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Car Culture Dunlop

Estilos e culturas: Eurolook e German Look

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Eurolook, German Look, JDM, muscle car… estilos diversos que refletem a riqueza cultural que existe no universo automotivo. Nesta série, apoiada pela atitude da Dunlop de valorizar o estilo próprio de cada carro e dono, passearemos por algumas páginas da história de cada uma destas escolas. Para finalizar, mostraremos algumas das rodas mais utilizadas – pois elas são as molduras dos nossos quadros motorizados. Vamos começar com os dois primeiros?

O termo Eurolook é usado em todo o mundo, mas não é tão comum fora do Brasil. Trata-se de uma derivação mais livre do German Look (ou German Style), cujas história está enraizada há muitas décadas atrás na Alemanha, na preparação dos Kafer (o nosso Fusca) com peças de Porsche. Na década de 1960, muitos eram equipados com os componentes mecânicos do 356 (posteriormente, do 912 e do 914) – incluindo o motor boxer quatro cilindros destes modelos – e um ou outro toque estético de Porsche, como as rodas de ferro, instrumentos do painel e volante. Esteticamente, o resultado ficava próximo aos carros de rali e de provas de subida de montanha.

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Mas na década de 1970 e principalmente nas de 1980 e 1990, o caldo engrossou: para-lamas alargados, rodas maiores (preferencialmente dos Porsche 911 modernos), freios enormes, cores da marca de Stuttgart e até kits aerodinâmicos começaram a ser usados nas carrocerias dos besouros – por conta da funcionalidade mais extremada, a aparência dos carros acabou adquirindo um estilo próprio, muito mais agressivo. Muitos eram inspirados ou derivados diretamente dos carros de corrida da Kafer Cup, o que explica a ausência de frisos e de peças cromadas neste estilo.

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Contudo, a cultura de modificação dos Kafer fazia parte de um cenário mais amplo e complexo na Alemanha, quando o diálogo entre os autódromos e as ruas ganhou forma de namoro. Vamos começar com os próprios fabricantes de automóveis e seus modelos de homologação. Na década de 1970, os carros de turismo da Alemanha começaram a sofrer mutações assustadoras: quem não se lembra dos bombados e agressivos BMW 3.0 CSL (foto abaixo) e dos Porsche 911 RSR? Na década de 1980, o BMW M3 E30 impressionava com seus para-lamas alargados e, em 1990, o mundo conheceu o Mercedes-Benz 190E 2.5-16 Evolution II. Em comum, todos eles tinham design 100% funcional e agressivo, além de rodas esportivas e grandes e gordos pneus.

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Em paralelo às fábricas, a Alemanha sempre foi a terra das preparadoras extremas – quase todas com história no automobilismo. Kremer (1962), Alpina (1965), AMG (1967), AC Schnitzer (1987), Brabus (1977), Ruf (1983) são seis de mais de cinquenta empresas que existem até hoje. Da mesma forma que os Kafer preparados, os carros destas preparadoras tinham um estilo diferenciado em decorrência da funcionalidade. Rodas e pneus enormes, suspensão com carga e geometria alterada, body kits aerodinâmicos – apesar de algo exagerados visualmente, tudo era funcional e tinha um propósito.

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RUF CTR “Yellow Bird” 1987: 476 cv, 56,3 mkgf de torque, zero a 100 km/h em 3,7 segundos, máxima de 340 km/h

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Porsche DP935, inspirado nos 935 Kremer de competição. Violência funcional

É nesta relação híbrida entre o automobilismo profissional e os carros de rua que está o DNA do German Look.

 

Street Culture e a salada

Mas todo movimento cultural e de estilo é orgânico, mutável e portanto, influencia e recebe influência direta do ambiente. O German Look da década de 1980 e 1990 não é o mesmo de hoje – independentemente do modelo do carro. A febre de personalização e da estética extrema do fim da década de 1990 (que veio de antes do “Velozes e Furiosos”, mas que explodiu em todo o mundo por conta do filme) acabou por criar muitas derivações dentro daquilo que era entendido como German Look, com um pouco mais de peso no lado do estilo do que da funcionalidade – mas mantendo algo do racing heritage, a influência direta da cultura do automobilismo alemão.

