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Estes carros devem se tornar futuros clássicos no Brasil – parte 2

Depois que perguntamos a nossos leitores quais seriam os futuros clássicos nacionais, apontando um dos candidatos mais incontestáveis ao título, o Vectra GSi, saímos com a primeira parte dos modelos escolhidos por nossos leitores. E um monte de gente cobrou os seus eleitos. E este? E aquele? Caaaalma, rapaziada ansiosa! Tinha a parte 2, essa aqui. E mesmo ela talvez não seja suficientemente abrangente para tudo que ainda pode se tornar clássico.

Falamos isso porque a quantidade de versões memoráveis feitas no país é imensa. Sempre haverá aquela que teve pouquíssimas unidades, a que foi pioneira na rebimboca da parafuseta ou qualquer outro motivo que fará com que ele carro, especificamente, se valorize mais do que aplicação em dólar, ouro ou ações bluechip.

Se o carro de sua devoção não estiver aí embaixo, ou ele já é clássico, e está numa faixa de preço muito alta, ou já foi citado em nossa primeira lista ou ainda é cedo para afirmar que ele um dia será item de colecionador. Também pode acontecer de termos esquecido e de o carro ser merecedor da mais atenta consideração. Mas é para isso que temos também nossa caixa de comentários, com os maiores (e verdadeiros) apaixonados por carros do Brasil.

A lista abaixo foi construída com a ajuda deles (vocês). Apreciem!

 

Fiat Tempra Turbo

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Lançado meses depois do Uno Turbo, em maio de 1994, o Tempra Turbo também tinha motor importado, mas bem menos moderno que o usado no irmão menor. Era basicamente o mesmo usado pela primeira vez no Fiat 124 Sport nos anos 1960, mas com cilindrada aumentada e turbinado, o que o levava a 165 cv a 5.250 rpm.

A carroceria de apenas duas portas conseguiu, segundo a revista Quatro Rodas daquele mês, abrigar o carro mais veloz do país, capaz de chegar aos 212,8 km/h. Também tinha o computador de bordo mais moderno do Brasil, na época.

Se o turbo fosse aliado a um cabeçote de quatro válvulas por cilindro, a potência seria muito melhor, mas talvez a Fiat tenha feito isso de propósito. Nos testes, a revista reclama que a má distribuição de peso do carro atrapalha em velocidades altas.

Fiat Tempra Stile

Em janeiro de 1995, o Tempra Turbo ganhou a versão Stile, de quatro portas, outra que, se for encontrada inteira, merece o mesmo carinho do irmão mais esportivo. Mas o duas portas será sempre mais valorizado. Olho nele.

 

Chevrolet Calibra

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Apesar de já o considerarmos um clássico, o carro que já foi o mais aerodinâmico do mundo em sua época, com apenas 0,26 de coeficiente aerodinâmico (marca só igualada, e hoje, pelo Mercedes-Benz CLA), o Calibra vinha com o mesmo motor C20XE usado no Vectra GSi, com 150 cv a 6.000 rpm, motor este que piorava sua eficiência aerodinâmica, ainda que bem pouco, por conta do cabeçote mais alto.

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Não que ele esteja barato. Um bem conservado não sai por menos de R$ 35 mil, preço de carro novo (o Calibra foi importado de 1994 a 1996, em cerca de 1.600 unidades), mas a tendência é que os Calibra em bom estado fiquem cada vez mais raros. E que seu preço não pare de subir. Se você quer um, é bom correr.

 

Peugeot 306 S16

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Versão da chamada primeira fase do 306, o S16 vinha com três portas e, mais importante, com o motor 2.0 XU10J4, com 155 cv a 6.500 rpm. Para um carro de apenas 1.110 kg, essa potência era suficiente para fazer qualquer motorista sorrir.

O modelo chegou ao Brasil em 1995 e foi vendido até 1997, quando chegou a segunda fase do 306, sendo substituído pelo GTI-6, que tinha motor de 167 cv e também é uma raridade (se encontrar um inteiro e tiver grana, compre!). Do S16, vieram só cerca de 500 unidades, o que torna a busca por este futuro clássico francês uma tarefa cada vez mais difícil. E a preços cada vez mais altos.

