o belo revestimento azul cintilante do interior, tipicamente setentista

O seis-em-linha de 2.393 cm³ (83 mm de diâmetro x 73,7 mm de curso) tem bloco de ferro fundido, cabeçote de alumínio com comando simples e duas válvulas por cilindro. A potência declarada era de 151 cv a 5.600 rpm, com torque de 20,1 mkgf a 4.400 rpm – números conservadores usados para reduzir cargas de impostos e valores de apólices de seguro.

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Os freios usam discos de 270 mm na dianteira e tambores de 230 mm na traseira, enquanto a suspensão é independente nas quatro rodas, com sistema McPherson na dianteira e Chapman struts na traseira.

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O conjunto é capaz de levar o 240Z, que pesa pouco mais de 1.000 kg, até os 100 km/h em oito segundos cravados, com máxima estimada em 201 km/h. São bons números, mas também são detalhes: o que importa é o modo como o carro se comporta nas curvas – ágil, comunicativo e divertidíssimo.

O carro de Manoel Cintra, leitor de longa data do FlatOut, foi importado por ele mesmo após meses de buscas no eBay. Vendido originalmente na California, o 240Z foi completamente restaurado em 2006 por um colecionador de Ohio, que desmontou o carro inteiro e substituiu diversos componentes desgastados e refez toda a funilaria e pintura. Nos EUA, o carro também recebeu rodas rodas Ansen Sprint Slot Mag, um novo sistema de escapamento e abafadores da Dynomax e buchas de poliuretano, além de molas encurtadas que deixaram o carro com uma postura mais assentada e agressiva do que a original de fábrica.

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Já se vão cerca de três anos que Manoel está com o 240Z e, ao longo deste período, ele tratou o carro a pão-de-ló. Toda a manutenção foi realizada na oficina Premium Garage, em São Paulo, e a suspensão teve a geometria retrabalhada na Suspentécnica, também em São Paulo. Manoel colocou o sistema de ar-condicionado para funcionar usando o projeto original, porém componentes novos; instalou um jogo de pneus Toyo Proxes; e sempre mantém o carro impecável e em plenas condições de uso.

Só há um pequeno detalhe: a seta traseira do lado esquerdo não funciona – o problema, de acordo com Manoel, é a alavanca, que oxida e ocasiona mau contato. Ele diz que este é um problema crônico dos 240Z, e que pode ser resolvido com a substituição da alavanca, que pode ser encontrada facilmente no eBay.

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No mais, o carro está totalmente revisado e em ordem. Manoel se dispõe até mesmo a passar os contatos das oficinas por onde o 240Z já passou, a fim de atestar sua qualidade.

O valor pedido, já avisamos, não é baixo: R$ 210 mil. Manoel garante, contudo, que o custo de compra, importação e regularização de um exemplar equivalente seria bem maior em valores atuais – e guarda toda a documentação do processo, bem como uma planilha com todo o valor investido. É um carro para conhecedores, impecável, bem cuidado e usado regularmente.

Se você se interessou, pode entrar em contato com Manoel pelo telefone (11) 94161-2326 ou pelo e-mail [email protected]

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“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial, tampouco de uma reportagem aprofundada. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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