Este raro Corcel II GT original e bem cuidado está à venda

Dalmo Hernandes 10 março, 2018 0
Este raro Corcel II GT original e bem cuidado está à venda

Hoje em dia a oferta de carros esportivos no Brasil tem opções nacionais e importadas, de diferentes segmentos, de hot hatches a muscle cars, em várias faixas de preço. Nos anos 80, porém, as coisas eram um pouco mais complicadas: com o mercado fechado, as fabricantes que produziam carros no Brasil tinha de ser criativas e aproveitar o que já tinham nas prateleiras para criar versões com apelo esportivo.

O Corcel II GT é um bom exemplo disto: ele foi a maneira que a Ford encontrou de oferecer um carro mais descolado com base em um sedã de família – que, refletindo as tendências da época, só estava disponível com carroceria de duas portas. É uma versão mais rara, e por isso decidimos que este Corcel II anunciado no GT40 é nosso Achado meio Perdido de hoje.

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O Corcel original foi lançado em 1968, fruto de um projeto conjunto entre a Ford e a Renault. No ano anterior a Ford havia comprado a Willys-Overland, que por sua vez já estava tocando o desenvolvimento do carro em parceria com a Renault. A versão francesa era o Renault 12, lançado em 1969 na Europa com uma carroceria diferente. É consenso geral que o Corcel era um carro mais bonito, com proporções mais agradáveis e harmônicas – especialmente na versão de duas portas, com a porção traseira do teto mais inclinada, quase fastback, e uma linha de cintura mais sinuosa.

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O Corcel II veio em 1977, nove anos depois, feito sobre a mesma plataforma. Embora as formas da carroceria sugerissem dimensões mais avantajadas, o novo Corcel era virtualmente do mesmo tamanho que o antigo: o comprimento virtualmente o mesmo, com 4,47 m (a diferença era de milímetros), enquanto e o entre-eixos tinha os mesmos 2,44 m da geração anterior. A largura, porém, passou de 1,62 m para 1,66 m – quatro centímetros que faziam diferença no visual e no espaço interno. O Corcel II tinha linhas retas e limpas, inspiradas pelos Ford europeus, como o Cortina de quarta geração, lançado em 1976; e o Granada de segunda geração, também apresentado em 1977. Ficou bem mais alinhado com as tendências estéticas do fim dos anos 70.

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O único motor disponível para o Corcel II nos primeiros anos era um quatro-cilindros de 1,4 litro com comando no bloco e 72 cv, de origem Renault – uma versão aperfeiçoada do motor do Corcel I. Seu desempenho era razoável: zero a 100 km/h em 17,2 segundos, com máxima de 150 km/h. As versões eram a mais simples L, a luxuosa LDO e o Corcel GT, que fazia o papel de esportivo da linha, com pintura em dois tons (a parte superior da carroceria era sempre preta) e rodas pretas com sobre-aros cromados.

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Dito isto, o motor 1.4 tinha apenas 4 cv a mais, chegando aos 76 cv. O câmbio manual de quatro marchas era o mesmo de todas as versões. Foi apenas em 1979 que o Corcel II GT adotou o motor de 1,6 litro – a Ford ampliou o diâmetro dos cilindros de 75,3 mm para 77 mm, enquanto o curso dos pistões foi de 77 mm para 83,5 mm. O resultado foi um aumento de 76 cv para 90 cv. Além disso, o visual do carro mudou: a pintura preta agora ia para a parte inferior do carro.

O Corcel II GT que está anunciado no GT40 é um exemplar com motor 1.6, considerado mais desejável. E trata-se de um exemplar bem conservado, muito original e anunciado por um preço condizente com o mercado – e acessível.

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Mário César Buzian, o responsável pela venda, diz que o carro pertence a uma coleção particular. O Corcel II GT tem Verde Primavera Metálico contrastando com a faixa preta na porção inferior da carroceria, que é decorada com frisos laterais vermelhos. De acordo com Mário a pintura está em bom estado, uniforme e lisa. Dito isto, ele recomenda aos mais exigentes uma pintura no capô, no teto e na tampa do porta-malas.

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O interior também parece bem cuidado, incluindo o volante de três raios original. Contudo, os frisos vermelhos nos bancos e revestimentos de porta, além dos cintos de segurança vermelhos, são toques de personalização, assim como o toca-fitas TKR “cara preta” e o amplificador Telestasi – são itens que têm seu valor entre os colecionadores. E o resultado estético ficou interessante, de qualquer forma.

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O anunciante ressalta que o carro está revisado e que a mecânica está em perfeitas condições de funcionamento. A quilometragem declarada é de 111.000 km, o que pode ser interpretado como um bom sinal – afinal, para um carro antigo é mais saudável rodar do que ficar parado. E não é preciso muito para devolver ao carro sua originalidade total.

O Corcel II GT 1979 encontra-se no interior do Rio Grande do Sul, a 150 km da capital Porto Alegre. Se ficou interessado, basta clicar aqui para acessar o anúncio e pegar os contatos do vendedor.

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