Edição diária: 16/06/2019
FlatOut!
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Car Culture Sessão da manhã

Este Nissan Skyline GT-R R34 de 1.000 cv só podia ter vindo da Austrália

Ah, a Austrália! Se você não for o Crocodilo Dundee, provavelmente vai querer passar longe daquela ilha gigantesca com mais animais peçonhentos por metro quadrado do que o tolerável por qualquer ser humano normal. Ao menos é o que dizem. Mas nem tudo que quer te matar na Austrália é um animal. Às vezes, os australianos também fazem carros com potencial assassino — como este Skyline GT-R R34 amarelo que tem nada menos que 1.000 cv em seu seis-em-linha turbinado.

Pois é, na Austrália não encontramos apenas muscle cars endêmicos, como o Ford Falcon (ou Félcon, em “australianês”) e o Holden Commodore; ou as onipresentes Utes: a Austrália também é cheia de carros japoneses. E você já deve ter notado que os carros australianos, como os nipônicos, usam a mão inglesa. Tudo faz sentido: apesar de serem países bem diferentes, Austrália e Japão são quase vizinhos, e boa parte dos carros que circulam pelas ruas australianas é importada da Terra do Sol Nascente. Isto inclui os idolatrados esportivos japoneses, claro.

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Foto: MJ Digital

Então, fica a dica: se quer ver legítimos representantes da cena JDM mas o choque cultural com o Japão for demais para você, vá para a Austrália. Talvez você até tope com este R34 amarelo batizado como “Nitto”.

O carro foi montado pela Mercury Motorsport, preparadora de Brisbane, na costa leste da Austrália. Sua missão é simples: promover o trabalho da Mercury arrepiando nos quartos-de-milha: ele cumpre os 402 metros em 9,6 segundos a 257 km/h. E continua sendo totalmente legalizado para as ruas.

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Como você já deve saber se acompanha o FlatOut e curte carros, o GT-R R34 era movido por um seis-em-linha de 2,6 litros com dois turbos chamado RB26DETT. Sua potência, como a de todo esportivo japonês dos anos 90, era declarada em 280 cv por causa de um acordo não-oficial entre as fabricantes de automóveis. Na prática, ficava na casa dos 300 cv. E havia potencial para muito mais: como o 2JZ-GTE do Toyota Supra (outro seis-em-linha biturbo), o motor do Skyline GT-R era feito para suportar muito mais potência, e não é incomum ouvirmos falar motores preparados para render 400 ou 500 cv sem a necessidade de trocar os componentes internos por outros, mais reforçados.

Talvez (só talvez) isto seja um pouco de exagero propagado por fãs dos esportivos japoneses, claro. Mas é fato que estes motores foram feitos para serem preparados e realmente são capazes de atingir números impressionantes.

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Como conta o site The Lowdown, especializado na car culture australiana, o Skyline Nitto é o “mascote” da Mercury Motorsport há anos — antes mesmo de os atuais donos, Trent e Tessa Whyte, comprarem o lugar. O proprietário anterior era cliente da preparadora e, em 2009, os Whyte compraram o carro.

O carro já era preparado, na época. O motor era um seis-em-linha com deslocamento ampliado para 2,8 litros com um turbocompressor HKS T04Z em vez dos dois caracóis originais. Tessa e Trent trocaram o turbo por um gigantesco Garrett GT45R e não demorou para que a potência subisse para mais de 940 cv. Nas quatro rodas.

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A partir daí, o carro foi quase que uma cobaia para algumas configurações mecânicas diferentes. O motor foi substituído por outro seis-em-linha, desta vez de 2,7 litros, preparado pela companhia australiana Nitto Performance Engineering, especializada em componentes mecânicos de alto rendimento e resistência, como cabeçotes, pistões e bielas. E não, não tem nada a ver com a fabricante de pneus Nitto Tire.

Com um turbocompressor ainda maior — um Garrett GT47R —, a potência do GT-R passou a 1.100 cv nas rodas. “A partir daí, decidimos partir para uma abordagem mais apropriada para as ruas”, comenta Tessa. “Usamos o carro como plataforma de testes e experimentamos várias combinações de turbo/válvula wastegate/coletores em um RB26DETT original. Terminamos com 850 cv nas quatro rodas, queimando etanol E85″.

A próxima transformação no carro, realizada em 2013 foi motivada por um problema na bomba de combustível. Mais uma vez o carro ganhou um novo motor — um híbrido do bloco do seis-em-linha de três litros RB30 com kit stroker para 3,2 litros, mais o cabeçote de um RB26DETT com novas válvulas e comandos. Tudo isto sobrealimentado por um turbocompressor Precision 7675.

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Foto: MJ Digital

Além disso, há diversos outros componentes mecânicos de primeira linha: comandos feitos sob medida, coletor de escape de inox da 6Boost, intercooler Trust, filtro de ar K&N, módulo de controle Haltech Platinum Pro, quatro bombas de combustível Bosch 044, regulador de pressão Turbosmart e injetores Injector Dynamics.

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Foto: MJ Digital

Finalizando, no porta-malas há dois cilindros de óxido nitroso da ZEX que foram acomodados, mas não instalados. Por uma simples razão: sem eles, o motor já entrega exatos 1.087,6 cv (1.072,8 hp) nas rodas. Como dissemos no início deste post, é o bastante para cumprir o quarto-de-milha em 9,6 segundos a 257 km/h. Vê-lo em ação é assustador.

Como se não bastasse, ainda é um carro muito bonito: equipado com o body kit do R34 Z-Tune (leia mais sobre ele aqui) e pintado de amarelo “Lightning Yellow” com rodas Advan RZDF de 20×10,5″ quando rodando nas ruas, o Skyline Nitto quase consegue disfarçar a preparação pesada a que foi submetido. Mas ainda parece bem rápido.

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E ainda é relativamente confortável: o interior tem bancos concha Bride Brix II forrados com couro, ar-condicionado e sistema de som com DVD. O painel digital da Haltech complementa as informações do cluster OEM da Nismo. Trent e Tessa não usam o carro diariamente, mas vez ou outra saem com ele para um passeio. Deve ser difícil resistir à sensação de acelerá-lo até o limite.

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