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Este é o único Skyline GT-R Nismo Z-Tune “0 km” que existe atualmente

A esta altura já virou clichê dizer isto, mas minha garagem dos sonhos não incluiria superesportivos ou carros extremamente luxuosos – há uma porção de automóveis icônicos e valiosíssimos que não são Rolls-Royce, Bentley, Ferrari, Lamborghini ou Bugatti.

É provável que (além de um autêntico Uno Turbo italiano de frente alta), eu investisse uma boa quantia em esportivos japoneses icônicos. Carros como o Nissan Skyline GT-R Z-Tune, também conhecido como o Santo Graal da geração R34. E daria um jeito de me acostumar com o volante do lado direito.

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Mais especificamente, eu tentaria comprar o Z-Tune sobre o qual viemos falar hoje – o exemplar de nº 15 dos 19 que foram feitos pela Nismo na Omori Factory. Ele foi restaurado recentemente pela mesma equipe que o construiu, e recebeu uma belíssima pintura Midnight Purple III. Agora, ele provavelmente é o Skyline GT-R mais valioso que existe.

O carro é um projeto da oficina australiana V-Spec Performance. O nome entrega que sua especialidade são os Skyline GT-R, e as fotos são um verdadeiro deleite para os olhos. Além de versões emblemáticas do GT-R, de todas as gerações, incluindo o Nismo 400R e o V-Spec Nür, dá para ver que o lugar é um verdadeiro playground para os fãs de ícones JDM – saca só algumas fotos que eles postaram em sua página do Facebook.

O Nismo Z-Tune #015 é a adição mais recente ao acervo do lugar – ele foi comprado por eles no Japão em agosto de 2017. Depois, passou por um processo de restauração que durou quase dois anos, nas melhores mãos possíveis, ficando pronto em agosto último. O serviço foi tão abrangente que a Nissan concedeu ao Z-Tune #015 status de carro novo, com o hodômetro zerado. Ele rodou cerca de 40 km deste a conclusão do projeto.

Para quem não lembra, o Nismo Z-Tune foi uma edição especial feita em 2005 para comemorar os 20 anos da Nissan Motorsport, que foi fundada em 1985. Para isto, a Omori Factory – que é a oficina da Nismo dede o começo, responsável por cuidar dos carros históricos da Nissan, e também fornece mão de obra altamente especializada aos clientes – teve uma ideia ousada: fabricar uma série limitada, mais potente, do GT-R R34. O carro havia saído de linha três anos antes, em 2002, e por isso a Nismo fez uma busca por todo o Japão para encontrar exemplares bem conservados e pouco rodados (com menos de 30.000 km) do esportivo.

No final, 18 carros foram comprados de seus proprietários, desmontados e reconstruídos do zero pela Nismo. Então, cada um deles recebeu um motor RB28DETT, de 2,8 litros (o RB26 original tem 2,6 litros), completamente refeito, com peças de competição, e turbos maiores – e o resultado era uma usina de 500 cv e 55 kgfm. Com câmbio manual de seis marchas e o sistema de tração integral eletrônico ATTESA, o Z-Tune era capaz de ir de zero a 100 km/h em 3,8 segundos.

Todos os Nismo Z-Tune foram pintados de prata “Z-Tune Silver”, tonalidade desenvolvida apenas para a série especial. Além disso, a maior parte dos painéis da carroceria foi trocada por fibra de carbono, incluindo para-lamas mais largos, de design mais agressivo. As rodas RAYS Volk de 18×9,5 polegadas foram desenvolvidas exclusivamente para o Z-Tune, bem como os pneus Bridgestone de medidas 265/35.

Inicialmente, a V-Spec pretendia manter todas as características originais do carro. Não demorou muito, porém, para que a oficina decidisse por algo mais exclusivo, trocando o prata Z-Tune Silver pela icônica tonalidade Midnight Purple III (MNP3), introduzida em 2000 para o R34. Sabe-se de apenas mais um Z-Tune nesta cor – um carro que não recebeu a pintura prata por insistência de seu dono.

Diferentemente das outras versões do Midnight Purple, ambas oferecidas no R33, o MNP3 é mais vivo e, dependendo da forma como é atingida pela luz, a carroceria exibe reflexos de azul, dourado, marrom e vermelho. Com uma camada de verniz transparente e flocos metálicos, o MNP3 tem uma profundidade incrível, e só pode ser verdadeiramente apreciado quando visto sob diversos ângulos.

Após ser levado para a Austrália, o Nismo Z-Tune #015 foi completamente desmontado para que a Omori Factory pudesse pintá-lo, e também para que todos os componentes fossem devidadamente avaliados. Tudo o que apresentava o menor sinal de desgaste ou mau funcionamento foi substituído, e a mecânica foi completamente restaurada usando peças novas – motor, câmbio, todos os periféricos, reservatórios e mangueiras, freios e suspensão. O mesmo vale para todos os itens de acabamento, incluindo faróis, lanternas e emblemas.

O Z-Tune #015 antes da restauração

O interior, da mesma forma, teve os bancos reformados e todos os revestimentos refeitos no padrão correto – couro preto com insertos de Alcantara vermelho. De fato, quando ficou pronto o Z-Tune #015 foi considerado um carro novo pela Omori Factory. O único Z-Tune zero-quilômetro feito no mundo – 14 anos depois da série original.

O trabalho não foi feito por iniciativa da Nissan – foi uma restauração paga, por um valor que não foi divulgado, e que não incluiu qualquer tipo de exigência, exceto pela cor: o método de restauração e os detalhes dos procedimentos foram decididos pelos especialistas da Omori Factory. Afinal, foram eles que criaram o Z-Tune. A V-Spec Performance não teve acesso à oficina, que fica em Yokohama, no Japão, a não ser por algumas poucas visitas.

No entanto, a V-Spec Performance já estão dizendo que o Z-Tune #015 é o novo Skyline mais caro e valioso do planeta. E a ideia é ficar com ele, participando de eventos e usando-o como carro-propaganda. Como no vídeo abaixo, que mostra o processo de detailing do Z-Tune #015 e mostra com clareza a beleza do Midnight Purple:

O resultado é visível – o carro é mesmo impressionante sob todos os ângulos. Dá para entender por que ele não está à venda… ainda: um exemplar impecável como este pode muito bem encostar nos US$ 2 milhões caso troque de mãos.

Fotos: V-Spec Performance

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