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É por isso que, quase por definição, quando pensamos em um carro German Look, nos lembramos de rodas BBS RS (foto acima) em qualquer tipo de carro alemão, ou em rodas Fuchs ou as famosas Phone Dial adaptadas nos VW Kafer. São peças com história esculpida nas pistas. Isso também explica por que todo carro German Look tem suspensão rebaixada, um suave toque de cambagem negativa, motor apimentado e, se feito de forma rigorosa, traz generosos discos de freios. O monocromatismo na carroceria, eliminando acabamentos cromados, plásticos pretos e emblemas, remete aos carros de competição e aos seus componentes aliviados.

Contudo, como falamos acima, a influência das ruas e da moda da personalização trouxe vertentes a este cenário. Algumas destas vertentes incorporam os elementos principais do German Look, como o minimalismo e a preparação mecânica, mas o elevam ao ponto do exagero: muita cambagem negativa, suspensão socada e rodas de tala bem maiores do que os próprios pneus (o que resulta no tal do “stretch”, que é quando os flancos do pneu se invertem para fora devido ao excesso de largura do aro) deixam o carro visualmente bem mais agressivo e chamativo, ao custo significativo de funcionalidade. Abaixo, temos um BMW Série 3 E30 rebaixado, com rodas BBS e pneus esportivos – a descrição é a mesma do M3 vermelho aí em cima, mas na prática, o resultado é bem diferente. No meio de todas estas concessões e influências de outros estilos, surgiram sistemas de som de alta fidelidade, racks de teto, sticker bombs e pinturas customizadas.

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No fundo, muitos dos carros que são chamados de Eurolook por aí sofreram forte influência dos extremados Stanced e Hellaflush (socados e com ângulos de cambagem de dar convulsões em engenheiros), apenas pegando emprestados elementos como as rodas de competição alemãs e certo minimalismo visual. Se nunca foi fácil definir exatamente o que é cada estilo, hoje esta é uma missão quase impossível. A coisa cresceu e deu origem a tantas variantes que falar em German Look é quase como falar em rock: ambos compartilham a mesma árvore genealógica, mas os galhos podem ser tão distantes quanto Rolling Stones e Sodom.

 

Do German para o Eurolook

Os desdobramentos desta cultura se expandiram de forma tão ampla que, aos poucos, começaram a incorporar carros que não eram alemães. Nisso também muito ajudou a internet, tanto pela disseminação de reportagens e fotografias, quanto pela possibilidade de se importar peças de qualquer lugar do mundo. No Brasil, geralmente o termo “German Look” acaba sendo mais usado em seu significado de raiz (os VW Fusca modificados ao estilo do começo desta reportagem), enquanto que o “Eurolook” é mais permissivo: virtualmente qualquer marca e tipo de carroceria – de um típico VW Golf a um Ford Fusion – pode ser customizado (preferencialmente mantendo-se o intercâmbio de peças dentro do mesmo grupo da marca), a suspensão pode ficar apenas no apelo estético ou ser funcional com pegada racing, pneus de track day com composto “R” e perfil mais alto ou pneus de perfil extremamente baixo com stretch… no fim das contas, o Eurolook pode descrever tanto o carro de um poser quanto o de um monstro das ruas.

Nossa preferência é por carros que mantenham a proposta original de agressividade funcional do German Look, mesmo não sendo alemão. Apesar de toda essa salada, em nossa opinião algumas coisas continuam sendo essenciais para um carro defender a bandeira dos German Look e Eurolook: alguma preparação mecânica, suspensão rebaixada, certo minimalismo visual com toque racing e, claro, grandes pneus esportivos calçando rodas com design clássico e aros razoavelmente proporcionais às caixas de roda (foto abaixo: Alexandre Ruske). Mas quem somos nós para impor regras? O importante é cada um curtir o seu carro da forma que quer – seja 100% funcional, 100% estilo ou tudo o que existe no meio.

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Abaixo, temos algumas das rodas mais utilizadas no estilo Eurolook. Para calçá-las, a Dunlop recomenda os modelos esportivos SP Sport Maxx, Direzza DZ101 e SP Sport LM 704 (clique nos nomes para acessar as páginas com os tamanhos disponíveis e as fichas técnicas dos pneus).

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Porsche Turbo (993)

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Rotiform BLQ (OBS: esta roda é mais usada nas customizações com pegada menos funcional)

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BBS RS-GT

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Porsche Cup Three-Piece

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BBS RS

Como sempre, gostaríamos de ouvir de vocês: quais são as rodas que você usaria em um carro com pegada German / Eurolook?

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