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Este Lincoln Continental feito de papelão é uma homenagem impressionante a um carro de verdade

O sonho fundamental de qualquer entusiasta é construir um carro. Quantos de nós não sonhamos com isto quando éramos crianças? Claro, nem todo mundo acaba se tornando um designer automotivo — ter talento para o desenho é só o começo —, mas existem outras formas de se construir um automóvel. Usando materiais alternativos com o papelão, por exemplo.

Aqui mesmo no FlatOut temos um exemplo: o Project Car #118 é um Dodge Charger feito de papelão e fibra de vidro — e já está bem adiantado, caso você não lembre. No entanto, o que vamos mostrar hoje é um carro de papelão. É até difícil de acreditar.

O carro foi feito pela artista americana Shannon Goff. Nascida e criada em Detroit, a escultora cresceu rodeada pelo melhor do metal americano. E não estamos falando do Metallica ou do Cannibal Corpse, mas sim dos clássicos americanos — barcas com motor V8, picapes com motor V8 e muscle cars com motor V8.

Toma aí, dez minutos de música mecânica gratuita

Em 1979, quando Shannon tinha cinco anos de idade, seu avô comprou um Lincoln Continental Mark V. O Continental é o modelo mais emblemático da Lincoln. Ele foi o primeiro modelo de luxo da marca, lançado em 1939, e permaneceu nesta posição por 49 anos e nove gerações — de 1939 a 1948, pulando a Segunda Guerra Mundial; e de 1956 a 2002.

A décima geração, que deverá ser baseada em um conceito apresentado no Salão de Nova York 2015 (que era estranhamente parecido com um Bentley), está prevista para começar a ser produzida no ano que vem, como modelo 2017. Será uma volta histórica depois de 15 anos, visto que o Continental é um verdadeiro ícone entre os luxuosos land yachts americanos.

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A quinta geração do Continental marca a transição entre as linhas voluptuosas dos carros americanos da década de 70 e as formas retilíneas dos anos 80. Mecanicamente, o carro é praticamente um Ford Galaxie de segunda geração com outra carroceria. Os motores eram dois: um V8 Cleveland de 6,6 litros (400 pol³) e 370 cv; e um V8 385-Series, que tinha este nome por causa do curso dos pistões, de 3,85” (97 mm) e deslocava 7,5 litros (460 pol³).

O carro do avô de Shannon era turquesa com teto de vinil branco, e o interior combinava com a carroceria — bons tempos de interiores monocromáticos, não? O carro também tinha um relógio Cartier no painel, opcional que talvez seja ainda mais cobiçado hoje em dia do que na época. Shannon só tem boas lembranças dos passeios no banco de trás, quando tinha cinco anos de idade. “Era um carro feito para pegar a estrada”, ela disse ao site Design Boom. “Andar no Mark V conjurava a sensação de flutuar em uma nuvem”.

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Esta metáfora combina bem com a escultura. Apesar de ser uma reprodução em tamanho natural (são 5,9 metros de comprimento, dois metros de largura e 1,4 metro de altura), certamente o Lincoln Continental Mark V de papelão de Shannon Goff é bem mais leve. Segundo ela, o carro é “uma metáfora para a complexidade da vida americana em geral”, além de sua própria experiência crescendo em Detroit.

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A fidelidade da reprodução são impressionantes. Shannon se deu ao trabalho de usar o papelão para recriar dezenas de detalhes, com o os raios das rodas, os filetes da grade e os instrumentos no interior. É até possível alterar a posição das saídas de ar no painel, e o volante é texturizado como a peça de verdade.

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Para ficar ainda mais fiel, só faltaram as cores. Shannon até pensou em pintar o carro nas mesmas cores do Lincoln de seu avô, mas no fim decidiu manter a cor branca — que também inspirou o nome da obra: Miles to Empty (algo como “Milhas para o Vazio”. O carro está exposto na Susanne Hillberry Gallery, em Ferndale, Michigan, e continuará lá até o dia 14 de novembro.

Pensando bem, não são apenas as cores que faltam: que tal um motor de papel?

Só precisa de mais deslocamento… e dois cilindros extras

[ Sugestão do leitor André Corrêa ]

 

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