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Achados meio perdidos

Este raro Fiesta Sport 1.6 está à venda e pode ser seu novo Project Car

Boa parte dos esportivos nacionais consiste em hatchbacks apimentados – Gol GT/GTS/GTI, Escort XR3, Kadett GSi, Uno Turbo. A maioria deles foi lançada nos anos 1980 e 1990. Na década de 2000 eles ficaram mais escassos, e foram se transformando nos “esportivos de adesivo”, com alterações meramente estéticas e motor idêntico ao de versões comportadas. Contudo, o visual esportivo original de fábrica em alguns casos pode ser meio caminho andado para uma preparação bacana. O Ford Fiesta Sport sempre nos pareceu uma boa base para um Project Car, e por isso hoje ele é nosso Achado Meio Perdido.

O Fiesta veio ao Brasil em 1994, quando a terceira geração passou a ser importada pra o Brasil vinda da Espanha (o que lhe rendeu o apelido de “Espanhol”). Foi uma medida de emergência para tentar compensar o fato de que o Escort Hobby, modelo de entrada da Ford na época, já estava bastante defasado em relação à concorrência e não era mais competitivo.

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Assim, para economizar, a Ford brasileira preferiu importar seu novo carro de entrada. A produção nacional só viria em maio de 1996, exatos oito meses depois do lançamento da quarta geração na Europa (no Brasil, era a segunda geração). Era um carro bastante superior àquele que substituía, com estilo mais arredondado (na verdade, ovalado, como era tendência de design entre os Ford da época) e suspensão dianteira com subchassi e barra estabilizadora.

Agora, além do veterano Endura-E (1,3-litro todo de ferro fundido, com comando no bloco, injeção monoponto e 60 cv), o novo Fiesta oferecia um moderno 1.4 todo de alumínio com 16 válvulas, duplo comando no cabeçote e 89 cv. Apenas o desenho da dianteira era motivo de algumas críticas – chamavam-no de “tristonho” pelo desenho dos faróis e da grade.

Assim, em 1999, a Ford deu ao Fiesta (e à picape Courier, sua derivada), a nova dianteira adotada na Europa. Por lá, a reestilização foi considerada a “quinta geração”, e por isso, no Brasil, alguns chamam este novo Fiesta de MK5.

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De fato, o desenho da nova dianteira era mais atraente que o anterior, enquanto o carro em si mantinha as qualidades (boa ergonomia, acabamento de qualidade e com comportamento dinâmico) e ganhava outras novas. Em especial, o motor Zetec Rocam, com oito válvulas e comando simples no cabeçote, com versões 1.0 e 1.6. Na primeira a potência era de 65 cv, enquanto o 1.6 tinha 95 cv. Em ambos, o destaque era o torque alto mesmo em baixas rotações.

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Foi em 2000 que a Ford decidiu que era hora de criar uma versão esportiva, batizada Fiesta Sport e equipada com motor 1.0 (GL) ou 1.6 (GLX). A série foi limitada a 1.000 unidades – 800 do GL 1.0 e 200 do GLX 1.6. O toque especial vinha na forma de um body kit idêntico ao do modelo Zetec-S europeu, com novos para-choques, saias laterais e aerofólio funcional na traseira, além de uma controversa grade com tela cromada. Contudo, ao contrário do que acontecia na Europa, o Fiesta Sport brasileiro estava disponível apenas com carroceria de quatro portas. Também não tinha, infelizmente, o motor Sigma 1.6 16v de 102 cv usado por lá, sendo que o 1.6 era o mesmo Zetec RoCam de 95 cv das outras versões.

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O desempenho, contudo, era mais do que satisfatório, e o visual agressivo era aproriado ao caráter do carro. E foi isto que conquistou o dono do Achado de hoje, um dos 200 Fiesta Sport GLX 1.6 fabricados. É ainda mais raro por ser um dos que receberam motor 1.6, e pelo bom estado de conservação aos 192.000 km. Encontramos o anúncio no OLX, e o carro está no Paraná.

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Honestamente, olhando para o Fiesta, não imaginamos um número tão alto no hodômetro. O vendedor diz ser o terceiro dono do carro, e que já está com ele há quatro anos. Segundo ele, a manutenção foi realizada em dia por todos os 15 anos de vida do carro, com toda a documentação para comprovar.

Os acabamentos do interior (dos detalhes em cinza metálico no painel, passando pelo revestimento dos bancos, até volante esportivo exclusivo da versão) aparentam estar em excelente estado, assim como a carroceira e a pintura – embora esta já tenha passado por alguns retoques.

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O proprietário garante que o motor funciona como um relógio e que “não baixa uma gota de óleo” e que toda a mecânica está em dia, incluindo os itens de conforto como o ar-condicionado.

E quanto ele pede pelo carro? R$ 13.500. Um Fiesta 2000 equipado com motor 1.6 em estado semelhante pode ser encontrado por R$ 10 mil, em média. Contudo, se você quiser colocar nele um kit Sport, pode se preparar para gastar algo na casa dos R$ 2.500 a R$ 3.000 – isto se você encontrar um.

Fotos: Ed Cunha

O carro é raro e bem conservado para a idade, e tem até as rodas de 14 polegadas diamantadas originais. Sendo assim, entendemos (e até concordamos) com o fato de seu visual ter sido inalterado. Contudo, a alta quilometragem do motor pode ser uma moeda de negociação e, talvez um ponto de partida para uma preparação moderada. O que você acha?

[ OLX ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

 

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