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Achados meio perdidos

Este Opel Manta Rallye tem coração brasileiro e está à venda

Não são poucos os entusiastas que lamentam o fato de não existirem mais clássicos europeus dos anos 1960, 70 e 80 no Brasil — claro, muitos de nossos modelos (até meados da década de 1990, na verdade) são versões de carros europeus, mas muitos carros que fizeram história no Velho Mundo jamais deram as caras por aqui oficialmente. É por isso que quando uma raridade como este Opel Manta Rallye 1972 aparece à venda no Brasil, muita gente fica babando.

O Opel Manta foi um cupê esportivo cuja primeira geração foi apresentada na Europa em 1970. Ao seu lado, a Opel mostrou também o Opel Ascona — modelo familiar que, em 1981, chegaria a sua terceira geração e daria origem ao nosso Chevrolet Monza. Ambos utilizavam a mesma plataforma de motor dianteiro longitudinal e tração traseira — eram, em essência, o mesmo carro com duas carrocerias diferentes. O Manta chegou ao mercado em setembro e o Ascona, em outubro do mesmo ano.

Enquanto o Ascona era oferecido como sedã e perua, o Manta era um elegante cupê com três volumes bem definidos, frente baixa com quatro faróis e quatro lanternas redondas na traseira — estas, vindas do Opel GT, o primeiro esportivo da divisão alemã da GM. O Manta chegou meses antes do Ascona para preencher um nicho importante que, na época, era preenchido apenas pelo Ford Capri.

Além do visual elegante, o Manta tinha motores robustos e confiáveis, de 1,6 e 1,9 litro, ambos da família CIH de motores da Opel, que traziam as válvulas ao lado do comando no cabeçote. O primeiro entregava 60 ou 75 cv dependendo da configuração, enquanto o 1.9 (basicamente um motor 1.6 com diâmetro dos cilindros ampliado) podia ter 95 cv (versão com carburador, chamada 19S) ou 106 cv (com injeção mecânica, lançado no Opel Manta GT/E em 1974, primeiro a ter uma versão injetada do motor CIH). Parece pouco para um cupê esportivo, mas 106 cv eram suficientes para levar o Manta GT/E aos 100 km/h em 8,5 segundos.

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O Manta também foi vendido nos EUA e, em 1971 e 1974, teve uma versão diferenciada chamada Rallye. Com visual decorado por faixas pretas nas laterais, capô preto e luzes de neblina, o Rallye era equipado com o motor 1.9 de 106 cv e trazia, de série, suspensão mais baixa e firme, diâmetro de giro menor e suspensão com calibragem bastante agressiva e barra estabilizadora na traseira. O comportamento dinâmico do Manta era reconhecidamente um dos melhores da categoria.

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A partir de 1974, o visual elegante do Manta americano foi maculado por uma nova lei que determinava que os para-choques de todos os carros deveriam imepedi-los de sofrer qualquer tipo de dano. Isto forçou as fabricantes a adotarem para-choques maiores, com amortecedores, que quase sempre acabavam com a harmonia do design de qualquer carro. Com o Manta não foi diferente…

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Mas não se preocupe: o Manta que encontramos à venda em São Paulo, felizmente, foi fabricado antes de esta lei entrar em vigor — em 1972. Trata-se de um Opel Manta Rallye verde que está com o mesmo proprietário desde 2011. Talvez você lembre já apareceu anunciado na internet antes — naquele mesmo 2011. O carro já havia sido restaurado, mas o atual proprietário disse que realizou diversas melhorias e reparos desde então.

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Visualmente o carro teve o capô lixado e repintado, e o interior teve a tapeçaria toda refeita. Os freios receberam uma bela revisão, com um novo cilindro mestre traseiro importado da Europa, e o motor teve carburador trocado, válvulas reguladas. Motor e câmbio tiveram o óleo trocado, e a parte elétrica foi toda refeita — colocando, ainda, os mostradores auxiliares (vacuômetro, medidor de pressão do óleo e voltímetro).

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O detalhe é que o motor em questão não é o 1,9-litro 19E original do carro, e sim um motor de Opala, o conhecido quatro-cilindros de 151pol³ (2,5 litros). O proprietário garante que o motor está em pleno funcionamento, bem como toda a parte mecânica e elétrica do carro.

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Tecnicamente, o swap não representa  uma fuga muito grande das origens, ao menos na árvore genealógica: apesar de ter sido projetado nos EUA, o motor 2.5 equipava um carro brasileiro derivado de um Opel, o Rekord C. Assim fica quase tudo em casa – com um detalhe: na Europa, o Rekord cupê teve uma versão esportiva chamada Sprint, que era equipada exatamente com o motor 19E do Opel Rallye, de 106 cv. Isto também ajuda a explicar o fato de o motor 151 parecer ter nascido para o cofre do Manta.

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Ainda que seja menos potente do que o original (são 80 cv) o motor 151 é robusto e torcudo o bastante (18 mkgf a 2.600 rpm) para não deixar o Manta, que pesa 970 kg originalmente, decepcionar no desempenho.

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O proprietário também garante que o carro está em perfeitas condições de uso e que o novo dono não terá preocupação alguma como carro além de curti-lo. Ele acrescenta que vai com o Manta a diversos eventos e que o carro é muito fotografado por ser exótico no país e estar muito bonito.

E qual é o valor da raridade? R$ 60 mil. É alto, mas existem Opalas em estado de conservação semelhante chegando perto deste valor, e eles nem de longe são tão raros por aqui. Talvez você imagine que o motor de Opala desvalorize o carro, mas sua instalação certamente não representa uma fuga muito grande da família — ainda mais para um carro que tem praticamente todos os outros aspectos originais e aparenta estar muito íntegro.

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Além disso, dependendo de sua disposição (e do seu orçamento), você certamente poderia aproveitar as qualidades dinâmicas do Manta e transformá-lo em um projeto ainda melhor, equipado talvez com um motor da Família II da Chevrolet – imaginou um Manta com um motor 2.2 16v do Vectra, ou até mesmo o C20XE de um GSi?

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Ou você poderia mantê-lo como está e curti-lo por aí. Que tal? Se você curtiu o carro pode enviar um email para [email protected] ou ligar para (11) 9 9117 1717.


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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