Este é o tributo mais incrível já feito a Ayrton Senna e ao Honda NSX

Dalmo Hernandes 7 outubro, 2016 0
Este é o tributo mais incrível já feito a Ayrton Senna e ao Honda NSX

Você pode até achar que os fãs mais fervorosos de Ayrton Senna são meio exagerados ao endeusar o tricampeão, mas simplesmente não dá para negar que o cara era um piloto acima da média. Ele foi o melhor entre os melhores do mundo em 1988, 1989 e 1991, o que já é evidência suficiente.

Dito isto, há outra coisa que representa bem a importância de Ayrton Senna: seu envolvimento no projeto do Honda NSX, um dos esportivos japoneses mais emblemáticos e adorados de todos os tempos. Juntando dois ícones, o film maker Robbert Alblas fez este tributo em vídeo ao homem e ao carro. Há boas chances de ser a coisa mais bonita que você verá hoje.

A produção é simplesmente impecável a fotografia é belíssima – o colorista conseguiu transmitir uma atmosfera noventista, com tons fortes e vibrantes (é só lembrar dos comerciais de carro da década de 1990), sem parecer datado e com um resultado estético impressionante.

A premissa é bem simples: o vídeo começa com um Honda NSX de primeira geração (com faróis escamoteáveis, fabricado entre 1990 e 2002) em um galpão. Nas paredes, imagens de Ayrton Senna em seu McLaren de Fórmula 1 e também do próprio NSX, enquanto ouve-se uma música orquestral épica e frases famosas ditas pelo piloto. Então, o piloto dá a partida e sai acelerando por uma estradinha rural europeia. E ele não pega leve, não!

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O Honda NSX é daqueles carros de que muitos de vocês já decoraram a ficha técnica: um esportivo com V6 de três litros central-traseiro, dois lugares, dianteira em formato de cunha e os já citados faróis escamoteáveis. Era como a versão japonesa de uma Ferrari, mas com um V6 em vez de um V8 (o NSX tinha como rival a Ferrari 348, que tinha um V8 de 3,4 litros e 304 cv), um interior mais espaçoso e melhor acabado, e até um porta-malas utilizável!

Com isto, os 273 cv a 7.100 rpm eram apenas a cereja do bolo: o NSX é um belo carro como um todo. Visualmente, envelheceu muito bem, apesar de ser um tanto datado na silhueta. O interior tinha todos os recursos que se espera de um carro de passeio, incluindo couro nos bancos, ar-condicionado, sistema de som com disqueteira, trio elétrico e direção assistida.

Se você não precisasse de mais que dois lugares, não havia nada que te desmotivasse a utilizar o NSX como daily driver. Ele não vivia quebrando, não pegava fogo, era silencioso quando você queria que fosse e barulhento quando seu street racer interior despertava (figurativamente, claro). Tudo isto com performance de superesportivo: o primeiro NSX, com motor 3.0 era capaz de chegar aos 100 km/h em 5,6 segundos, com máxima de 270 km/h. Para efeito de comparação: o Porsche 911 da época chegava aos 100 km/h em 5,9 segundos e não passava dos 260 km/h. A Ferrari 348, por sua vez, tinha 0-100 de 5,5 segundos e máxima de 275 km/h. Lembrando que era 1990 – 26 anos atrás.

Naquela época, a Honda estava em seu auge na Fórmula 1, e boa parte disso tinha a ver com Ayrton Senna. Eles forneciam motores para a McLaren, que foi campeã com Senna três vezes. Naturalmente, o tricampeão acabou criando uma relação muito próxima com o presidente da companhia, Soichiro Honda. Aliás, o Japão deve ser o segundo país que mais idolatra Senna.

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Com muitos recursos para investir, a Honda fez questão de contratar Senna para aperfeiçoar a dinâmica do carro – não é difícil de entender o motivo, é? Segundo consta, em seu primeiro contato com o NSX, Senna sentiu que a carroceria torcia demais e convenceu os engenheiros a estudar maneiras de melhorar a rigidez do carro. Depois disso, Senna passou um dia todo testando diferentes protótipos do NSX e relatando suas impressões à equipe de desenvolvimento.

Este vídeo mostra que Senna também se envolveu em outros projetos com a Honda, como o Prelude

Os testes foram realizados no circuito de Suzuka (que, aliás, foi construído pela Honda), e há alguns registros em vídeo que já são famosos na internet. É bem provável que você já tenha até assistido algum deles e visto o belo trabalho de Senna no punta-tacco (e sua infame combinação de mocassins e meias brancas, pecado estilístico que já foi infinitas vezes apontado e não queremos quebrar a tradição). Tudo bem, você pode não simpatizar muito com todo o culto recente a Ayrton, mas seria hipócrita se não admirasse sua técnica.

De qualquer forma, o NSX ficou tão bom que o próprio Senna teve alguns deles – dois, na verdade. Ambos ficavam em Portugal, onde Ayrton Senna morou em seus últimos anos de vida: um vermelho, que ficava em sua propriedade no Algarve, e um preto, guardado na casa do amigo Braguinha, não muito longe do Autódromo do Estoril.

O que queremos dizer com tudo isto? Bem, que o NSX é um carro fantástico, que Ayrton Senna era um piloto sem igual e que o fato de ambos terem uma conexão tão próxima nos coloca um sorriso no rosto a cada vez que lembramos. Este tributo em vídeo é uma homenagem mais do que digna.

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