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Este é nada menos que o Mercedes-Benz 560 SL AMG 6.0 V8 de Michael Schumacher – e um dos três que existem no mundo

Hoje em dia a AMG é uma das preparadoras de fábrica mais respeitadas de todo o mundo. Não é para menos: a preparadora cultivou uma reputação impecável, começando nas pistas e transformando os carros já competentes da Mercedes-Benz em verdadeiros mísseis sobre rodas há quase 50 anos.

O que você talvez já saiba é que foi só em 1991 que a AMG se tornou a preparadora oficial da Mercedes-Benz. Antes disso, porém, a ligação entre as duas empresas já era estreita — tanto que, caso você comprasse um Mercedes, podia pagar um valor extra (que não era baixo) para que a própria marca cuidasse de levar seu carro até o QG da preparadora em Affalterbach para torná-lo ainda mais desejável.

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Agora, praticamente qualquer Mercedes-Benz pode receber o tratamento AMG, seja em uma edição especial ou com os pacotes AMG Sport, que podem ser adquiridos como opcional até mesmo para os SUVs da Classe G. No entanto, nos anos 1980 a coisa era bem mais difícil e exclusiva. Um exemplo? Só existem três exemplares do Mercedes-Benz 560 SL AMG 6.0, e este aqui é um deles.

O Mercedes-Benz R107 é um carro de linhagem nobre — seu antecessor era o W113, que por sua vez substituiu o lendário 300 SL “Gullwing” em 1963. Como seu antepassado, ele foi feito sob medida para o mercado norte-americano. Só havia um problema: na época de seu lançamento, em 1972, a crise do petróleo já era iminente. Por isso, as linhas de arrojada elegância do roadster não tinham potência à altura: o motor mais forte era um V8 de 5,6 litros e 230 cv. Não era exatamente empolgante.

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Para a sorte de alguns, havia a possibilidade de apimentar as coisas. Três donos do 560SL decidiram fazer exatamente isto, e o resultado foi o estonteante 560SL AMG, que tinha um V8 de seis litros igual ao do 300E Hammer — para muita gente, o primeiro grande AMG da história.

Tratava-se de um sedã 300E (o bisavô o atual Classe E 350) com o motor V8 da Classe S, modificado para deslocar seis litros e produzir 385 cv. Hoje parece pouco para um AMG, mas em 1986 era suficiente para levar o sedã aos 100 km/h em cinco segundos cravados e passar dos 290 km/h. Foi esse carro que levou a Mercedes a pensar que talvez ela devesse se aproximar mais da AMG (o resto é uma história que você pode ler aqui e aqui).

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Talvez pela personalidade grand tourer do R107, a AMG reduziu a potência do motor para cerca de 330 cv — ainda assim, um número muito bom para um carro fabricado em 1986. O câmbio ainda é automático de três marchas, mas a AMG instalou um diferencial de deslizamento limitado para lidar melhor com a potência extra, bem como um jogo de rodas AMG Monoblock e pneus mais largos e de perfil mais baixo (que, cá para nós, deram um stance sinistro). Fora isto, o único detalhe que entrega a personalidade mais forte deste 560 SL é o emblema “6.0” na traseira. Vai dizer que você cutucaria um Mercedão das antigas na rodovia sabendo o calibre do que tem debaixo do capô?

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Só o fato de ser um dos três existentes no mundo já torna este carro bastante especial. Só que tem mais: ele está à venda, e o anunciante diz que, de acordo com os documentos, um de seus donos foi ninguém menos que Michael Schumacher. Ele provavelmente não foi o primeiro dono, pois em 1986, ano de fabricação deste carro, o então futuro heptacampeão de Fórmula 1 tinha só 17 anos de idade, mas e daí?

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O carro foi todo restaurado recentemente por Panagiotis Avramidis, ex-engenheiro da AMG — um cara que entende do assunto. Quase todas as características originais foram mantidas: a pintura em azul metálico, o interior combinando e as rodas pintadas na mesma cor da carroceria. Houve, no entanto, duas modificações funcionais: a traseira recebeu um banco inteiriço e o volante original foi substituído por aquele usado no E55 AMG, mais moderno e dotado de airbag. A cereja do bolo é o acabamento em madeira tingida de azul.

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O motor foi todo refeito, e o carro ficou tão bom que o hodômetro foi zerado. Atualmente, marca 1.699 km — para todos os efeitos, é um Mercedes-AMG novo fabricado e modificado em 1986. E, na verdade, o preço é maior que o do atual topo de linha da AMG: o S65, com um V12 biturbo de seis litros e 630 cv. Quanto? US$ 336.000, ou R$ 1,2 milhão em conversão direta. O S65 custa a partir de US$ 234 mil, ou cerca de R$ 842 mil. Em termos de pedigree, porém, não dá nem para comparar os dois.

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