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Automobilismo

Este Toyota Supra foi o primeiro carro híbrido a vencer uma corrida

Ontem, precisamente às 10h da manhã (horário de Brasília), a Toyota e seu TS050 Hybrid venceram as 24 Horas de Le Mans pela segunda vez. Ainda hoje publicaremos um post com o resumo e nossos comentários da corrida. Mas antes, vamos falar sobre o primeiro carro híbrido a vencer uma corrida sancionada pela FIA – que, coincidentemente, também foi um Toyota. Um Toyota Supra!

Seu nome era Toyota Supra HV-R (de Hybrid Vehicle Racing), e ele competiu em 2007. Olhando por fora, não havia qualquer elemento que denunciasse o conjunto híbrido. Mas, apesar da discrição, o Supra HV-R foi um passo importante para a adoção da tecnologia pelo automobilismo – e, para a Toyota, um ótimo laboratório para aperfeiçoar a união entre combustão interna e eletricidade, tanto para uso em pista quanto para a aplicação em modelos de rua.

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Não nos surpreende que a Toyota tenha sido a pioneira neste aspecto: dez anos antes, em 1997, eles colocaram no mercado a primeira geração do Prius, que ainda era um sedã. Com cerca de 70.000 unidades vendidas, ele não foi um sucesso absoluto, mas mostrou que o mercado estava receptivo a carros híbridos – tanto que a segunda geração, lançada em 2003, vendeu ainda mais.

Embalada pela boa receptividade do mercado ao Prius, a Toyota decidiu levar a tecnologia híbrida para as pistas. E não havia ponto de partida melhor que o Toyota Supra, tetracampeão da Super GT, com títulos em 1997, 2001, 2002 e 2005.

Ainda que a versão de rua do Supra de quarta geração, o A80, tenha se tornado um ícone por causa do motor seis-em-linha 2JZ-GTE, a versão de corrida obteve seus melhores resultados, inicialmente, com um quatro-cilindros turbo de 2,1 litros. Depois, foi adotado o V8 3UZ-FE, de 4,5 litros. Ou seja: a Toyota nunca teve pudor em experimentar diferentes arranjos mecânicos no carro – e com o Supra HV-R não foi diferente.

O Supra HV-R foi desenvolvido pela Toyota em parceria com a SARD – que foi a primeira equipe japonesa a disputar as 24 Horas de Le Mans, como contamos neste post, e em 1993 começou a se relacionar com a Toyota.

A base foi o Supra V8 da Super GT, dotado originalmente de 480 cv e 52 kgfm de torque – que eram levados às rodas traseiras por uma transmissão sequencial de seis marchas. O que a SARD fez foi acrescentar não um, não dois, mas três motores elétricos ao carro.

O arranjo era bastante criativo: em cada uma das rodas da frente ia um hub motor de 10 kW (o equivalente a 13,6 cv). Ao eixo traseiro era acoplado o terceiro motor, bem mais potente, com 150 kW (204 cv). Na prática, então, o Supra HV-R tinha tração nas quatro rodas – o que era perfeitamente legal pelo regulamento das provas de turismo no Japão. Além de gerar buzz para a tecnologia híbrida, a Toyota esperava utilizar o Supra HV-R para aprender mais sobre motores elétricos e encontrar formas de torná-los mais leves e eficientes.

Para manter o peso do carro o mais baixo possível, a SARD optou por equipar o Supra HV-R com um supercapacitor em vez de baterias. Ele era responsável por armazenar a energia elétrica gerada em frenagens e convertida em energia elétrica. A transmissão Hewland era usada apenas nas rodas traseiras – o eixo dianteiro atuava de forma independente.

Sem o uso de baterias, o Supra HV-R era surpreendentemente leve para um híbrido – tinha apenas 1.080 kg. E, graças a seus quatro motores, entregava respeitabilíssimos 720 cv.

O carro foi inscrito na Super Taikyu, categoria de turismo do Japão que tinha um regulamento bastante permissivo. Não era uma competição muito conhecida internacionalmente mas, em compensação, havia uma enorme variedade de participantes divididos em oito classes – para se ter ideia, carros com motor de até 1,5 litro dividiam o asfalto com bólidos da GT3, e era comum que mais de 60 carros comparecessem ao grid de largada. De quebra, carros da GT500 podiam participar como convidados.

Em 2007, o Supra HV-R era o único representante da categoria GT500. Por conta disto, ele não pontuava no campeonato, mas aquele nem era o objetivo da Toyota. Eles apenas esperavam que o carro chegasse ao final de sua primeira corrida – as 24 Horas de Tokachi, no circuito de mesmo nome, que fica na província japonesa de Hokkaido. A corrida aconteceu entre os dias 16 e 17 de junho de 2007 – exatamente 12 anos atrás.

Assim, nas primeiras horas de prova, a equipe instruiu aos pilotos Akira Iida, Takayuki Kinoshita, Tatsuya Kataoka e André Couto (este um português em um time de japoneses) que poupassem o carro. O sistema ainda era experimental, e a prova deveria servir como mero diagnóstico – eventuais problemas que viessem a ocorrer seriam analisados, e o feedback permitiria que a Toyota pudesse entender melhor os bugs e resolvê-los da forma mais apropriada.

Acontece que não havia rivais à altura e, mesmo andando com tranquilidade, o Supra não tardou a abrir uma boa vantagem à frente do pelotão – composto por carros bem mais simples e tradicionais, como o Mitsubishi Lancer Evolution, o Subaru Impreza WRX, o Nissan 370Z, o BMW Z4 e o Porsche 911. Todos eles puramente movidos a combustão.

Consequentemente, a SARD foi capaz de atentar-se à conservação do conjunto e ainda manter-se na liderança, mesmo sem forçar a barra. Ao fim da corrida, o Supra HV-R não apenas venceu, como também cruzou a linha de chegada com 19 voltas de vantagem sobre o segundo colocado.

Apesar do sucesso do carro, porém, o programa do Supra HV-R foi encerrado após aquela única corrida –  e uma participação no Grande Prêmio de Macau.

Era como se a Toyota já tivesse provado seu ponto: carros de corrida híbridos funcionavam. Foi só cinco anos depois, em 2012, que a fabricante voltou a apostar na tecnologia híbrida com seu protótipo TS030, precursor do vencedor das 24 Horas de Le Mans de 2018 e 2019.

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