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Car Culture

Estes são os 10 carros mais caros leiloados em 2018

Continuando mais uma tradição de início de ano do FlatOut, trazemos neste sábado a lista dos dez carros mais caros leiloados em 2018. Neste ano, a lista traz novos recordistas de todos os tempos, e reforça o valor das Ferrari clássicas, que se tornaram, de longe, os carros mais caros do planeta atualmente.

Prova disso é que, entre os dez carros deste ano, temos nada menos que quatro Ferrari — todas elas no top 5 — e uma delas se tornou a mais cara já leiloada até hoje. Também conhecemos o novo carro americano mais caro da história e o recordista de preço do Reino Unido, caso de um dos Aston Martin DB4 GT, que se mostra próximo da 250 GT não apenas no contexto histórico.

Neste ano fizemos a lista um pouco diferente: em vez de começar do mais caro para o mais barato, montamos a lista na ordem crescente, começando pelo Alfa Romeo 1932 de US$ 5,83 milhões e terminando com o recordista deste ano, de quase 50 milhões.

Alfa Romeo Tipo B Grand Prix Monoposto 1932 – US$ 5,83 milhões

Começando a lista dos clássicos mais caros leiloados em 2018, temos este Alfa Romeo Tipo B Grand Prix Monoposto de 1932 – que é até surpreendente, não por estar no top 10, mas por estar somente na décima posição.

O motivo? Ele foi o vencedor do primeiro de todos os Grandes Prêmios disputados em Donington, em 1935, e também foi o primeiro monoposto que colocou seu piloto sentado em posição centralizada no chassi, sendo o primeiro carro na configuração usada até hoje pelos monopostos de Grandes Prêmios.

Como se não bastasse, ele foi parte de uma das primeiras formações da Scuderia Ferrari, ainda como equipe e não fabricante. Com tudo isso parece que os US$ 5,83 milhões foram pouco, não?

 

Porsche 959 Paris-Dakar 1985 – US$ 5,95 milhões

O nono carro mais caro leiloado em 2018 é um dos dos três Porsche 959 inscritos pela fabricante alemã na edição de 1985 do Rali Paris-Dakar. O modelo foi o primeiro dos 959 Dakar a ser oferecido ao público desde que foi criado no final de 1984 e, por isso, acabou vendido por US$ 5,95 milhões.

O exemplar em questão foi usado pelos vencedores do Dakar de 1984, René Metge e Dominique Lemoyne. Apesar da experiência da dupla, o carro não terminou a prova devido a uma falha no sistema de lubrificação. Além deste exemplar, a Porsche fez outros cinco 959 Dakar (três para 1985 e três para 1986), e somente um foi destruído. Dos carros sobreviventes, três estão em coleções particulares e outros dois são mantidos pela Porsche.

Os 959 Dakar eram equipados com o inovador sistema de tração nas quatro rodas da marca, porém em vez de um flat-6 turbo de 2,85 litros como os 959 de rua, estes modelos eram equipados com o 3.2 aspirado do 911 Carera para lidar melhor com o calor e a demanda de resistência dos desertos e savanas africanas.

 

Ferrari 250 GT TdF Berlinetta 1958 – US$ 6,6 milhões

Nascida em uma época em que os GT de rua também disputavam corridas de endurance, este exemplar da 250 GT TdF competiu na Targa Florio de 1958 e na subida de montanha Trieste-Opicina naquele mesmo ano. Com carroceria Scaglietti e o lendário V12 Colombo de três litros sob o longo capô, esta TdF foi arrematada por US$ 6,6 milhões depois de passar 52 anos com o mesmo proprietário.

 

Ferrari 275 GTB Speciale 1965 – US$ 9 milhões

A Ferrari 275 GTB é relativamente comum para uma Ferrari dos anos 1960. Foram feitos mais de 1.000 carros somando todas as variações, mas nenhum deles é como esta Ferrari 275 GTB. Ela foi feita para o próprio Battista Farina, que projetou o carro a pedido de Enzo Ferrari e, por isso, acabou arrematada por US$ 8,09 milhões — pouco abaixo dos US$ 9 milhões previstos pela Gooding & Co.

A Ferrari 275 GTB também foi a escolha de Enzo Ferrari para seu carro de rua (quando ele não estava usando Minis ou Peugeots), mas este modelo de Battista Farina é especial: ele é um dos dois únicos protótipos de pré-produção do carro, com carroceria feita por seu próprio estúdio, em vez de ter sido modelada por Scaglietti.

As diferenças são sutis, mas você as encontrará se olhar com atenção: há um difusor traseiro, os faróis têm forma ligeiramente diferente, bem como o capô, as maçanetas e elementos do interior. Farina ficou com o carro por pouco tempo: ele foi apresentado em 1964 e Farina morreu em 1966. Logo após sua morte o carro foi vendido e passou por diversas garagens antes de chegar em 1993 ao proprietário que a leiloou.

 

Ford GT40 Mk II 1966 – US$ 9,8 milhões

Este é nada menos que um dos três Ford GT40 usados na edição de Le Mans de 1966, quando a Ford terminou a prova com os três primeiros lugares. Foi justamente este exemplar do GT40 que fechou o pódio, completando as 24 horas de prova em terceiro lugar. E isso é tudo o que precisa ser dito sobre ele.

Pilotado por Ronnie Bucknum e Dick Hutcherson, ele não tem o mesmo pedigree dos dois primeiros, mas entrou para a história ao cruzar a linha de chegada ao lado dos outros dois irmãos. Por isso ele saiu razoavelmente “barato” para um ícone de Le Mans: US$ 9,8 milhões.

