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Achados meio perdidos Zero a 300

Este Ford Escort “XR3” com swap de motor AP e visual europeu está à venda

“Conflito de gerações” é uma boa forma de definir o mercado brasileiro de esportivos na virada dos anos 80. Os bastiões como o Dodge Charger R/T, o Chevrolet Opala SS e o Ford Maverick GT – carros com raízes no fim da década de 1960, com motores grandes, tração traseira e eixo rígido –, desvalorizavam na vertical, tanto pela crise do petróleo quanto pela transformação cultural do fim da década de 70, que passou a favorecer desenhos mais retilíneos e futuristas. Hoje vistos como clássicos, em poucos anos o trio de ferro tinha virado algo meio retrógrado.

Foi assim que surgiu um novo tipo de esportivo: versões apimentadas de carros menores, com tração dianteira e motores de quatro cilindros. Com eles, números de torque e potência continuavam importantes, mas um foco maior era dado ao comportamento dinâmico – era assim que os europeus faziam. O fim da década de 1970 trouxe carros como o VW Passat TS, o Chevette GP (que era a exceção, com tração traseira) e o Fiat 147 Rallye, por exemplo. Mas o primeiro representante da geração anos 80 foi o Escort XR3, precursor de VW Gol GT, Fiat Uno 1.5R e Kadett GS. Carros que conseguiram conquistar os entusiastas e se tornar objeto de desejo tanto pelo pessoal da época quanto pelas gerações que vieram depois.

O problema é que, após se tornarem carros mais acessíveis com a inevitável desvalorização nas duas décadas seguintes – que causou a destruição de muitos deles –, os esportivos brasileiros dos anos 80 voltaram a subir nas tabelas nos últimos anos e, com isto, os melhores exemplares estão longe de ser baratos. E os baratos geralmente exigem algum investimento para ficar em forma.

Mas existem alternativas, como nosso Achado meio Perdido de hoje: um Escort L 1985 caracterizado com muito capricho como XR3 e equipado com um motor bem mais esperto que o original. O carro está anunciado no GT40, e nós vamos conhecer seus detalhes agora.

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Se você é um cara atento e tem conhecimento básico da história do Escort XR3, sabe que ele chegou ao mercado em dezembro de 1983, quatro meses depois das outras versões, com uma versão mais potente do motor CHT 1.6. Apesar de manter o mesmo deslocamento de 1.555 cm³, o chamado CHT Fórmula tinha comando de válvulas com maior abertura, válvulas maiores e fluxo retrabalhado no cabeçote, além de carburador de corpo duplo. Assim, a potência passava de 75 cv para 83 cv. Com câmbio de cinco marchas de relações mais próximas, o motor era capaz de levar o XR3 até os 100 km/h em 13,4 segundos, com máxima de 163 km/h.

Não era exatamente um carro veloz, mas seu comportamento dinâmico era bom e tanto o visual quanto o esmero no acabamento tinham muito apelo. No ano seguinte, porém, a Volswagen lançou o Gol GT, inspirado no Golf GTI europeu e equipado motor 1.8 de 99 cv – um carro mais potente que deixava isto claro no desempenho, indo de zero a 100 km/h em menos de 12 segundos com máxima de 170 km/h.

Ironicamente, anos depois a Volkswagen e a Ford do Brasil se uniram para criar joint venture Autolatina e compartilhar recursos humanos, financeiros e técnicos para desenvolver seus carros. Assim, em 1989 o Escort XR3, já reestilizado, passou a usar o motor AP 1.8S do Gol GTS. Em 1993, quando foi lançada a terceira geração do Escort no Brasil (que já era a quinta na Europa), a versão XR3 adotou o motor AP 2.0 de 116 cv.

O Escort “XR3” anunciado no GT40 é, na verdade, um Escort L de 1985 que originalmente veio com motor 1.6 CHT, mas hoje é movido por um AP 2.0 – carburado, é verdade, mas ainda assim um propulsor mais potente e moderno que o CHT, com comando no cabeçote e não no bloco, carburador 2E e 105 cv com gasolina.

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Marcio Fujii, o proprietário, diz que já comprou o carro com o swap e a caracterização – sem dúvida as partes mais difíceis de um projeto como este. A caracterização foi bem feita, com os para-choques pintados na cor da carroceria e os devidos “borrachões”; faróis auxiliares e de neblina (originais Cibié); spoiler dianteiro, saias laterais e asa traseira originais; teto solar Webasto de época; e até mesmo as rodas originais de 14 polegadas. A suspensão recebeu ajustes para ficar um pouco mais baixa e mais firme.

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O toque pessoal de Fujii são as faixas em degradê no capô e os letreiros “RS1600i” nas laterais, que são meramente decorativos – uma homenagem à versão esportiva que o Escort Mk3 só teve na Europa e serviu de inspiração para a versão brasileira.

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Além do motor AP 2.0, o Escort “XR3” de Fujii veio com o câmbio de cinco marchas com relações mais longas usado pelo Escort XR3 a partir de 1993. Ele comenta que o carro é muito mais esperto que um XR3 CHT original. Fujii também diz, de um ano para cá, fez no carro diversos serviços a fim torná-lo confiável e até mesmo apto a rodar no dia a dia: troca de embreagem, alinhamento, pneus novos e uma revisão elétrica.

Por dentro o carro recebeu os revestimentos de porta originais do XR3 e os bancos Recaro adotados a partir de 1991. Também foi equipado com um volante OMP.

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Fujii diz que este não é um carro de colecionador, e reforça: apesar da aparência, o carro não é um XR3 de fábrica. Ele observa que não se trata de um automóvel para colecionadores, e há de fato alguns detalhes a acertar: checar o câmbio, que apresenta dificuldade nos engates da primeira marcha e da ré; retocar a pintura na cor Vermelho Sunburst), que tem algumas imperfeições no teto e no capô; e instalar o cabo do velocímetro – atualmente o marcador de velocidade não funciona.

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Feitas as observações, o preço do carro está interessante considerando seu estado de conservação e todos os acessórios instalados – para quem só quer um carro estiloso e divertido de andar, e não se importa com o fato de este não ser um autêntico XR3.

Se você ficou interessado, basta clicar aqui para acessar o anúncio e pegar os contatos.

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“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios do GT40.com.br de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios nem pelas negociações decorrentes – todos os detalhes devem ser apurados atenciosamente com o anunciante!

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