Edição diária: 16/06/2019
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Este Porsche 964 Martini Racing da RWB é um belo tributo ao Carrera RSR

O trabalho de Akira Nakai, da RAUH-Welt Begriff, pode até dividir opiniões. Mas algo é inegável: o cara escolhe bem suas influências. Como dissemos anteriormente, boa parte dos carros feitos por ele bebe diretamente na fonte do Porsche 911 GT2 Evo, da geração 993 – uma das versões mais insanas do nine-eleven, com para-lamas alargados e um motor boxer de 3,6 litros com turbo e 600 cv. Mas o que acontece quando Nakai acrescenta outros ingredientes à mistura?

Eis o que acontece: um Porsche 911 964 totalmente inspirado no Carrera RSR que, em 1973, venceu a Targa Florio usando as cores da Martini Racing – na versão com fundo prata, ainda por cima. Não precisamos dizer que ficou animal, precisamos?

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A verdade é que a inspiração no 993 GT2 Evo ainda está bem presente nos para-lamas alargados, no stance e na enorme asa traseira com dutos de ar para o motor. No entanto, quando se trata da pintura, Nakai prefere deixar a inspiração retrô de lado e apostar nas cores vibrantes e em seus próprios toques de personalização. Mas não desta vez: nada de verde-limão, cor de rosa ou roxo aqui.

O Porsche 911 Carrera RSR foi um especial de homologação para o Grupo 4 da FIA. Era baseado no Carrera RS, considerado por muitos entusiastas o mais clássico dos 911. O Carrera RS tinha suspensão mais rígida, a clássica asa traseira do tipo duck tail, freios e pneus maiores e para-lamas mais largos, e era movido por um flat-six de 2,7 litros com injeção mecânica Kugelfischer capaz de entregar 210 cv.

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No total, 1.580 exemplares do Carrera RS foram feitos para homologar o RSR, cuja principal diferença era o motor de três litros, capaz de entregar 300 cv. Ele também tinha paineis mais leves na carroceria e vidros mais finos (reduzindo seu peso para cerca de 900 kg, contra os cerca de 1.050 kg da versão de rua) e uma asa traseira maior. O interior, naturalmente, era aliviado, sem banco do carona, carpete ou itens de conforto. Era um carro de corrida, cazzo! Ele até tinha os freios do Porsche 917.

Na década de 1970, o Carrera RSR conseguiu bastante sucesso em provas de longa duração, como s 24 Horas de Nürburgring e Daytona, as 12 Horas de Sebring e a própria Targa Florio, que acontecia em um circuito formado por vias públicas nas montanhas da Sicília. O chamado Circuito Piccolo delle Madonie tinha 72 km e mais de 800 curvas.

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A Martini Racing foi uma dezenas de equipes particulares que compraram um 911 Carrera RSR em 1973, quando o carro de corrida foi apresentado. Em 13 de maio daquele ano, o suíço Herber Müller e o holandês Gijs van Lennep completaram as 11 voltas no Circuito Piccolo em 6h54m19s, tornando-se vencedores da Targa Florio com quase seis minutos de vantagem sobre o segundo colocado, o Lancia Stratos de Sandro Munari e Jean-Claude Andruet.

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A vitória de Müller e van Lennep na Targa Florio ajudou a fomentar a reputação do 911 como um dos carros esportivos e de corrida mais competentes já feitos, e certamente não foi à toa que Akira Nakai decidiu homenagear o carro deles. Claro, ele tem faróis com projetores, rodas taludas e um body kit muito mais agressivo, mas a homenagem valeu.

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De qualquer forma, não foi o primeiro 911 decorado com as cores da Martini Racing feito pela RWB. Este 993, que ficou concluido na segunda metade de 2015, também carrega as cores do Flatout da equipe, porém sem tantas referências retrô.

Foto: RWB/Brixton

Akira Nakai customizou o 993 com seu estilo característico, do qual você já conhece a receita – alargadores obscenos nos para-lamas, suspensão ajustável, novos para-choques e uma gigantesca asa traseira.

 

Depois, o carro foi enviado para Hong Kong, na China, onde foi envelopado pela Wrap Workz. As rodas são um jogo de Brixton Forged VL20, de 18×10,5” na dianteira e impressionantes 18×13” na traseira, pintadas na cor Trofeo Blue.

São duas interpretações diferentes sobre um mesmo tema, no fim das contas. Qual é sua favorita?

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