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Estes carros devem se tornar futuros clássicos no Brasil – parte 1

Há alguns dias, fizemos a nossos leitores a seguinte pergunta: quais carros atualmente baratos têm grandes chances de se tornar colecionáveis? Tivemos um bocado de participação no post e as mais diversas sugestões. Alguns modelos foram tão bem votados que entraram na lista mesmo sem justificativa. Serão clássicos por carisma, mas também por razões técnicas. Outros foram citados apenas uma vez, mas com uma explicação tão boa para constar da seleção final que nem seria preciso alguém mais votar neles.

Antes de irmos ao que interessa, vale dizer que muitos destes carros devem se tornar colecionáveis porque não estão sendo tratados como manda o figurino. A maior parte deles foi moída por mau uso e falta de manutenção. Em muitos casos, eles serão colecionáveis mais pela raridade que pelo valor histórico. O que é uma pena: mostra que a paixão por carro alardeada a respeito dos brasileiros é realidade apenas para um grupo muito seleto. Um grupo que encontrou no FlatOut o melhor lugar para se reunir, diga-se de passagem.

Se você sentir falta de algum candidato a clássico por aqui, como o primeiro Gol GTI, saiba que ele ou está na segunda parte deste especial ou que não o incluímos porque ele já tem status de colecionável, como o Honda SI, VW Polo GTI, VW Passat Pointer…

Todos eles já subiram de preço e são disputados a tapa quando são colocados à venda. Não são, portanto, uma oportunidade de se antecipar ao que é valorizado. São a coisa real, já concretizada, só colhendo os louros de uma valorização que só tende a crescer.

Eis abaixo nossas apostas de colecionáveis do futuro. Primeiro, os mais velhos:

 

Fiat 147 1980 a álcool

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O 147 modelo 1980 foi o primeiro carro movido a álcool de produção em série do mundo. O motor escolhido para o feito foi o 1300. Só isso já o tornaria um modelo de interesse. Como sua produção foi relativamente grande, e o 147 era um carro barato, a maior parte deles roda hoje em péssimas condições. Achar um 147 1980 1300 em boas condições, com sua originalidade preservada, deve ser tarefa das mais difíceis.

 

Chevrolet Monza S/R

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A versão esportiva do primeiro carro mundial lançado no Brasil não poderia ter menos do que toda a atenção de qualquer legítimo petrolhead. Se for colecionador, então, a atenção redobra.

Para começar, ele tinha suspensão recalibrada. Seu primeiro motor, 1.8, tinha 10 cv a mais do que os oferecidos pelo modelo comum, ou 106 cv a 5.600 rpm. Tudo isso. O 2.0 chegaria um ano depois, em novembro de 1986. E o Monza S/R 2.0S também merece tratamento cuidadoso, como o que foi dado à unidade do vídeo acima.

 

Fiat Uno 1.5R/1.6R

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O 1.5R também foi apresentado à imprensa em novembro de 1986. E foi a primeira incursão do carro mundial da Fiat na esportividade. Na edição da revista Quatro Rodas da época, ele foi chamado apenas de “o melhor Fiat lançado até hoje”. Ele tinha os famosos cintos de segurança vermelhos, 85 cv a 6.000 rpm e um 0 a 100 km/h em 12 s. Duro é encontrar um inteiro e ainda em boas condições de originalidade.

Por isso vale a pena ficar de olho também no 1.6R. Mais como oportunidade de negócio do que propriamente por ser tão interessante quanto o 1.5R. O primeiro é mais. Mas é mosca branca de olho azul e saia rodada.

 

VW Quantum Sport

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Este é um dos casos em que a raridade se sobrepõe ao interesse histórico. A Quantum Sport foi lançada em 1990 e feita apenas nas cores branca, preta e vermelha.

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Era uma versão GL 2000 com acabamento mais esportivo, que incluía bancos Recaro, rodas de liga leve de aro 14, as mesmas usadas no Gol GT, lanternas fumê, o adesivo Sport na tampa do porta-malas e nas laterais. Se você já viu alguma nas ruas recentemente, pode se considerar um felizardo.

 

VW Santana Executivo

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Também lançado em 1990, logo no começo do ano, o Santana Executivo, ou EX, era a resposta da Volkswagen ao fato de um carro menor e menos luxuoso já vir equipado com injeção eletrônica, enquanto o modelo de luxo da marca, não. Mas a Volkswagen foi muito além disso. Lançou o primeiro sedã com injeção eletrônica do país, antes até do Chevrolet Monza EF500, que chegou em fevereiro, um mês depois do Santana.