Depois de Mans, ele apareceu no Goodwood Festival of Speed e no Revival, além dos eventos de pista em Monterey e foi a escolha popular do concurso de Pebble Beach em 2003.

 

Aston Martin DB4GT Zagato 2 VEV 1961 – US$ 10,08 milhões

Um dos carros mais famosos da Aston Martin, este DB4GT Zagato não tem mais sua carroceria original depois que Jim Clark a destruiu no segundo Tourist Trophy em Goodwood, mas mesmo assim seu histórico nas pistas e sua relevância histórica o colocaram como o quinto carro mais caro leiloado em 2018.

Não é para menos: além de ser o protagonista do acidente mais famoso de Goodwood, ele também foi um dos três únicos DB4GT Zagato produzidos. E como se não bastasse a panca fenomenal entre Clark e Surtees, em 1993 ele sofreu outro acidente na Ilha de Man, que também não foi empecilho para atingir US$ 10,08 milhões no leilão do Festival of Speed em Goodwood.

 

Aston Martin DP215 1963 – US$ 21,5 milhões

Apesar da quarta posição, o Aston Martin DP215 Grand Touring se tornou o segundo carro britânico mais caro da história. O modelo é um protótipo de exemplar único que competiu nas 24 Horas de Le Mans de 1963, que foi leiloado em agosto pela RM Sotheby’s em Monterey. O preço? US$ 21,5 milhões.

O DP215 foi concebido para disputar Le Mans na classe GT e era o que a Aston tinha de mais avançado na época em termos de motor e aerodinâmica. Isso fez dele o carro mais rápido naquela edição das 24 Horas, chegando a 320 km/h na Hunaudières. Infelizmente, ele não terminou a prova porque seu câmbio se mostrou frágil demais para o 4.0 e abandonou a corrida com apenas duas horas.

Depois de correr mais uma prova (e abandoná-la também), o carro acabou vendido e teve seu conjunto de motor e câmbio substituídos pelo powertrain do DB6 e, mais recentemente, por um Cooper-Aston de 4,2 litros. Em 2002, o motor original foi reinstalado no carro junto de uma reconstrução fiel do câmbio S532.

 

Duesenberg SSJ 1935 – US$ 22 milhões

O terceiro lugar da lista é ocupado por um dos representantes da luxuosidade sobre rodas americana que já não existe mais: o Duesenberg SSJ. Este exemplar em especial pertenceu ao ator Gary Cooper e atingiu os US$ 22 milhões no leilão de Pebble Beach deste ano, tornando-se o carro pré-guerra mais caro da história e também o carro americano mais caro já leiloado.

Além da propriedade célebre, este é um dos dois únicos Duesenberg SSJ fabricados, e o único com o entre-eixos curto de 125 polegadas. O outro SSJ foi para Clark Gable. Os dois usavam um motor de oito cilindros em linha com comando duplo e 400 cv — 80 cv a mais que o Duesenberg SJ, que já era o carro mais potente da época.

 

Ferrari 290 MM 1956 – US$ 22,05 milhões

Quando se fala em clássicos raros o histórico nas pistas sempre catapulta o valor de um exemplar. É o caso desta Ferrari 290 MM, que foi pilotada por Juan Manuel Fangio, Peter Collins e Stirling Moss enquanto foi um dos carros oficiais da Scuderia Ferrari, fez com que ela atingisse o preço de venda de US$ 22,005 milhões (foram os US$ 5.000 que a colocaram no segundo lugar…).

Além disso, ela é uma das três 290 MM que sobreviveram, e a única com a carroceria Scaglietti original restaurada pela Ferrari Classiche, com o motor Tipo 130 (V12 de 3,5 litros) e o câmbio de cinco marchas originais (matching numbers).

A 290 MM foi concebida para quebrar o domínio da Mercedes nos anos 1950, mas só foi usada pela Scuderia depois que os alemães se retiraram do automobilismo devido à tragédia de Le Mans. Ficou em segundo na Mille Miglia de 1956, quarto na Targa Florio e terceiro nos 1.000 Km de Buenos Aires antes de ser vendida a Stirling Moss, que a utilizou em sua equipe particular.

 

Ferrari 250 GTO 1962 – US$ 48,4 milhões

É claro que o primeiro lugar desta lista acabaria com uma das 39 Ferrari 250 GTO. O chassi 3413 foi arrematado por US$ 48,4 milhões, tornando-se o carro mais caro já leiloado não somente em 2018, mas em toda a história, superando uma outra Ferrari 250 GTO (3851GT) em mais de US$ 10 milhões.

O motivo do preço é o histórico nas pistas combinado ao nível de originalidade. Ela foi usada pelo então recém-campeão de F1 Phil Hill durante os treinos para a Targa Florio de 1962. Depois da corrida o carro foi vendido ao cliente da Ferrari Edoardo Lualdi-Gabardi, que disputou mais dez corridas, vencendo nove delas. Em 1963 Gabardi vendeu o carro para Gianni Bulgari, que venceu sua categoria na Targa Florio de 1963 e 1964.

Depois disso a Ferrari ainda disputou mais 20 corridas sem nenhum incidente e, por isso, mesmo com mais de 50 anos, ainda mantém o motor, caixa, eixo traseiro, e a carroceria original da Série 2, feita pela Carrozzeria Scaglietti em 1964 a mando da própria Ferrari.

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