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Este holandês dirigiu dos EUA até o Brasil só para assistir à Copa do Mundo

A Copa do Mundo é uma daquelas épocas do ano (no caso, de quatro em quatro anos) em que personagens excêntricos de todos os cantos do planeta conseguem seus 15 minutos de fama. O terapeuta holandês Ben Oude Kamphuis é um destes personagens: ele dirigiu por 22 mil km de sua casa na Califórnia até Salvador, na Bahia, para ver a seleção de seu país jogar. Uma road trip de 22.000 km? Esse cara é dos nossos!

Kamphuis já vive nos EUA há 27 anos, mas jamais deixou de torcer pela seleção de seu país — e, como todos os holandeses, ficou decepcionado quando a Holanda perdeu a taça para a Espanha na final em 2010. Foi depois da derrota por 1×0 que ele decidiu que viria para o Brasil em 2014  “para ver a Holanda campeã”. Ele poderia pegar um avião e descansar por algumas horas, mas decidiu atravessar 12 países em uma picape Chevrolet 1955.

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A picape começou a ser personalizada há dois anos. Kamphuis a pintou de laranja e a apelidou de “Laranja Mecânica” — que também é o apelido da seleção holandesa por causa da cor dos uniformes e da força de seu futebol. Além disso, o carro recebeu alguns, digamos, itens de decoração — placas, cornetas, bolas, camisas — , e até um “quarto” na caçamba, com cama e um espaço para guardar os objetos pessoais — entre eles, uma bandeira do Ajax, seu time do coração. Tudo para economizar com hospedagens.

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O “quarto” de Kamphuis na caçamba da picape Chevy

A carroceria também traz as marcas das mãos das crianças que Kamphuis atende em seu trabalho como terapeuta, e boa parte dos objetos que ele trouxe foram presentes dos habitantes dos países por onde ele passou — Estados Unidos, México, Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru e Brasil. No caminho, vestindo seu terno laranja, ele parou para dar palestras voluntárias em escolas contra o racismo e a discriminação.

Ele não tem os ingressos para assistir ao jogo, mas diz que isto não é problema. Ele diz que esta é uma viagem para celebrar a vida (seu aniversário de 53 anos é no próximo sábado, dia 14), e que a experiência adquirida nestes quase seis meses na estrada supera qualquer partida de futebol. Ele só reclamou das condições das estradas na América do Sul e do preço da gasolina brasileira. Kamphuis conta que em alguns trechos mais críticos, mal passava dos 10 km/h e que um percurso que deveria durar oito horas demorava três dias (ao menos ele já foi se acostumando com a ideia pelo caminho…). E a gasolina, bem, foi responsável por consumir quase todo o orçamento.

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Depois da estreia da Holanda, que joga hoje contra a Espanha, Kamphuis vai para São Paulo para acompanhar a partida contra o Chile no dia 23. Ele não vai assistir ao jogo no dia 18, contra a Austrália, em Porto Alegre. Mas para ele, já é o suficiente. Quando a Copa terminar, o holandês vai mandar seu carro de navio e voltar de avião para os EUA — certamente, cheio de histórias para contar.

[ Fotos: Folhapress ] 

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