 

Chevrolet Corsa GSi

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A prova de que este cara é sério candidato a clássico foi nosso Achados Meio Perdidos de ontem. Vendido a R$ 18 mil, ele precisou de apenas meio dia exposto por nossa reportagem para ser arrematado. Certamente fará algum novo proprietário muito feliz.

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Equipado com o motor 1.6 16V Ecotec importado da Hungria, ele tinha apenas 945 kg e 108 cv a 6.200 rpm. Bateu o Gol GTI de sua época e foi fabricado até 1996, em cerca de 2.500 unidades.

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Por sua raridade, além de candidato a clássico, o Corsa GSi também é muito visado para roubos. Já tivemos amigos nossos roubados porque o GSi deles havia sido “encomendado”, segundo o ladrão que apontou a arma para a cabeça deles. Não custa redobrar a atenção se você tiver a sorte de já ter um desses na garagem. Ou estiver em vias de comprar o seu.

 

Ford Fiesta 1.4 CLX

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O renascimento da Ford começou com a produção de seu modelo de entrada no Brasil, o Fiesta. Mas a empresa deu o azar de iniciar a produção por aqui justamente da quarta geração do compacto, rapidamente apelidado de “Fiesta Tristonho”, por causa da caída dos faróis. O estilo não agradou, assim como o pouco espaço interno e o porta-malas muito inferior ao dos concorrentes, mas pelo menos uma versão mereceu a atenção dos petrolheads: a CLX 1.4 16V.

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Não era seu motor 1.4 de 16V com 88,8 cv a 5.600 rpm que fazia as alegrias de seu motorista. Inclusive porque, com 1.009 kg, sua relação peso/potência era de nada impressionantes 11,36 kg/cv. O que o tornava especial era seu comportamento dinâmico exemplar. Tanto que a CLX era uma versão de luxo, não voltada à esportividade. Acabou virando, para quem o dirigiu. E são esses os caras que, no futuro, vão dizer o que é colecionável ou não. Apostamos pesado no CLX. Pelo menos nos que conseguirem resistir.

 

Chevrolet Tigra

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O Tigra era chamado por muita gente de um Corsa com bolha engraçadinha. Tudo porque o interior dos dois carros era exatamente igual. Maldade… Com o mesmo motor do Corsa GSi, o fato de o interior ser igual ao do Corsa pode até ajudar na manutenção, já que o desempenho é decisivamente diferente.

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Quando você encontrar algum em bom estado, repare se ele traz duplo airbag e ABS. Se trouxer, você está diante de uma das unidades importadas da Alemanha. Ele também veio da Espanha, mas sem estes equipamentos. Vale a pena contar com eles, a não ser que você prefira ter dois itens a menos com que se preocupar na manutenção. Honestamente, os alemães um dia valerão mais. Considerando que apenas pouco mais de 2.600 foram vendidos por aqui, talvez não haja muito o que escolher diante de um exemplar bem conservado.

 

Ford Focus MK1

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Sim, ele ainda é relativamente recente. Está começando a ser considerado carro velho, com preços cada vez mais baixos, e é isso que o torna muito interessante. Tudo porque o Focus de primeira geração não era apenas um modelo de estilo vanguardista, o chamado New Edge, mas também porque conseguiu ser bem vendido apesar disso. E ele foi além.

Seu motor 1.8 16V Zetec conferia ao carro desempenho bastante honesto, mas era seu acerto de suspensão que chamava a atenção, além do fato de ser o único hatchback médio da época a ter suspensão traseira independente.

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As versões mais valorizadas talvez sejam as mais raras, como a Ghia e a XR, que vinham com o motor 2.0 16V de 126 cv. A XR, ainda que seja uma versão esportiva de butique, como se costuma dizer das meramente estéticas, será rara de encontrar como foi concebida pela fábrica, com as mesmas rodas e equipamentos.

 

VW Gol 1.0 Turbo

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A Volkswagen pisou na bola com o primeiro modelo feito no Brasil a arriscar o downsizing. Considerando as faixas de IPI do mercado, o motor 1.0 16V Turbo, feito aqui, seria uma sacada de gênio: custaria menos do que um modelo 2.0, por causa dos impostos, mas ofereceria desempenho parecido a um preço bem mais baixo. O problema foi terem empetecado o carro e caído na tentação de chamá-lo de esportivo.

