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Estes vídeos provam que Walter Röhrl é o piloto que todos nós queríamos ser

Diversos nomes lendários do automobilismo nos deixaram antes da hora, como Colin McRae, Ayrton Senna e Stefan Bellof (este, realmente cedo demais). Outros, porém, nos dão a alegria de continuar entre a gente até hoje, pilotando com tanto vigor quanto antigamente. Entre estes caras, está o alemão Walter Röhrl, lenda do rali pela Audi nos anos 1980 que hoje é um dos pilotos de testes da Porsche: de seus 69 anos de vida, comemorados no último dia 7 de março, já são 48 dedicados ao automobilismo. Ou seja: o cara já fez muita coisa no volante!

Nascido em 1947 na cidade de Regensburg, Röhrl começou a trabalhar bem cedo, aos dezesseis anos, para o diretor comercial da Diocese de Regensburg. Assim que tirou sua carteira de habilitação, tornou-se seu motorista, e não demorou para que ele demonstrasse habilidade e desenvolvesse uma grande paixão pela direção — algo que só rivalizava com seu gosto pelo esqui.

Röhrl quase se tornou esquiador profissional, e chegou a ser instrutor de esqui por alguns anos, mas por sorte a vontade de acelerar falou mais rápido. Em seu trabalho como motorista, Röhrl dirigia mais de 120 mil km por ano. Em 1968, aos 21 anos, participou de seu primeiro rali. Seu carro? Um Fiat 850 Coupe!

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Foi o início de uma carreira impressionante, que começou na Opel e passou por Fiat, Lancia e Audi e rendeu nada menos que 14 vitórias no WRC, o Campeonato Mundial de Rali. Destas, quatro foram no Rali de Monte Carlo entre 1980 e 1984, pelas quatro equipes em que correu. Em 1980, foi com o Fiat 131 Abarth; em 1982, com o Opel Ascona 400; em 1983, foi a vez do Lancia 037 e, finalmente, em 1984 com o Audi Quattro A2.

Röhrl não competiu em Monte Carlo em 1981 mas temos certeza de que ele teria vencido também. É que ele estava ocupado demais participando das 24 Horas de Le Mans com o Porsche 944, revezando com o conterrâneo Jürgen Barth. Eles foram os sétimos colocados na classificação geral, mas venceram em sua categoria, a GTP+3.0.

Röhrl sempre foi bastante exigente na hora de escolher os eventos dos quais participaria, e talvez por isto não tenha acumulado mais vitórias. De qualquer forma, ele parece viver exclusivamente para sentar-se ao volante, colocar o pé direito no acelerador e demonstrar toda sua habilidade, que impressiona por ser tão natural. Ainda que trabalhe como piloto de testes sênior para a Porsche há mais de uma década, Röhrl jamais declinou convites de outras fabricantes e associações de automobilismo para exibir tudo o que sabe. O resultado? Há centenas de vídeos dele ao volante dos mais variados bólidos. E, mesmo beirando os setenta, ele continua testando seus próprios limites — e os do carro.

rohrl quattro

Confira agora alguns dos melhores momentos de Walter Röhrl fazendo aquilo no que é especialista: pilotar rápido. Quer jeito melhor de aproveitar sua tarde de sábado?

Vamos começar bem: foi ao topar com o vídeo acima que tivemos a ideia de fazer este post. Trata-se de um evento histórico em 2010, na Alemanha, no qual Röhrl pilota um Porsche 904 Carrera GTS. O sucessor do 718 (sobre o qual já falamos aqui) foi o primeiro Porsche a usar chassi do tipo escada e carroceria de fibra de vidro. O motor era um flat-four de dois litros e 200 cv, ligado a uma caixa manual de cinco marchas — mais que suficientes para chegar aos 100 km/h em seis segundos, com máxima de 260 km/h.

Pesando apenas 655 kg, o Porsche 904 também era uma cadeira elétrica, mas Walter Röhrl consegue controlá-lo magistralmente e ainda faz a traseira escorregar como se fosse a coisa mais fácil do mundo. E este ronco, meus amigos?

