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Achados meio perdidos

Este Peugeot 106 Quiksilver é quase um GTI — e ele está à venda

Recentemente nossa sessão Achados Meio Perdidos foi invadida por hot hatches franceses: nos últimos dias tivemos um Citroën AX GTi e um Peugeot 306 S16. O carro de hoje segue nesta tendência, mas este é um hot hatch francês feito sob medida: um Peugeot 106 Quiksilver com motor 1.6 16v.

Lançado em 1991, o Peugeot 106 foi posicionado abaixo do 205 como carro de entrada da marca francesa. Ele era derivado do Citroën AX — utilizava uma evolução de sua plataforma, com reforços estruturais e outras modificações para tornar-se mais segura e, assim como o AX e o 205, tinha suspensão McPherson na dianteira e barra de torção na traseira.

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Com entre-eixos curto e baixo peso (cerca de 800 kg), mesmo os carros trazidos para o Brasil a partir de 1994 — em sua maioria, dotados de um motor 1.0 8v de 50 cv — podem ser divertidos de guiar apesar da pouca potência (umas poucas unidades com motor 1.4 de 75 cv chegaram em 1992, mas estas são mais difíceis de encontrar). Em 1997 o Peugeot 106 foi reestilizado e ganhou novos capô, faróis e para-choques — e é este o visual mais conhecido do 106 no Brasil.

Três anos depois, em 2000, foi lançada a série especial Quiksilver, fruto da parceria da Peugeot com a grife de surfwear australiana. Disponível apenas na cor prata, o Peugeot 106 Quiksilver tinha forração dos bancos exclusiva, emblemas Quiksilver e o mais interessante: o bodykit do Peugeot 106 GTI europeu, com para-choques exclusivos dotados de faróis auxiliares e moduras nos para-lamas.

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Contudo, o motor ainda era o mesmo 1.0 de 50 cv, responsável por levar o carro de 0 a 100 km/h em 17,5 segundos com máxima de 145 km/h — não era o que se pode chamar de esportivo, bem diferente do GTI com quem compartilhava o visual. O GTI era dotado de um motor 1.6 de 16 válvulas denominado TU5 (que também foi usado no Citröen C2 VTS), e seus 120 cv e 14,7 mkgf de torque eram suficientes para garantir um 0 a 100 km/h em 8,7 segundos, com máxima de 205 km/h.

Sendo assim, o carro das fotos é uma espécie de GTI do-it-yourself: um Quiksilver, que usa o bodykit do GTI, equipado com o motor 1.6 16 válvulas — que, no Brasil, foi oferecido em modelos como o Peugeot 206 e o Citroën Xsara. O carro está anunciado no site Dragster Brasil, e seu dono Vinicius Ficarelli conta que o engine swap foi só uma das várias modificações.

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O motor recebeu um comando de válvulas do Citroën AX GTI, carro do qual também herdou o sistema de suspensão completo — amortecedores e molas dianteiros, que foram recalibrados para menor altura e mais rigidez, e as barras de torção mais firmes da traseira (a Peugeot deixou a suspensão do 106 mais alta e macia para que o carro se adaptasse melhor ao asfalto brasileiro). Também foram instaladas barras estabilizadoras e anti-torção.

O cabeçote foi retrabalhado pela Oficina MK, em São Paulo (que cuida do Peugeot 106 do Bruno Guerreiro e que montou o carro de Vinícius) e o coletor de admissão veio do 106 GTI, enquanto a alimentação fica por conta de um sistema FuelTech. O câmbio agora tem alavanca de engate rápido — também feita pela Oficina MK. A seguir, a ficha técnica completa do carro:

Peugeot 106 Quiksilver 00/01
Swap 1.6 16v (hoje o motor tem aproximadamente 40 mil km, pois antes de montar ele foi feito)
Coletor 4x2x1
Coletor de admissão de 106 GTI
Tbi de 106 GTI
Comando de AX GTI
Cabeçote levemente trabalhado (Oficina MK)
Filtro Bmc com intake
Bicos originais retrabalhados
Bomba externa GTI 8
Catch Tank
Polias reguláveis
Volante do motor aliviado
Short shifter no cambio (Oficina MK)
Injeção fueltech ft300
Disco nas 4 de 206 1.6 – dianteiros 266mm/ traseiros 247mm
Suspensão completa de AX GTI
Barras anti torção superior
Barra estabilizadora com buchas de Pu Powerflex
Buchas de Pu Powerflex nas bandejas
Direção hidráulica de 206
Rodas aro 15 de Xsara VTS com pneus 195/50 Kumho.”

O carro passou por uma revisão completa na Oficina MK há aproximadamente um mês, e foram trocados cabos de vela, fluidos e outros componentes básicos. Contudo, o anúncio também traz algumas observações, que foram comentadas por Vinícius: a pintura está com alguns detalhes a fazer (queimaduras e pequenos riscos), dois pneus precisam ser trocados em breve e há um pequeno vazamento de óleo no câmbio, que também precisa de novas varetas para o trambulador.

Há de se contar pontos pela honestidade do anúncio, e Vinícius diz que estes pequenos contratempos não comprometem em nada sua relação com o carro e o prazer que ele proporciona, tanto nas ruas quanto em track days. Aliás, o carro só está à venda por “motivos de força maior”, pois sua vontade era ficar com ele.

Mas quanto custa? R$ 20.900. Um Quiksilver original em bom estado custa por volta de R$ 12.000, porém é preciso considerar o dinheiro, trabalho e tempo investidos na montagem do carro. Além disso, certamente o custo do projeto supera a diferença de preço entre este carro e um Quiksilver original. O que você acha?

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Você pode entrar em contato com Vinícius pelo email [email protected] ou pelo telefone 11 9 4168-0840.

[ Dragster Brasil/Sugestão de Bruno Guerreiro ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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