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Sessão da manhã

Este Dodge Challenger Hemi 1970 está na mesma família desde zero quilômetro – e vai continuar para sempre

No verão de 1969, Bryan Adams comprou sua primeira guitarra de verdade — ou ao menos é o que ele diz em uma de suas canções mais famosas, Summer of ’69, single de seu quarto álbum de estúdio, Reckless, de 1984.

Juan Escalante era apenas um bebê em 1969, mas naquele verão outra coisa muito importante aconteceu em sua vida: ele foi com a família para o Salão de Detroit, onde a Chrysler apresentava seu rival para Ford Mustang e Chevrolet Camaro: o Dodge Challenger, que se tornou o terceiro membro da tríade dos pony cars.

O pai de Juan, que era taxista e sempre foi entusiasta dos modelos da Chrysler, se apaixonou pelo muscle car. No ano seguinte, ele foi até sua concessionária favorita e encomendou seu exemplar exatamente como queria.

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Era um Dodge Challenger laranja com interior de vinil preto, câmbio manual de quatro marchas e o maior motor oferecido pela Chrysler na época: o Hemi 426, de sete litros, com comando no bloco, dois carburadores e 431 cv. E o carro está na família desde então, sem planos de mudança.

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O mais bacana é que o carro acabou ligando duas gerações da família que nunca se viram: o pai de Juan Escalante, que comprou o carro, e seu filho, que logo será o terceiro guardião do carro que foi do avô. E faz questão de dizer: “enquanto houver um Escalante vivo, este carro continuará na família. E o Challenger já passou por muita coisa, ainda que não aparente. Já vamos falar disso mas, antes, assista ao vídeo que o sempre excelente Petrolicious fez a respeito desta história — com direito a vários momentos quando a única coisa que se ouve é o ronco do Hemi 426.

Pois bem: depois que o carro foi comprado, a família Escalante mudou-se dos EUA de volta para a América do Sul. Não é à toa que a placa decorativa do Challenger diz “El Hemi”: antes mesmo de o carro chegar à Venezuela, em 1972, os entusiastas da região já sabiam que ele estava a caminho e começaram a chamá-lo de “El Hemi” — foi o único Challenger nos arredores por um bom tempo.

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O fato é que o carro foi muito bem usado pelo pai de Juan, que sempre levava os filhos para passeios e deu combustível para décadas de boas lembranças — mesmo que por poucos anos. No fim da década de 1970, ficou evidente que não era uma boa ideia ter um carro americano na Venezuela. Por falta de peças e profissionais capazes de mexer no carro, o Dodge começou a ter problemas e, em 1978, acabou encostado na garagem por dezoito anos.

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Neste meio tempo, Juan e seu irmão, Gus, voltaram para os EUA e seguiram com suas vidas. No entanto, em 1996, decidiram voltar à Venezuela para buscar o carro. Seu pai, então, passou o bastão para eles, que levaram o carro de volta para os EUA e deram início ao processo de restauração.

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Hoje o carro está tão bonito quanto no primeiro dia em que saiu às ruas — ou até mais. Pudera: foi um serviço de restauração que levou nada menos que nove anos, de 1996 a 2005, refletindo o cuidado e a dedicação dos irmãos Esperante, herdeiros do Challenger. Os pneus, por exemplo, são os clássicos diagonais Goodyear Polyglas GT refeitos pela americana Coker Tire, que usa técnicas e compostos modernos para fazer pneus com visual antigo, porém de muito melhor qualidade.

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O fato é que, durante o processo de restauração, o pai de Juan Escalante morreu — ele foi diagnosticado com um câncer no pâncreas e só resistiu poucos meses. Isto acabou tornando a restauração ainda mais importante, e mais: acabou atraindo a atenção filho de Juan, Caylor Escalante, que hoje é tão louco pelo Challenger quanto seu pai e seu avô.

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Caylor cresceu vendo o carro tomar forma e, aos 17 anos, finalmente pode levá-lo para dar algumas voltas. É o que ele pretende fazer daqui para a frente: levar o carro para rodar nas ruas e nas estradas, passear com seus futuros filhos — assim como seu avô fez com seu pai.

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Aliás, Juan já usa o carro com frequência desde que a restauração foi concluída e, a cada vez que entra nele e sente o cheiro da gasolina, lembra dos melhores dias de sua vida. Com Caylor, provavelmente será a mesma coisa — vai ser só uma questão de passar o bastão mais uma vez.

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