 

Aqui, vemos Röhrl ao volante do 904 em outra ocasião, com filmagem em diversos ângulos. Porque este tipo de coisa nunca é demais, concorda? Destaque especial para o suéter do FlatOut da Martini Racing!

 

O vídeo pode ser em alemão e não ter legendas, mas nem por isto você vai deixar de apreciar Walter Röhrl ao volante do Fiat 131 Abarth com o qual venceu o título de 1980 do WRC — seu primeiro, e terceiro dos italianos. O motor 2.0 com comando duplo no cabeçote tinha nada menos que 230 cv, e você pode ler tudo sobre o carro neste post!

 

Com um quatro-cilindros de 2,1 litros com turbo e mais de 300 cv sob seu comando  Walter Röhrl garantiu o título de 1983 no WRC ao volante do Lancia 037. Aqui, vemos o experiente piloto no Rallye Eifel, na Alemanha, evento dedicado apenas às verdadeiras lendas dos ralis.

 

Mas você quer saber o que é realmente fodástico? O Audi Quattro S1 E2, versão mais extrema da lendária máquina alemã, com o qual Röhrl venceu a subida de montanha de Pikes Peak em 1987. Com entre-eixos mais curto, aerodinâmica mais complexa e mais de 600 cv em seu motor cinco-cilindros turbinado, Röhrl levou 10:47,85 para alcançar as nuvens. O reencontro foi filmado em 2010 — 23 anos depois —, e o piloto ainda demonstra plena forma. Talvez ele até tenha envelhecido melhor que o carro…

 

Falando em Audi Quattro, saca só esta filmagem de época com Röhrl ao volante da versão de 1985. Feito durante o Rali de Portugal naquele ano, o vídeo dá destaque ao trabalho de Röhrl com os pés — perfeito para quem gosta de apreciar um bom punta-tacco, intercalado com frenagens com o pé esquerdo, feito por quem realmente entende do assunto.

 

Agora, você já viu Röhrl pilotando um Chevette? Foi mais ou menos isto o que aconteceu nos anos 1970, quando ele era piloto da equipe de fábrica da Opel. O carro era um Kadett GT/E cupê de terceira geração — a mesma que deu origem a nosso querido Chevettinho. E o carro era venenoso, para a época, com um motor 1.8 dotado de comando no cabeçote, injeção de combustível Bosch e 160 cv.

 

Incrível mesmo é ver como Röhrl é tão habilidoso no asfalto quanto nos ralis. E que melhor palco para isto do que o Inferno Verde? Veja-o destrinchar o Nürburgring Nordschleife em menos de nove minutos ao volante do Porsche 911 Carrera RS 3.0, versão aliviada lançada na década de 1970 que era movida por um flat-six de três litros e 230 cv — que precisavam empurrar apenas 900 kg de carro. Dizem que você deve ter muito cuidado ao guiar um 911 das antigas pelo fato de não haver quaisquer babás eletrônicas em um esportivo de motor traseiro, mas a gente acha que o 911 é que devia ter cuidado com Walter Röhrl…

 

Para mostrar que ainda está em plena forma, Walter Röhrl testa aqui o Porsche 918 Spyder, com todos os seus 887 cv vindos do motor V8 aspirado de 4,6 litros, mais três motores elétricos. E é claro que o palco também foi o Nürburgring Nordschleife!

 

Por fim, não há como colocar aqui um dos vídeos onboard mais recentes de Walter Röhrl — um passeio para lá de animado com o selvagem 911 GT3 RS, movido por um flat-six que desloca quatro litros para produzir 500 cv e 46,7 mkgf de torque — sem ajuda de turbos. É o suficiente aos 100 km/h em 3,3 segundos, aos 200 km/h em 10,9 segundos e fazê-lo cumprir o quarto-de-milha em apenas 11,2 segundos. A velocidade máxima é limitada a 320 km/h. E Röhrl nem se incomoda com a ausência da caixa manual!

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