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Car Culture

Este é o Porsche 911 de três lugares e volante no centro que você não sabia que queria – até agora

Não há dúvidas de que o Porsche 911 é um dos melhores esportivos do planeta. E não é para menos: desde 1963 Porsche não mede esforços para manter-se fiel ao layout original. E embora o com motor boxer na traseira tenha sido um tanto traiçoeiro por muito tempo, nas gerações mais modernas o 911 se tornou uma referência em dinâmica e desempenho. Mas como tornar a experiência de dirigir um 911 ainda mais envolvente?

Para a companhia Centro 911, a resposta está na posição de dirigir: em vez de escolher o lado esquerdo ou o lado direito, eles colocam o volante no centro, como no McLaren F1. A inspiração foi o próprio Macca, claro, o superesportivo que já foi o mais veloz do planeta e ainda é um dos carros mais incríveis já feitos. Ao colocar o motorista no centro, o F1 conseguia uma melhor distribuição de peso, além de melhor aproveitamento de espaço, lugar para três pessoas (em vez de duas, como nos supercarros tradicionais) e ainda espaço para a bagagem.

Acontece que, obviamente, o McLaren F1 não é um carro acessível — só existem 106 exemplares do carro de rua e é impossível comprar um deles sem desembolsar alguns milhões. O Porsche 911, claro, não é um carro barato. Mas ele está longe de ser uma raridade valiosíssima e, sem dúvida, é mais fácil comprar um 911 do que um McLaren F1.

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Foi pensando nisso que o criador do primeiro protótipo, o engenheiro Nigel Tuckey, decidiu colocar o volante do 911 no centro. A conversão foi realizada na oficina onde ele trabalhava, a Trinity Motorsports, em Ohio, nos EUA. A empreitada exigiu cerca de um ano de testes com protótipos para garantir que tudo funcionasse a contento, e que a dirigibilidade do carro não fosse prejudicada.

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Em outubro de 2012, o presidente do Porsche Club of America Manny Alban apresentou o primeiro exemplar convertido, um 911 Carrera S Cabriolet, no YouTube, e o vídeo foi um dos mais vistos no canal do clube.

Desde então, a companhia fundada por Nigel para realizar as conversões comercialmente — a Centro 911 — parece ter encerrado suas atividades — aparentemente poucas pessoas acharam uma boa ideia ter um Porsche com posto central. O que é uma pena. Mas um de seus carros está à venda: ele será leiloado pela Mecum Auctions durante o Concours d’Eleganza Pebble Beach, em Monterey, na Califórnia, que acontecerá nesta semana (entre os dias 13 e 15).

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Trata-se de um Porsche 911 997 Carrera S 2008, o que significa que ele é movido por um flat-6 de 3,8 litros de 360 cv a 6.600 rpm e 40,8 mkgf de torque a 4.600 rpm. O câmbio é manual de seis marchas e a tração traseira.

A própria configuração do 911 facilitou a conversão realizada pela Centro: com motor e câmbio na traseira, a maior parte do trabalho foi concentrada em reposicionar a coluna de direção e sua ligação com o eixo dianteiro — caso o motor ficasse na frente, a tarefa seria bem mais complicada. A estrutura do carro também recebeu alguns reforços sob o assoalho, e uma gaiola de proteção foi instalada no interior, em volta do banco do motorista.

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O painel de intrumentos foi adaptado com fibra de carbono nas laterais, mas o console central foi reaproveitado e a posição da maioria dos comandos permanece a mesma. O banco do motorista é instalado sobre trilhos e se move para facilitar o acesso ao banco traseiro — ainda que o espaço para as pernas dos passageiros fique comprometido pela nova configuração do interior. No caso deste 911, apesar da evidente qualidade do trabalho, o carro não está legalizado para as ruas e foi feito para as pistas — incluindo banco e cinto de competição.

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A vantagem de trabalhar com o 911 é que, graças ao conjunto mecânico todo na traseira, as modificações se concentraram entre os eixos. Todo o resto é praticamente original. Mas isto não significa que a execução tenha fácil: ao todo, cerca de 300 horas de trabalho foram necessárias para que o carro fosse concluído. O preço das modificações? Cerca de US$ 75 mil, ou R$ 260 mil em conversão direta.

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Estima-se que o 911 S da Centro seja arrematado por algo entre US$ 85 mil e US$ 115 mil (cerca de R$ 295-400 mil). É mais que o dobro do que um carro original, do mesmo ano e modelo, costuma valer nos EUA — em média, US$ 40 mil (R$ 140 mil), mas sem dúvida a experiência de guiar um Porsche 911 com volante no meio é totalmente diferente. Você acha que vale a pena?

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