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Carros Antigos

Este é um dos BMW M1 mais raros já feitos – e pertenceu a Paul Walker

O BMW M1 é o único BMW de motor central-traseiro produzido em série. Ele é um especial de homologação com pouco mais de 450 unidades produzidas, o que faz dele um carro bastante raro. E ele também é assustadoramente bonito graças ao design de Giorgetto Giugiaro. Mas existem alguns M1 que são ainda mais potentes, bonitos e raros — os carros modificados pela concessionária BMW AHG, dos quais existem (dizem) apenas 10 no mundo todo — e este é um deles.

O M1 surgiu de uma parceria entre a Lamborghini e a BMW no fim da década de 70 — a BMW queria um carro de corrida para homologação no Grupo 4 de turismo, que seria projetado pelos alemães e acertado, produzido e finalizado pelos italianos. A Lamborghini precisou pular fora do projeto por questões financeiras, mas a BMW seguiu sozinha e apresentou em 1978 um carro inspirado em seu conceito Turbo, de seis anos antes.

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O motor era o M88, um seis-em-linha de 3,5 litros com comando duplo no cabeçote, injeção mecânica e corpos de borboleta individuais — o bastante para, sem indução forçada, render 280 cv a 6.500 rpm e 33,2 mkgf de torque a 5.000 rpm. Talvez você ache que este é um número baixo mesmo para a época, mas lembre-se que o Lamborghini Countach, lançado no mesmo ano, tinha 375 cv — e também o dobro dos cilindros. Uma versão modificada do M88 (o chamado M88/3) foi parar debaixo do capô do primeiro M5.

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A ideia da BMW era homologar o M1 para o grupo 5 do WSC, o campeonato de endurance da FIA. Contudo, em 1977 as regras para homologação mudaram e a BMW precisaria fazer pelo menos 400 exemplares em 24 meses para a homologação no Grupo 4, que compreendia corridas de turismo e rali, antes de pensar em entrar no Grupo 5. Os carros também teriam que mudar, então a BMW decidiu criar um campeonato monomarca para colocar os carros que já estavam prontos para correr o quanto antes — e ainda aproveitar para usar as corridas como um campo de testes.

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Foi assim que surgiu o BMW M1 Procar Championship, que acabou se tornando uma atração extremamente popular antes das corridas da Fórmula 1, tendo inclusive vários pilotos da maior categoria do automobilismo como participantes — Nelson Piquet e Niki Lauda, por exemplo. Para o Procar, os motores eram preparados para entregar 470 cv (ainda sem turbo, a potência para até 900 cv no Grupo 5) e os carros recebiam melhorias na suspensão e tinham o peso aliviado.

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Em 1980, porém, a BMW anunciou que havia terminado de produzir os 400 carros necessários para a homologação no Grupo 4 — na verdade foram 453 carros, incluindo 20 para o Procar —, e também que entraria para a F1 fornecendo motores pela Brabham. Apesar de muito popular, o Procar não era mais necessário e foi cancelado para que a BMW se concentrasse no Grupo 4 e na Fórmula 1.

Mas o que pouca gente sabe é que os carros Procar inspiraram, em 1982, uma concessionária alemã da BMW chamada AHS a oferecer um pacote de modificações a alguns clientes, donos de M1. A ideia era fazer carros parecidos com os bólidos da categoria monomarca, com preparação no motor e visual idêntico aos carros que disputaram as corridas do Procar. Mas não se limitavam ao campo estético.

Por baixo das linhas italianas os AHG M1 Studie, como foram batizados estes carros, receberam suspensão e pista ajustável e rodas BBS de 16 polegadas com tala 8″ na dianteira e 9″ na traseira. O motor era retrabalhado para produzir 350 cv, um aumento de 73 cv em relação à potência original e 277 cv, e recebia uma embreagem esportiva e um novo escape.

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Mesmo com essa pegada de pista, o AHG M1 ainda era um carro pensado para as ruas e estradas, por isso tinha interior com acabamento em couro, e sistema e áudio com alto-falantes extra.

Mas ainda não foram todas estas modificações que tornaram o AHG M1 um modelo exclusivo. A concessionária ainda contratou a famosa oficina de pintura de Hermann Altmiks para pintar cada M1 em um esquema de cores único para cada cliente.

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Este M1 das fotos é um destes carros pintados por Altmiks. Ele veio ao mundo como todos os outros 455 exemplares de sua espécie, e segundo a BMW Classic, foi construído em 1979 e entregue no dia 30 de agosto do mesmo ano ao concessionário Schneider, em Bielefeld, na Alemanha.

Originalmente ele era branco, e pouco se sabe de sua história antes do dia em que seu proprietário o entregou à AHG. Não se sabe quanto custava a conversão, mas considerando que todos os acessórios eram certificados pelo TÜV (uma espécie de Inmetro automotivo alemão), a AHG deve ter gasto uma boa grana no desenvolvimento dos componentes. Dizem que o spoiler traseiro foi o mais caro deles. Por ser algo assim caro, acredita-se que apenas 10 exemplares foram modificados pela concessionária-preparadora.

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Depois de sair da AHG com as cores da BMW Motorsport, este AHG M1 teve uma vida de luxos na coleção de Ed Weaver, nos EUA, onde ficou até 1995. Em 2011 ele foi comprado por um outro colecionador americano e revendido à AE Collection, da Califórnia — a coleção da preparadora Always Evolving de Paul Walker e Roger Rodas.

Nesses 35 anos o M1/AHG M1 rodou menos de 7.000 km e tem sua autenticidade certificada pela assinatura de Altmiks na pintura, além das marcações AHG M1 na carroceria. O carro agora será leiloado pela RM Auctions em no Concours D’Elegance Pebble Beach no próximo dia 16 de agosto, por um valor estimado entre US$ 600.000 e US$ 800.000.

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