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Carros Antigos

Este é o último Dodge Challenger de arrancada do lendário Dick Landy

Há poucos dias mostramos aqui no FlatOut o Dodge Hemi Dart de Dick “Dandy” Landy, um dos personagens mais conhecidos da arrancada nos EUA. Seu carro era nada menos que o Hemi Dart mais rápido da arrancada – em 1968, ele cumpriu o quarto de milha em 10,46 segundos na dragstrip de Orange County, Califórnia.

O Dart faz parte da coleção de Todd Werner, norte-americano que possui, em seu acervo, uma seleção invejável de ícones dos anos 1960 e 1970, entre muscle cars de rua e carros de arrancada. Dandy Landy é um de seus favoritos: carismático, sempre com um charuto pendurado nos lábios, ele foi um dos donos de equipe que ajudaram a Dodge a construir sua reputação de 402 em 402 metros naquela época. Tanto que, mesmo depois que o Hemi Dart já estava obsoleto, ele continuou representando a Dodge nas provas, sendo um dos pilotos favoritos da cúpula da companhia.

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Agora, é a vez de falar de outro Dodge usado por Dick Landy – na verdade, o último carro que ele usou em competições antes de se aposentar, e também o último que ele acelerou em público antes de partir.

Como você deve lembrar, o Dodge Challenger foi um dos pony cars que a Chrysler fez sobre a plataforma E-Body da Chrysler, que tem largura similar à A-Body do Dart, mas bem mais larga. É a mesma do Plymouth Cuda, seu primo. Lançado em 1970, ele chegou atrasado em relação ao Ford Mustang e ao Chevrolet Camaro, que naquela altura já eram ícones.

Para as arrancadas, porém, ele chegou na hora certa: naquele mesmo 1970, foi inaugurada a categoria Pro Stock da NHRA, que impunha limites de peso mínimo, peso máximo e deslocamento máximo do motor; além de estipular que a carroceria deveria manter suas linhas gerais próximas dos carros produzidos em série, permitindo apenas a instalação de um capô de fibra de vidro. O interior deveria manter os revestimentos de porta e do painel de instrumentos em seus lugares. A ideia era fazer com que os fãs nas arquibancadas associassem aqueles carros com os que viam nos showrooms das concessionárias.

A chegada do Challenger só agregava à linha da Dodge – em competições, modelos como o próprio Dart, e também o Coronet e o Charger, já haviam conquistado praticamente tudo o que havia para se conquistar nas competições da NHRA (National Hot Rod Association), e o Challenger veio tanto para buscar conquistar o seu espaço nos circuitos mistos (na categoria Trans Am, conheça a história do Challenger T/A aqui) quanto na arrancada. Na hora de estrear o novo modelo nos 402 metros, Dick Landy foi um dos pilotos que receberam prioridade.

Nas temporadas de 1971 e 1972, ele ajudou a manter a supremacia da Dodge com seu primeiro Challenger, um exemplar fabricado em 1971. O carro recebeu um motor Hemi 426 experimental, dotado de um sistema de ignição com duas velas por cilindro inventado pelo próprio Landy – algo que, na época era o supra sumo da tecnologia em arrancada e ainda é considerado muito eficiente, a ponto de continuar em uso até hoje.

Para a temporada de 1973, porém, foi colocada uma pedra no caminho da Chrysler: a NHRA decidiu mudar as regras para dificultar a vida dos Mopar, especificamente os carros equipados com motor Hemi (vale lembrar que, em 1965, a Nascar já havia banido o The Elephant pela mesma razão). As regras levavam em conta o deslocamento do motor, o peso do carro e até mesmo o recorde no quarto de milha para cada modelo, e invariavelmente traziam uma consequência: lastros de 48 kg para os carros equipados com o V8 Hemi.

A Chrysler não gostou nada desta situação e decidiu simplesmente boicotar a NHRA, deixando de oferecer suporte aos pilotos na categoria Pro Stock. Se quisessem correr de Mopar, eles teriam de migrar para a Super Stock, categoria semelhante à Pro Stock, porém sem tantas amarras. Landy não pestanejou e logo descolou um Dodge Challenger 1970 para disputar a Super Stock.

Pelas circunstâncias, este Challenger ficou conhecido como the boycott car – literalmente, “o carro do boicote”. Talvez para simbolizar a mudança, até mesmo a pintura do carro era diferente – em vez do azul, prata e vermelho usado até então, o segundo Challenger de Landy tinha a carroceria pintada de preto, branco e laranja.

Construído pelo próprio Dick Landy, o pony car trazia, debaixo do capô de fibra, uma versão preparada do Hemi 426, com dois carburadores Carter de corpo quádruplo, cabeçotes Hooker e um plenum de admissão feito sob medida.

O motor era acoplado a uma transmissão manual de quatro marchas que levava a força para as rodas traseiras através de um diferencial Dana 60. Como resultado, o Challenger conseguiu não apenas o recorde de 1974 na categoria Super Stock – 10,55 segundos nos 402 metros – mas também o título na categoria para Dick Landy, naquele que foi seu último ano como piloto profissional.

As caixas de roda alargadas para dentro (uma das poucas concessões do regulamento) acomodavam pneus Firestone de arrancada em rodas Cragar Super Trick. O interior, por sua vez, mantinha o acabamento de fábrica, com a adição de uma gaiola de proteção completa, conta-giros no topo do painel, alavanca Hurst T-handle e um volante de três raios com menor diâmetro. Os bancos eram os do próprio Challenger, com forração de couro preto, apenas com encosto modificado para receberem os cintos de competição da Simpson.

Morto em 2007, aos 69 anos, por falência renal, Dick Landy manteve-se envolvido com muscle cars e arrancadas mesmo depois de sua aposentadoria. Ao longo dos anos, ele prestou consultoria na restauração de alguns de seus carros, que invariavelmente se tornaram relíquias da era de ouro das dragstrips. Este Dodge Challenger, porém, foi o único restaurado pelo próprio piloto, e ficou com ele até o fim de sua vida. Mais do que isto: em 2001, Dick Landy foi um dos convidados de honra do Goodwood Festival of Speed e levou o Challenger junto para a famosa subida da colina. Com isto, este carro também é o único bólido de Landy a viajar para fora dos Estados Unidos com o piloto. Ele próprio o conduziu.

Foto: Motorsport Images

Para quem não está muito habituado com o cenário das arrancadas, estes detalhes talvez não sejam muito significantes. Contudo, para o público da arrancada – que é praticamente um cenário à parte nos EUA quando se trata de automobilismo clássico – é este tipo de minúcia que pode ser a diferença entre um carro de arrancada antigo bem cuidado e caro e outro de valor inestimável.

Não que seja, de fato, inestimável: a Mecum Auctions, que vai leiloar o Challenger no fim deste mês, acredita que ele possa arrecadar entre US$ 650.000 e US$ 850.000 – ou seja, entre R$ 2,43 milhões e R$ R$ 3,19 milhões, aproximadamente – quando forem dados os lances em Harrisburg, estado da Pensilvânia.

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