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Este é (mesmo) o último Chevrolet Opala fabricado no Brasil

Há algum tempo, contamos aqui no FlatOut a história de um carro que, supostamente, seria o último Chevrolet Opala fabricado no Brasil, em 1992. O carro preto, de placa CTH-1992, teria então um significado histórico muito grande — afinal, ele seria o último representante de uma história de sucesso que começou em 1968 e, em 24 anos, viu o Opala se transformando de sucesso imediato em um ícone da indústria automotiva nacional que cultiva milhões de admiradores dentro e fora do Brasil.

De acordo com uma reportagem feita pelo AutoData, que entrevistou o ex-vice-presidente da GM do Brasil, José Pinheiro Neto, o último Opala seria um Diplomata SE fabricado depois da série de despedida Collector’s, feito para ficar no acervo do museu da Chevrolet. No entanto, o carro teria ficado guardado na oficina da fábrica em São Caetano do Sul/SP, e acabou sendo usado como doador de peças para outros carros que chegavam.

Depois de uma breve passagem pelo antigo Museu de Tecnologia da Ulbra, que mantinha uma exposição da Chevrolet desde 1996, o Opala foi comprado por José Pinheiro Neto e restaurado nos padrões originais de fábrica, finalmente dando um fim digno a uma bela trajetória no mercado brasileiro.

No entanto, há um detalhe: apesar de ter uma boa história e de ser um carro muito interessante, pouco rodado e impecável, é bem provável que este não seja o carro que, no dia 16 de abril de 1992, foi o último Chevrolet Opala a sair da linha de montagem, recebendo cartazes com elogios colados na carroceria e olhares tristes, de despedida, de todos os funcionários envolvidos em sua fabricação.

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Naquele mesmo post sobre o CTH-1992, fomos alertados por leitores mais entendidos de que aquele certamente não era o último dos Opala. Estudando os registros do Opala no Detran, relações de números de chassi e fotos da época, os especialistas no assunto chegaram a outro carro, com número de chassi mais alto e características que batem com as fotos e vídeos que circulam pela rede.

Note que o carro que aparece no vídeo acima é um carro vinho (Vermelho Ciprius), enquanto o carro comprado pelo ex-presidente é preto. Além disso, há a questão do número do chassi.

Sendo um carro tão emblemático, é natural que o Opala tenha sua história pesquisada e documentada, nos mínimos detalhes, pela comunidade de proprietários. Assim, não é preciso procurar muito para encontrar uma relação de números de chassi, como esta do Opala.com (o link está temporariamente indisponível). Como é mostrado no vídeo do AutoData, o carro tem chassi de número NNB107904.

De acordo com os registros, porém, o número de chassi mais alto entre os Opala é o NNB108055 — ou seja, 151 carros foram fabricados depois do Diplomata SE mostrado na reportagem. Mas onde está este carro?

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Foto: Amigos do Opala

A resposta vem de Alexandre Badolato, criador do Museu do Dodge e um dos maiores (se não for o maior) especialista nos Mopar V8 brasileiros. Apesar de se dedicar integralmente à Dodge, pesquisando a fundo a história da marca e de alguns de seus modelos, Badolato também é apreciador da história da indústria automotiva brasileira em geral.

Isto o levou a procurar, encontrar e comprar aquele que tem tudo para ser, de fato, o último Opala de todos, de chassi NNB108055 e pintura Vermelho Ciprius. O automóvel agora se encontra em sua propriedade, e ele aproveitou para fazer um vídeo que deverá esclarecer de uma vez a história do último Opala.

Quando avaliamos o Dodge Durango, aproveitamos para dar uma passada em seu museu, que fica em Artur Nogueira/SP — um acervo matador, com algumas verdadeiras raridades brasileiras e gringas.

Em 2013, ao negociar para comprar de volta de um amigo um Opala SS 1971 que havia sido seu nos anos 90, Alexandre ficou sabendo da história deste carro — que já pincelamos aqui. O Opala 1992 de chassi NNB108055 seria, de fato, o último dos Collectors, e foi vendido normalmente por uma concessionária do Rio Grande do Sul, recebendo a placa ICB-4410.

CHASSI

Tempos depois, o carro foi vendido para alguém em Teresópolis, no Rio de Janeiro. Ele foi usado normalmente até que Alexande Badolato resolveu encontrá-lo e comprá-lo — afinal, trata-se de um carro histórico que deve ser tratado como tal.

Alexandre mostra o carro em detalhes, e aponta as características que batem com os registros visuais — especialmente a cor e o revestimento dos bancos, que são os mesmos desde o dia 16 de abril de 1992.

Na verdade, o carro nunca foi restaurado e, ainda que esteja íntegro e com a mecânica em dia — o motor é um seis-em-linha de 4,1 litros com carburador 3E, de 121 cv e 29 mkgf —, apresenta diversas marcas de uso e está longe de ser um carro impecável. Restaurá-lo? Não! Alexandre diz que pretende preservar o carro como está pois, ainda que uma revitalização completa não seja inviável, ele acredita que, neste caso, há um valor maior em manter todas as características originais de fábrica.

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Por outro lado, ele revela que também tem em suas mãos o carro de chassi NNB108061. Depois do Opala NNB108055, a Chevrolet ainda fabricou outros seis carros — com chassis terminados em sequência de 56 a 61. No entanto, os carros eram seis Caravan, e todos foram transformados em ambulâncias e usados normalmente.

A última delas, o carro NNB108061, foi convertido em carro de passeio e usado normalmente por anos. Alexandre diz que em breve iniciará o processo de restauração para devolver ao carro suas especificações de ambulância. Desse modo, ele poderá reproduzir a foto histórica que traz o Opala e a Caravan lado a lado, deixando o pátio da fábrica.

 

 

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