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Car Culture

Este Dodge matou 14 pessoas e inspirou um filme de terror

Em 1975, Wendy Allen comprou um Dodge 330 Coronet 1964 por US$ 5 dólares. “Tão barato assim?”, você pergunta? A razão é uma só: o carro era assombrado. “Quão assombrado?” Parece que o carro inspirou o filme Christine. Ficou curioso?

Wendy Christine Allen, que também atende por Ellkat, conta que o carro foi comprado do departamento de polícia da cidade de Old Orchard Beach, no estado do Maine, EUA. Ela diz que os policiais queriam se livrar do carro mas não conseguiam por causa de sua fama de ser assombrado — que eles próprios experimentaram, quando três policiais que haviam dirigido o carro morreram da mesma forma, em ocasiões diferentes. Mas esta foi só uma das histórias no mínimo esquisitas envolvendo este carro.

330

Segundo a antiga proprietária este é um exemplar bem raro do Dodge 330 Coronet — uma edição limitada da quais foram encomendadas 5 mil unidades, nem todas produzidas e só restam cerca de 300 exemplares por aí. Ela diz que um carro em mint condition desta série pode valer até US$ 2 milhões, enquanto um exemplar em estado razoável custa por volta de US$ 200 mil.

Tendo pago o valor simbólico de US$ 5 dólares para ficar com o ex-carro de polícia, Wendy usou o carro diariamente por anos antes de aposentá-lo — contra sua vontade, diga-se. Ela diz que o carro era extremamente confortável e que, apesar de a Dodge vendê-lo como um oito-lugares, chegou a colocar 12 pessoas nele — seis em cada banco.

Acontece que o Dodge era “assombrado”: dizem que 14 pessoas morreram diretamente por causa do carro, e dezenas de pessoas também se feriram ou morreram por sua influência indireta. E algumas delas tinham apenas tocado o carro.

Wendy diz que o livro Christine, de Stephen King, que foi publicado em 1983 (e virou um filme homônino, dirigido por John Carpenter, naquele mesmo ano), foi inspirado em seu carro — só que, em vez de um Dodge 330, o carro escolhido por King foi um Plymouth Fury 1958 com consciência própria e sede por sangue. Pode ser verdade — você reparou o nome do meio de Wendy? Christine.

As mortes aconteceram antes e depois da compra do carro por Wendy. Nos anos 60, uma criança foi atropelada enquanto andava de bicicleta e morreu antes do socorro chegar — foi o primeiro caso de uma morte associada ao carro, que quase instantaneamente adquiriu fama de “mal-assombrado”. Nos anos 1980, o incidente se repetiu — exatamente da mesma maneira, e o carro estava na frente da casa de Wendy.

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Nos anos 1980 e 1990, grupos de fanáticos religiosos protestaram e vandalizaram o carro, e nas duas vezes os líderes dos grupos morreram exatamente da mesma forma: seus carros bateram em caminhões e eles foram esmagados e decapitados. Os membros dos grupos também morreram, depois, sob circunstâncias bizarras — quatro deles foram atingidos por relâmpagos. Os policiais que dirigiram o carro cometeram suicídio e mataram suas famílias — em incidentes separados por mais de 10 anos.

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Em 2007 uma criança invadiu a casa de Wendy, tocou o carro e, semanas depois, matou toda a sua família (até o cachorro) a facadas e depois colocou fogo na casa. Depois disso, o carro foi desmontado e abandonado por pressão de outro grupo religioso que, em 2010, declarou que o carro estava “possuído por um demônio” e que eles deveriam “matá-lo”. Então eles roubaram o carro, o desmontaram e venderam as peças para vários ferros-velhos diferentes.

Wendy conta a história toda em seu site. Ela é escritora, tem autismo e se veste de maneira, digamos, “peculiar” — já foi chamada de “A Bruxa de Old Orchard Beach” e por isso, acredita que as pessoas simplesmente associaram sua imagem à maldição do carro, dizendo que ela usa seu Dodge para “invocar feitiços mortais”.

Ela afirma que todas as mortes envolvendo o carro aconteceram mesmo, mas não acredita que tenha sido por causa de um demônio possuindo seu carro — e até pediu ajuda na internet para recuperar as partes do carro e reconstruí-lo. Ela conseguiu, e hoje o carro está de volta a sua garagem.

“Dizem que este é ‘O Carro mais Assombrado do Mundo’, mas eu acho que eles é que são os mais idiotas e supersticiosos do mundo”, ela diz. “É só um carro que está na minha família há anos, e as pessoas estão se deixando levar pelas coisas que aconteceram às pessoas ao redor do carro. Porque olhe para mim, minha família, meus amigos. Estamos bem, não estamos? Se o carro tem um desejo infernal de matar todo mundo, por que não estamos todos mortos?”

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Sem o Dodge, Wendy comprou um Volvo 240 GL 1992, que ela chama de “The Dazzling Raspberry”, e tem com 2,5 milhões de miçangas, alguns brinquedos e mensagens na lataria. Ela usa o carro para chamar a atenção das pessoas para sua causa ligada ao autismo, que foi provavelmente uma das razões para que a acusassem de bruxaria e matar pessoas com seu Dodge.

É uma história curiosa e, sem dúvida, assustadora? O que você acha — este Dodge 330 é realmente a Christine da vida real?

[ Fotos: Wendy Allen ]

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