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Este Lada Laika com motor de Nissan Silvia com 400 cv é a definição soviética para sleeper

Quando as importações de automóveis no Brasil foram reabertas, em 1990, o Lada Laika foi o primeiro a chegar. Ele não era exatamente o que o público esperava de um carro importado: o projeto era dos anos 1960 (ele é baseado no Fiat 124 de 1966) e não tinha nada que um carro brasileiro não tivesse — exceto pelos limpadores de farois, usados para remover a neve que não temos. O motor 1.5 carburado de 72 cv também não era muito adequado aos anos 1990. Ou seja, se você quisesse potência, seria melhor fazer como o dono deste Lada Laika SW e transformar o carro em um sleeper com motor de Nissan Silvia preparado.

O nome do camarada que criou este carro é Sergio Kotsalḗs, e ele provavelmente não teve tantos problemas para encontrar um Lada 2104 (que é como a versão perua do Laika é chamada na Rússia) em bom estado — afinal, diferentemente daqui, onde os Laika estão se tornando itens de colecionador (quem diria?), na antiga União Soviética eles são tão numerosos quanto o Fusca aqui no Brasil.

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E os entusiastas russos não têm tanto orgulho do Laika — apesar da tração traseira, da robustez mecânica e do motor 1.6 razoavelmente potente (para um carro popular, claro), o modelo é quase uma piada entre os fãs de carros. O que deve ter tornado a ideia ainda mais interessante para Sergio — especialmente quando vemos o carro em ação, como neste vídeo breve, porém intenso, que também mostra os detalhes do projeto. Saca só:

Repare nos comerciais brasileiros do Lada Laika na introdução do vídeo

Como contam os caras do Speednation.tv, que produziu o vídeo, Sergio decidiu transformar este Lada 2104 fabricado em 1984 em um sleeper. Ele começou a preparar o carro para receber a cavalaria extra antes mesmo de decidir qual motor colocaria no cofre, aplicando reforços estruturais, livrando-se de elementos que só acrescentavam peso e instalando uma discreta gaiola de proteção completa.

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Talvez Sergio tenha enxergado em seu Lada alguma semelhança com os carros japoneses, pois sua escolha veio direto da Terra do Sol Nascente. A ideia inicial era instalar o seis-em-linha biturbo de 2,6 litros e 280 cv do Nissan Skyline GT-R, o famoso RB26DETT. Contudo, estes são motores caros e fisicamente bem maiores que o quatro-cilindros de 1,6 litro do Lada — além de custar uma fortuna, o swap daria muito mais trabalho, pois o cofre e a estrutura do carro soviético teriam que passar por diversas adaptações.

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Por isso, Sergio acabou escolhendo um motor mais barato, mais fácil de encontrar e menor — o SR20DETT, encontrado em esportivos japoneses icônicos como o Silvia, o 180SX e o clássico hot hatch Pulsar GTi-R. Com construção toda em alumínio, comando duplo no cabeçote e um turbocompressor Garrett T28 operando a 0,5 bar, o motor originalmente entregava 220 cv e era acoplado a uma caixa manual de cinco marchas. Sem dúvida já seria o bastante para garantir a diversão proporcionada pelo Lada, mas Sérgio não se contentou.

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O SR20DET debaixo do capô do Lada Laika 1984 agora entrega 400 cv graças a um aumento de pressão no turbo para 1,9 bar, acompanhado de novos pistões Ross Racing e bielas SCAT, corpo de borboleta de 72mm, bomba de combustível da Wasbro, injetores Nismo de alta vazão, junta do cabeçote da Cosworth e comandos de válvulas Tomei com graduação mais agressiva. Além disso, o motor recebeu novas camisas de cilindro, filtro de ar HKS, cárter da GReddy e, um enorme intercooler e um novo sistema de escape, menos restritivo, feito sob medida.

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O motor, porém, não foi a única coisa que veio de um esportivo da Nissan: um 200SX forneceu a transmissão manual de cinco marchas, o diferencial e a embreagem, além de alguns componentes da suspensão (que foram complementados por amortecedores do tipo coilover da StillWay na dianteira e HKS na traseira) e do sistema de freios. As rodas são de 15×7 polegadas, enquanto os pneus são um par de Bridgestone Potenza de medidas 195/50 na dianteira, e dois Toyo Proxes R888, também 195/50, na traseira.

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Até mesmo o painel de instrumentos veio de um Silvia — e não falamos apenas do quadro, o que causa um contraste bem inusitado com o resto do carro — as linhas limpas típicas do fim dos anos 90, os instrumentos aftermarket, o som Pioneer, o volante Nismo são elementos modernos em meio à simplicidade do acabamento original nas portas e bancos. Ao menos há a gaiola de proteção para equilibrar a estética da coisa, e o resultado pode não ser palatável a todo mundo em um primeiro momento, mas temos a impressão de que tudo melhora com o tempo.

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Evidência disso é o desempenho do clássico socialista: que tal o-100 km/h em 4,6 segundos, 0-160 km/h em 8,59 segundos e quarto-de-milha (402 metros) em 12,209 segundos? Está bom para você, camarada?

O mais legal é que, olhando por fora mal se vê a gaiola de proteção, enquanto a impressão geral é a de um Lada Laika bem conservado, restaurado e com um tombo na suspensão. Não é um visual exatamente recatado, mas também não há nada que denuncie que há o coração de um Nissan Silvia naquele cofre. A seu modo, trata-se de um belo sleeper, e a gente adoraria dar umas aceleradas nesta perua russa.

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