Edição diária: 16/06/2019
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Este Suzuki Vitara é 0,1s mais rápido que o Bugatti Chiron nos 400 m

Mesmo que você não pense em trocar de carro tão cedo, aposto que você fica olhando os classificados automotivos na internet o tempo todo. É o mal de todo entusiasta – eu faço isto. E, ultimamente, tenho voltado meus olhos para o Suzuki Vitara de primeira geração.

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O primeiro Vitara chegou ao Brasil de forma oficial em 1991 e foi vendido como Suzuki até 1998, com duas ou quatro portas, no primeiro caso, com opção por teto de metal (Metal top) ou capota de lona (Canvas top). Com motor 1.6 8v de 80 cv e dimensões bem compactas – um pouco maior que um Suzuki Jimny – o Vitara me serviria muito bem nas estradas de terra por onde costumo rodar nos fins de semana.

Agora, esqueça tudo isto. O Vitara que viemos mostrar hoje mostra uma faceta totalmente diferente do modelo. Uma faceta capaz de cumprir o quarto-de-milha em 9,8 segundos – 0,1 segundo mais rápido que o Bugatti Chiron e todos os seus dezesseis cilindros, dez radiadores, quatro turbos e 1.500 cv. Mas… como?

Antes, uma observação: este não é um Suzuki Vitara, mas sim um Geo Tracker – ele foi vendido com este nome nos Estados Unidos, quando General Motors ainda tinha a subsidiária Geo para carros de baixo custo. No Brasil, a segunda geração do Suzuki Vitara foi vendida como Chevrolet Tracker entre 2001 e 2009. Mas como o Geo Tracker e o Suzuki Vitara eram idênticos, vamos continuar chamando-o de Vitara.

A esta altura, deve ter ficado óbvio que a receita envolve um engine swap. O carro está anunciado no Craigslist, o popular site de classificados norte-americano, como um projeto misto de arrancada e de rua. E seu dono adotou uma pegada sleeper, com o visual da carroceria totalmente original. A única pista de que há algo especial debaixo do capô são as rodas e pneus, de dimensões bem mais generosas, e as bitolas alargadas. Mas o que não falta são carros com rodas e pneus aftermarket instalados por pura vaidade, então…

O swap em questão envolveu um motor V8 LQ4 de seis litros. O LQ4 é uma variação da família LS de motores V8 da GM, fabricada entre 1999 e 2007 para equipar as picapes e SUVs do grupo – ele pode ser encontrado na Chevrolet Silverado da época, e também nos SUVs Suburban e Hummer H2. Originalmente, o LQ4 mais potente entregava 375 cv e 52,1 kgfm de torque – o que, por si só, já daria ao Vitara potência 4,7 vezes maior do que ele tinha de fábrica.

Mas o V8 deste Vitara não é totalmente stock. Ele recebeu diversos upgrades – juntas do cabeçote do V8 LS9, coletores de escape do motro LS7 usado no Corvette, comando de válvulas BRT Stage 3 (de graduação mais agressiva) e alterações no sistema de alimentação. Agora o motor roda com etanol E85, com uma bomba Walbro 450, injetores Siemens Deka e, como cereja do bolo, um turbocompressor ON3 7875, com turbina de 70 mm, montado atrás da transmissão, embaixo do carro.

Quais são os números agora? Infelizmente (e incrivelmente) o proprietário do Vitara não os menciona. Mas ele conta os resultados: em sua melhor puxada, o jipe cumpriu o quarto-de-milha em 9,8 segundos a 212 km/h (!), em março do ano passado. No vídeo abaixo é possível vê-lo (e ouvi-lo) em ação. É memorável:

vitara las vegas motor speedway www.vitara.es

parecia que estaba de serie…..www.vitara.es

Publicado por Vitara.es em Sexta-feira, 13 de julho de 2018

Mas o motor não foi a única modificação do conjunto mecânico Vitara: ele também ganhou uma transmissão 4L80e com shift kit para trocas manuais e um novo conversor de torque, além de um radiador adicional com ventoinha dedicada para evitar superaquecimento do fluido.

A suspensão, incrivelmente, usa o arranjo original, apenas com novos amortecedores e espaçadores nas molas para compensar o ganho de peso na dianteira. O eixo traseiro recebeu um novo eixo rígido Ford de 8,8 polegadas com diferencial autoblocante e relação final 4,11:1. Também foi instalada uma barra estabilizadora na traseira. Os freios a disco são originais na dianteira, enquanto as rodas de trás usam discos maiores, do Ford Explorer. Os pneus traseiros são um par de Mickey Thompson do tipo drag radial, de, medidas 275/60/15.

O interior, como o lado de fora, ganhou modificações puramente funcionais: apenas com um cinto de cinco pontos para o banco do motorista, uma gaiola de proteção integral e um extintor de incêndio na traseira – além de mostradores aftermarket para o nível de combustível, a temperatura do motor, a pressão do óleo e a pressão do turbo.

Trata-se de um projeto raiz, com total pegada sleeper, feito para andar rápido e pegar incautos desprevenidos na dragstrip e voltar dirigindo para casa – algo que o dono afirma ter feito frequentemente nos últimos anos (“o carro nunca subiu em um trailer!”, ele diz).

Depois do Suzuki Escudo, o monstro de Pikes Peak com motor V6 biturbo central-traseiro de 995 cv que ficou famoso em Gran Turismo 2, este provavelmente é o Vitara mais absurdo que eu já vi. E ele tem um trunfo: o Escudo Pikes Peak era pouco mais que um protótipo que lembrava o Vitara de leve, com estrutura tubular e uma bolha. Já este aqui é o real deal.

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