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Achados meio perdidos

Este Lotus Elan, raríssimo e bem cuidado, está à venda no Brasil

O senso comum entre boa parte dos entusiastas diz que um bom esportivo precisa ter tração traseira. A Lotus é um bom exemplo: a fabricante britânica, referência em comportamento dinâmico (tanto que, não raro, seus serviços de engenharia são contratados por outras fabricantes para “acertar” seus carros), só fez carros de tração traseira desde que foi fundada em 1952. Com exceção de um modelo: o Lotus Elan M100, na década de 1990 – nosso Achado Meio Perdido de hoje.

Existiu um Elan de tração traseira: o Lotus Elan de primeira geração, produzido entre 1962 e 1973. Ele foi o primeiro automóvel da companhia a usar um chassi do tipo espinha dorsal e carroceria de fibra de vidro na incessante busca de Colin Chapman pela leveza. O carro pesava apenas 726 kg com fluidos (688 kg sem eles) e, por isso, seu motor de 1,6 litro com comando duplo no cabeçote e 106 cv não sofria para movê-lo com desenvoltura.

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A ideia de reviver o Elan surgiu no início da década de 1980. Em 1984, a Lotus apresentou o M90, conceito com mecânica Toyota que muitos pensaram ser uma prévia do MR2. No entanto, a única coisa que M90 e MR2 compartilhavam era o motor, pois o visual era claramente diferente e o motor do M90 ficava na dianteira, e não atrás dos bancos. Mas, de fato, a dinâmica do MR2 foi aperfeiçoada com a ajuda da Lotus, o que pode ter ajudado a dar origem aos boatos.

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No fim das contas, o projeto foi cancelado por falta de recursos. Mas a missão de criar um esportivo barato permaneceu e, graças à compra da companhia pela General Motors em 1986, a Lotus finalmente se viu em condições favoráveis para lançar seu novo modelo de entrada. Àquela altura, um carro mais barato já era uma necessidade, pois a companhia não tinha nada mais acessível e moderno do que o cupê grand tourer Excel e o esportivo Esprit, de motor central-traseiro e preço mais elevado, para oferecer. A GM tinha dinheiro e tinha uma infinidade de componentes de prateleira que poderiam ser úteis para a Lotus.

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As setas dianteiras são as mesmas do McLaren F1

O trabalho de design, assinado por Peter Stevens, começou ainda em 1986. O projetista, que mais tarde viria a desenhar o McLaren F1, criou um roadster compacto, baixo e largo, com dianteira em formato de cunha e faróis escamoteáveis. As linhas gerais da carroceria eram retas, mas nem tanto – sinal de que os anos 1980 estavam mesmo acabando.

A versão de produção foi lançada em 1989, bem a tempo de concorrer com o recém-lançado Mazda MX-5 Miata, roadster japonês que era claramente influenciado pelos esportivos sem teto britânicos de antigamente. Incluindo o antigo Lotus Elan. O motor era um quatro-cilindros de 1,6 litro fornecido pela Isuzu, e podia ser naturalmente aspirado, com 132 cv, ou turbo, com 164 cv. No fim das contas, da produção total de 3.855 unidades do Elan entre 1989 e 1992, apenas 129 carros não são turbo.

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De início, a opção pela tração dianteira causou estranhamento nos fãs da Lotus. No entanto, a companhia justificou a escolha dizendo que, para o tamanho e peso do carro (3,8 m de comprimento, 1,73 m de largura, 1,23 m de altura, 2,25 m de entre-eixos e cerca de 1.000 kg), a tração dianteira trazia vantagens em aderência, tração e estabilidade nas curvas. Não era só discurso publicitário: testes da revista britânica Autocar realizados na época diziam que, em sua categoria, não havia carro mais veloz nas curvas do que o Elan. No entanto, outras publicações criticaram a previsibildiade do comportamento do carro, que não carregava a mesma vivacidade de um tração-traseira. De qualquer forma, o 0-100 km/h do modelo turbo era de 6,7 segundos – quase dois segundos mais rápido que os 8,5 segundos do Mazda.

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O Achado de hoje é um exemplar do Lotus Elan turbo, mas há um detalhe: trata-se de um modelo da Série 2, que teve apenas 800 unidades fabricadas entre junho de 1994 e setembro de 1995. Explicamos: em 1993, a GM vendeu a Lotus ao empresário italiano Romano Artioli (o mesmo que comprou a Bugatti na época). Pouco depois, foi descoberto um lote de motores sobressalentes, tornando possível a produção de uma série limitada e numerada do Elan. Nestes carros, o motor era um pouco menos potente, com 157 cv, devido à instalação de um catalisador.

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O carro pertence ao colecionador Fernando Bueno, que o comprou em meados de 2016. Com cerca de 32.000 km rodados, o carro está muito bem conservado e original – pintura, revestimentos e acabamentos são exatamente os que saíram da fábrica da Lotus, em Hethel, no Reino Unido, no ano de 1994. Os para-choques apresentam algumas marcas do uso mas, no geral, o aspecto do carro é muito bom por dentro e por fora.

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Mecanicamente, está tudo em ordem – uma revisão completa foi realizada há cerca de seis meses, com troca de fluidos e componentes como filtros, velas, cabos e correias. Na parte elétrica, a mesma coisa. Os pneus são novos, recém-comprados (para se ter ideia, ainda não foram instalados), assim como o sistema de escape.

Outro detalhe que merece atenção no carro é o para-brisa, que está trincado. Fernando avisa que já encontrou quem faça um para-brisa sob medida, a um valor relativamente acessível: R$ 850.

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No mais, trata-se de um carro bastante exclusivo, bem cuidado e garantidamente divertido de guiar. O valor pedido reflete a raridade e o estado de conservação: R$ 110 mil.


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial, tampouco de uma reportagem aprofundada. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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