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Foi o suficiente para o carro ser moído por aí por pessoas que queriam provar a esportividade do Golzinho. Mexeram no motor até não dar mais. É por isso que hoje ele pode ser encontrado pela média de R$ 14 mil, no caso das unidades mais bem conservadas, mas de também poder ser comprado a menos de R$ 10 mil.

Se você tiver a chance de encontrar algum inteiro, ele pode ser um belo candidato a investimento. O mesmo vale para a Parati 1.0 Turbo, também rara, mas, para ela, vale a mesma recomendação que fizemos no caso do Corsa GSi: ela é muito visada, com seguro proibitivo justamente por isso. Cuidado com a preciosidade. O mais prudente talvez seja guardá-la em local bem protegido até o dia em que seja seguro rodar por aí. Vai virar cápsula do tempo, mas que remédio?

 

Dodge Dakota R/T

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O sonho de muitos fãs da Dodge se realizou no Brasil com a volta da fabricação não de um automóvel, mas de uma picape. Foi a Dodge Dakota, que começou a ser produzida em Campo Largo, no Paraná, em 1998 e resistiu apenas até 2002, quando a fábrica foi fechada.

A picape não seguia o gosto da clientela brasileira deste tipo de produto, a exemplo da VW Amarok, que foi lançada sem o essencial câmbio automático. O pecado da Dakota é justamente o que hoje a torna colecionável: a falta de um motor diesel, que só chegou em 1999. E era fraco. Também faltava à picape uma rede de concessionários mais robusta nos lugares em que as picapes são mais populares, os grandes centros agropecuários do país.

Sem fábrica, as Dakota perderam valor rapidamente. Entre as que ainda resistem, as mais raras são as R/T, com motores V8 5.2 de 232 cv. Roncam bonito que só ouvindo. E são nossa maior aposta de colecionáveis. Testemunhas de um tempo em que a Dodge tentou voltar ao país, mas de uma tentativa muito distante de dar certo.

 

Ford Ka XR

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Se o Ka tinha o mesmo estilo New Edge do Focus de primeira geração, ele sempre careceu de bom desempenho. Fosse com o motor 1.0 ou com 1.3, ambos Endura, de concepção antiga. A coisa começou a mudar com a reestilação da traseira do carrinho, que o tornou muito mais interessante visualmente falando. E com a chegada do motor 1.0 Zetec Rocam. Mas a cereja do bolo veio em 2001 com o motor 1.6, também da família Zetec Rocam, sob o capô do Ka. Que foi chamado de XR.

Ainda que o estilo fosse exagerado, com grandes saias laterais, o Ford andava como gente grande. Não só porque acelerava com animação, mas também porque era dinamicamente interessante. O entre-eixos curto exigia cuidado e experiência, especialmente dos mais empolgado, mas recompensava quem sabia lidar com ele.

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Pouco tempo depois, em 2003, o Ka ganhou também a versão Action, que vinha com o mesmo motor 1.6, mas sem as firulas de aparência. Também é candidata a clássico, com a facilidade de não ter tantos detalhes com que se preocupar. Quem compra um Ka XR pensando em restaurá-lo já não vai encontrar as saias e outros detalhes. Em suma, Ka XR só se estiver inteiro. Se estiver com algo em falta, pode virar carro de track day. Deixe o Action para colecionar.

 

Citroën C4 VTR

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O volante com centro que não se mexia, o mostrador principal acima do console central não foram suficientes para a vontade que este Citroën, como quase todos até bem recentemente, mostrou de ser um ponto fora da curva. O VTR também tinha de ter uma traseira provocativa, angulosa. Bacana para quem vê de fora, mas horrível de lidar ao volante, por causa da visibilidade.

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Outro ponto negativo do VTR era o motor de apenas 143 cv a 6.000 rpm. Era suficiente, mas a aparência do carro, além de seu nome, prometia um desempenho que ele não era capaz de oferecer.

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Mas ele é suficientemente inusitado para ganhar status de item de colecionador. Aos fãs da marca do “doble chevron”, é uma belíssima pedida, assim como o Xsara VTS 2.0 16V de 167 cv. Mas esse já é clássico.

 

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