Limitado a 5.000 unidades, assim como o Monza, o Santana Executivo vinha com amortecedores pressurizados, bancos Recaro em tecido ou couro e com todos os itens de conforto que se poderia desejar: ar-condicionado, direção hidráulica progressiva, toca-fitas, travas e vidros elétricos. Também foi o primeiro veículo fabricado no Brasil a oferecer ABS. Custava 60% mais do que um Santana GLS, o topo de linha do modelo de luxo da Volks. Quantos restam por aí? Boa pergunta…

 

Chevrolet Omega CD

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Foto: Reginaldo de Campinas

O Omega quase dispensa explicações para estar na lista. Lançado em julho de 1992, ele foi o carro mais sofisticado fabricado no Brasil até a chegada dos Mercedes-Benz e dos BMW. Como os modelos de luxo, o Omega começou carreira com motor importado para sua versão mais cara, a CD: um seis-cilindros 3.0 alemão de 165 cv a 5.800 rpm. Chamado de CIH (cam in head, ou comando de válvulas no cabeçote), ele era uma maravilha da época. O Omega tinha também um conector na parede corta-fogo que, se invertido, fazia o motor render mais com gasolina de alta octanagem — na prática ele alterava o ponto de ignição para a gasolina mais resistente à detonação.

Luxuoso, o Omega também tinha fama de beberrão, o que fez seus preços caírem bastante. Sem o status de antigamente, ele começou a ser vendido a preço de banana, caindo nas mãos de clientes que não tinham condições de mantê-lo rodando como seria recomendável. O motor 3.0, em especial, tem manutenção bem cara. Isso porque ele morreu por volta de 1994, o que fez a GM do Brasil substituí-lo por uma versão modernizada do 4.1. Que quebrou o galho, mas não chega aos pés do falecido 3.0 alemão.

 

Suzuki Swift GTI

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Foto: Rafael Brüner/Flickr

Logo que as importações foram liberadas, um carrinho começou a chamar a atenção. Era pequeno, mas invocado. Andava feito notícia ruim, com seu motorzinho 1.3 de 100 cv a 6.450 rpm, com corte de giro apenas nos 7.500 rpm. Pesava apenas 790 kg, o que lhe dava uma máxima de 180 km/h e 0 a 100 km/h em 10,57 s, segundo a revista Quatro Rodas de junho de 1993.

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Foto: Rafael Brüner/Flickr

Foi objeto de desejo de muita gente que gosta de fuçar no carro, mas nem sempre do jeito certo. Foi rebaixado, turbado e maltratado até o limite. Os que resistiram estão muito bem escondidos por aí. E ainda não estão caros.

 

VW Voyage Sport

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Quando a Autolatina começou a dar frutos, o Apollo tirou as versões mais caras do Voyage de cena. Elas concorreriam com o novo modelo, baseado no Verona (a bem da verdade, um Verona com emblema Volkswagen, ou o primeiro carro a apresentar badge engineering aos brasileiros). Com isso, o Voyage GLS saiu de cena. Quem retomou a tradição, com o fim do Apollo, foi o Voyage Sport.
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Fabricado de 1993 a 1995, ele tinha bancos Recaro, rodas de liga leve de aro 14, motor AP1800S, o mesmo do Gol GTS, com comando 049G, gerando 105 cv a 5.600 rpm (com etanol), e apenas 945 kg. Ia de 0 a 100 km/h em 11,75 s e chegava à máxima de 171,2 km/h, segundo testes da revista Quatro Rodas. Era, em suma, um Gol GTS com porta-malas saliente. Não foi valorizado como deveria ter sido. Mas um dia vai ser.

 

Fiat Tipo Sedicivalvole

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Importado da Itália a partir do final de 1994, o Sedicivalvole, ou 16 válvulas, era a versão esportiva do Fiat Tipo, um carro que fez sucesso à beça por aqui. Ele era espaçoso, acessível, ainda que importado, e tinha um excelente desempenho em relação aos modelos nacionais, em sua versão esportiva.

O motor 2.0 tinha 16V, como o nome denuncia, o que permitia que ele gerasse 137 cv a 6.000 rpm. O conjunto era completado por suspensão independente nas quatro rodas, com ajuste mais firme, discos nas quatro rodas. Com a revista Quatro Rodas, de janeiro de 1995, foi de 0 a 100 km/h em 9,85 s e chegou à máxima de 206,7 km/h.

Já bastante valorizado entre os fãs do carro, ele ainda pode ser comprado por cerca de R$ 20.000. Quando foi lançado, custava R$ 26.500. Um dia o dinheiro já valeu mais do que hoje.

 

Fiat Uno Turbo

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O Fiat Uno Turbo foi o primeiro modelo fabricado no Brasil a vir equipado com turbocompressor. Isso em março de 1994. Ainda que o motor viesse importado da Itália, o carro marcou época. Não porque já antecipasse a tendência de downsizing, já que o turbo tinha proposta claramente esportiva, mas sim porque foi reverenciado pelo desempenho que apresentava.

Achávamos que ele já era um modelo clássico, mas não é bem assim. Ele foi objeto de um de nossos Achados Meio Perdidos, vendido a quase R$ 30 mil, mas ainda pode ser encontrado por metade deste valor. Ou até menos, nos casos de exemplares menos conservados.

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