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Achados meio perdidos GT40 Classificados Zero a 300

Este VW Passat “Iraque” em fase final de restauração está à venda. E aí, encara?

O Passat foi o grande responsável pela revolução do arrefecimento a água na linha da Volkswagen, e foi um dos grandes sucessos da companhia alemã no mundo todo – no Brasil, inclusive, onde a primeira geração foi vendida entre 1974 e 1988 e teve várias versões diferentes. Uma das mais interessantes é, sem dúvida, o Passat LSE de quatro portas, conhecido como “Passat Iraque”. Feito para exportação, é um carro mais raro e bem acabado, equipado com motor de 1,6 litro. Não é fácil encontrar um exemplar original e bem cuidado como este que encontramos no GT40.

O Passat fabricado no Brasil foi exportado para outros países já nos anos 1970, e foi assim até meados da década de 1980. Àquela altura o Passat já havia sido reestilizado duas vezes e tinha para-choques envolventes de plástico e acabamento mais refinado no interior.

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Um dos mercados que compravam o Passat brasileiro era o Iraque, que recebia uma versão de quatro portas com carroceria em cores vibrantes e revestimento de veludo no interior (que podia ser cinza ou bordô), além do motor MD-270, uma versão anterior ao AP-600, acoplado a uma caixa manual de quatro marchas. Era um conjunto diferente que, no princípio, não seria disponibilizado no Brasil.

No entanto, em 1986, a exportação foi interrompida por um pedido da Petrobrás. Explicamos: a Volks entregava os carros para o Iraque, e o governo de lá pagava em barris de petróleo. A VW então vendia o petróleo à Petrobrás, que acabou ficando com um estoque excedente de petróleo e decidiu que não iria mais comprar o produto. Só que a Volkswagen já estava com carros prontos para mandar para o Iraque… e então decidiu vendê-los aqui, como uma série especial.

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Por mais que tivesse um motor antigo, aposentado no Brasil pouco tempo antes, o Passat apelidado como “Iraque” conquistou pela praticidade das quatro portas (o brasileiro começava a perder as reservas quanto a esta configuração de carroceria) e pelo nível de acabamento e equipamentos internos: os carros tinham carpete mais grosso, tecido melhor nos bancos, painel com conta-giros e relógio digital e ar-condicionado. Ok, não é muita coisa hoje em dia, mas era uma proposta interessante em 1986/1987.

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O carro que encontramos no GT40 pertence a Cláudio Pessoa, de São Bernardo do Campo/SP. Ele conta que comprou o Passat vermelho em 2009 e que, desde então, dedicou-se a restaurar o carro nos padrões originais. O resultado pode ser conferido nas fotos: um carro sem modificações de aparência, bastante inteiro e com diversos componentes novos.

Cláudio conta que nos últimos oito anos realizou muitos serviços no Passat: revisão completa da suspensão, comtroca de amortecedores e molas, bandejas, buchas e pontas de eixo; uma reforma geral nos freios, com troca de discos, pastilhas, tambores, lonas e flexíveis; além da revisão do ar-condicionado e de toda a parte elétrica – o dono diz que, com exceção do sistema de ar quente, tudo funciona perfeitamente no carro. Cláudio deixa claro que apenas o motor não foi retificado em suas mãos, mas teve cárter, junta do cárter, correias, retentores, tensores, bomba d’água, cabos e velas trocados, assim como um o abafador do sistema de escape.

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Segundo o proprietário, o carro também recebeu atenção do lado de dentro: volante, manopla de câmbio e capas dos pedais foram trocados por peças novas e originais. Já os bancos foram refeitos pelo dono anterior – são bancos de Gol G3 com revestimento em veludo bordô semelhante ao original. Cláudio diz que pretendia trocar os bancos por peças de época, compatíveis com o ano de fabricação do Passat, e chegou inclusive a adquirir um lote do tecido original. No entanto, o trabalho ainda não foi realizado e o tecido está disponível para ser comprado à parte.

Outros componentes de acabamento, como carpete, revestimentos de porta e acabamentos internos sobressalentes acompanham e estão inclusos no preço.

Isto dito, não estamos olhando para um carro pronto. Cláudio diz que o carro precisa de uma boa pintura e também de alguns serviços de funilaria – no geral a estrutura é sólida, mas há alguns pontos de corrosão na base das portas e no pé de um dos para-lamas do lado do motorista que merecem atenção mais urgente.

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Por outro lado, boa parte dos serviços mais difícieis (especialmente a questão do revestimento interno) já foi realizada, o que pode encorajar quem busca um clássico para gastar um pouco de tempo e dinheiro.

Se você ficou interessado, pode clicar aqui para acessar o anúncio e entrar em contato com o dono!

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“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios do GT40.com.br de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios nem pelas negociações decorrentes – todos os detalhes devem ser apurados atenciosamente com o anunciante!

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