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FlatOut!
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Achados meio perdidos Zero a 300

Este Volkswagen Gol GT bem cuidado está à venda – e pode ser um bom negócio!

Quando se trabalha escrevendo sobre carros é quase inevitável cair em clichês em algum momento. Especialmente quando o carro sobre o qual se vai escrever é do tipo que (olha o clichê) dispensa apresentações, como o Volkswagen Gol GT. A versão esportiva do hatchback foi a primeira com motor arrefecido a água e talvez só não seja mais cobiçado que o GTI 1988, que foi o primeiro Gol com motor 2.0 e injeção eletrônica.

O Gol GT, como bom esportivo brasileiro dos anos 80, é um daqueles carros que se tornaram sonho de consumo em seu tempo mas só muitos anos depois tornou-se acessível a quem o cobiçou nos showrooms das concessionárias. E mesmo assim não é um carro barato: como a oferta é limitada, os melhores exemplares custam muito mais caro, enquanto os mais em conta geralmente são carros que precisam de uma boa dose de carinho e atenção. O que torna nosso Achado meio Perdido, anunciado no GT40, uma exceção interessante.

Já destrinchamos a história do Gol GT aqui no FlatOut, e até dedicamos a ele um episódio do FlatOut 56, mostrando como foi seu lançamento usando material de imprensa da época (você confere o vídeo acima!). Mas isto não nos impede de recapitular.

O Gol GT foi a versão escolhida pela Volswagen para estrear no modelo o motor a água. Outros membros da família – Voyage e Parati, mais precisamente – jamais haviam usado o boxer de quatro cilindros refrigerado a ar, e a Volkswagen sabia que deveria ter feito o mesmo com o hatchback. Então, como que para compensar, a fabricante decidiu preparar uma chegada triunfal do novo motor.

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Foi decidido que o primeiro Gol a usar o quatro-cilindros com comando duplo no cabeçotes e arrefecimento líquido seria um esportivo. Melhor referência não podia haver: a inspiração foi o pioneiro dos hot hatches na Europa, o Golf GTI, que cedeu ao Gol GT o comando de válvulas de graduação mais agressiva. O visual lembrava bastante a primeira geração do hot hatch alemão, com para-choques na cor preta, borrachões laterais mais grossos e rodas VW Avus (também conhecidas como “Snowflakes”) de 14 polegadas. O interior tinha bancos Recaro com revestimento em cinza listrado, painel de instrumentos com conta-giros e equipamentos como retrovisores com ajustes internos e console central com relógio digital.

O motor de 1,8 litro tinha 99 cv declarados, mas esta era uma figura conservadora. Com um propósito: ao declarar menos de 100 cv, a Volkswagen conseguia incentivos fiscais – cada exemplar custava um pouco menos. Na prática a potência ficava mais perto dos 105 cv. Com isto, o Gol GT era capaz de ir de zero a 100 km/h em menos de 12 segundos, com máxima de 170 km/h, de acordo com testes da revista Quatro Rodas na época. O comportamento dinâmico do Gol, já naturalmente agradável pelo acerto da suspensão, ganhou firmeza e refinamento. E o Gol GT conseguiu mudar completamente a imagem do Gol ao apagar qualquer impressão ruim causada pelo fraco e barulhento boxer arrefecido a ar.

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A importância histórica e o desempenho superior do Gol GT estão entre as razões para que hoje o hot hatch seja um dos favoritos de quem quer um Volks antigo bacana, mesmo que seja para para curtir aos fins de semana e até levar para a pista de vez em quando. Um Gol GT nos parece uma boa maneira de ter a experiência de acelerar um esportivo das antigas, com o bônus do conjunto robusto e de manutenção simples.

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É difícil, contudo, topar com um exemplar original em excelentes condições de conservação e originalidade que não custe mais de R$ 30.000. O que nos traz de volta ao exemplar em questão, anunciado no GT40.

O carro pertence a Rafael, de Vespasiano/MG. Não é um exemplar todo original e impecável, mas é um carro íntegro e bem cuidado que pode ser um excelente ponto de partida para uma restauração.

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Rafael comenta que a estrutura do carro é boa, sem maiores sinais de corrosão ou sequelas de acidentes. A carroceria já foi repintada, na cor original Cinza Plus, e todos os detalhes de acabamento, como frisos, polainas, letreiros e emblemas, estão em seus lugares. O mesmo vale para o friso vermelho na grade dianteira (que só não estava presente nos exemplares de cor vermelha) e para o “GT” no vigia traseiro. Rafael está com o carro há cerca de três meses, e comenta que os faróis de neblina aparentam ter sido trocados recentemente, pois estão bem novos.

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O interior é um dos pontos que podem incomodar quem faz questão de originalidade extrema: os revestimentos de porta e a forração dos bancos foi refeita e entrega isto logo de cara – embora seja listrado, o tecido não apresenta o esquema monocromático degradê com o qual o Gol GT saía de fábrica. Dito isto, o serviço foi bem feito e os revestimentos estão muito bem cuidados. O volante “quatro bolas” também não é original, embora fosse uma alteração comum nos anos 1980 – o Gol GT originalmente usava um volante com desenho diferente, com quatro botões retangulares nos raios para acionar a buzina. E o console central original, com o relógio, também está ausente. No mais o painel original, com topo almofadado, está com boa aparência, e os bancos estão com a espuma em bom estado.

Nada disto interfere no funcionamento do carro, que segundo Rafael teve a mecânica toda revisada recentemente, incluindo manutenção no carburador e no câmbio manual de cinco marchas.

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Esta é a parte interessante do carro. Pelo que diz o anunciante, o Gol GT está pronto para rodar e com toda a documentação em dia, o que já é suficiente para alguns. Mas se alguém com paciência e tempo nas mãos quiser devolvê-lo à sua total originalidade, não nos parece uma missão muito difícil. E o preço está abaixo do que se costuma pedir por exemplares neste estado de conservação, independentemente de qualquer coisa.

Se você ficou interessado, basta clicar aqui para acessar o anúncio e pegar os contatos.

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“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios do GT40.com.br de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios nem pelas negociações decorrentes – todos os detalhes devem ser apurados atenciosamente com o anunciante!

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