A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Achados meio perdidos

Este Datsun 280Z é um achado meio perdido de matar de inveja

Dá para ter inveja dos EUA por vários motivos, especialmente quando se fala de automóveis. Um dos motivos certamente foi o fato de eles terem tido, nos anos 1970, um esportivo barato, bem feito, resistente e divertido, com tração traseira. Eram os Datsun Z.

Só na primeira geração, que durou de 1969 até o final de 1978, eles tiveram três motorizações diferentes, todas de seis cilindros: 240Z (2.4), de 154 cv, 260Z (2.6), de 139 cv (estranho, mas é verdade) e o 280Z (2.8), de 173 cv, o primeiro com injeção eletrônica. E é um destes que veio parar aqui em nosso Achados Meio Perdidos de hoje.

Datsun-280Z-2

A Nissan dava seus primeiros passos no mercado internacional e precisava de um carro que fizesse sua fama. Por volta de 1964, o então presidente da Nissan dos EUA, Yutaka Katayama, um cara que sabia das coisas, decidiu que a marca precisava de um esportivo. Ele tinha de ser barato, leve e muito divertido de guiar. Katayama, o senhor K, dizia que tinha de ser como andar a cavalo.

Datsun-280Z-3

Sobre a plataforma do Nissan 510, ele e uma equipe de outros nove engenheiros começou o desenvolvimento que resultaria no primeiro Z. A suspensão era independente nas quatro rodas. O motor, em vez de ser de quatro cilindros, como o do 510, vinha com seis canecos. E o estilo remetia ao do Jaguar E-Type. Era uma combinação matadora.

Datsun-280Z-5b

Datsun-280Z-6

No primeiro ano cheio de vendas, só com o motor 2.4, o 240Z teve mais de 45 mil unidades comercializadas. Uma delas, foi personagem de um dos primeiros posts do FlatOut (leia a matéria aqui):

Um ano depois, foram 50 mil, volume que se estabilizaria em 40 mil nos anos seguintes. Além de bonito e bom de andar, o Z era resistente e aceitava uma ampla gama de modificações sem muita frescura. É um carro tão representativo que a própria Nissan comprou e reformou alguns para vender.

Datsun-280Z-15

Datsun-280Z-17 Datsun-280Z-16

O 280Z, o mais forte daquela safra, surgiu em 1975. O sistema de injeção eletrônica, da Bosch, substituiu os carburadores SU dos modelos anteriores. Ele também acabou mais pesado por incorporar para-choques maiores, por conta das novas leis dos EUA, na época, e por ter mais itens de luxo e conforto. Como os que você pode ver no modelo à venda no Brasil.

Datsun-280Z-4

Importado como clássico, ele teve apenas um ou dos donos aqui no Brasil, segundo o vendedor. Atualmente o Datsun está com 33 mil milhas originais e não tem nenhum indício de ter sofrido acidentes.

Datsun-280Z-10

Ele já sofreu uma repintura, provavelmente nos EUA e devido ao desgaste ao longo dos anos, mas está ótimo de lata, com alguns detalhes bobos por resolver, apenas, segundo a loja. Ar-condicionado e rádio funcionam sem problemas.

Datsun-280Z-8

Dá ou não dá gosto ver um carro com tantos mostradores? Temperatura de óleo e do motor, voltagem da bateria… Bons tempos em que não era preciso economizar com isso e luzes-espia serviam só para avisar que a porta estava aberta. Se tanto.

Datsun-280Z-11

Toda a documentação do carro está em dia e ele irá acompanhado de seus papéis de importação, ainda que eles não sejam mais necessários. Tudo indica que ele também nunca sofreu nenhuma modificação importante, ainda que os Z sejam objeto de customização frequente nos EUA. O modelo à venda tem câmbio automático de três marchas. Os bancos são de couro.

Datsun-280Z-12

Datsun-280Z-14 Datsun-280Z-9

Quanto custa ter um clássico dos anos 1970 (este é 1976)? O dono do carro pede R$ 95 mil. Por um carro de motor de seis cilindros, suspensão independente nas quatro rodas e 173 cv. O carro de tração traseira mais próximo disso no Brasil é o Chamonix Spyder 550S, que custa, novo, R$ 78,5 mil. Depois dele, só o BMW Z4, que começa em R$ 228.950. Ambos conversíveis. Contexto é tudo nessa vida. Que inveja dos americanos…

[ OLX ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

Matérias relacionadas

Saleen vai a leilão: eis a sua chance de começar a fabricar supercarros

Dalmo Hernandes

Este Chevrolet Camaro Type LT 1974 tem um V8 big block de 480 cv – e está à venda

Dalmo Hernandes

Esta Ferrari 288 GTO com 11 mil km é uma cápsula do tempo do fim do Grupo B – e está à venda!

Juliano Barata