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Eurobeat: a história da música eletrônica que embala Initial D

Graves pulsantes. Batidas rápidas. Vocais intensos, dramáticos como óperas. Sintetizadores frenéticos e distorcidos, acompanhados de guitarras que parecem ter saído de uma daquelas bandas farofeiras dos anos 80 ou de um CD de power metal. Tudo isto como trilha sonora para pegas de drift nas estradas montanhosas do Japão.

Se você é fã de Initial D, sacou que estamos falando do Eurobeat mesmo que tenha passado direto do título deste post. A trilha sonora do clássico anime tem tanta importância para seus fãs quanto os personagens e seus carros. Os duelos não seriam os mesmos sem “No One Sleeps in Tokyo” ou “Déjà Vu” – canções perigosíssimas de se ouvir ao volante, se é que você me entende…

Mas de onde vieram estas canções eletrônicas grudentas, fáceis de decorar, e tão cheias de energia? Por que os japoneses gostam tanto de um estilo chamado Eurobeat? E quem faz estas músicas?

DÉJÀ VU! I HAVE BEEN IN THIS PLACE BEFORE!

Calma, pequeno gafanhoto. A gente já vai responder a todas estas perguntas.

O Eurobeat, como você deve ter deduzido, surgiu na Europa na década de 1980. Mais especificamente, na Itália, onde havia uma cena muito forte de Italo Disco – música eletrônica influenciada pela disco music dos anos 1970, porém mais rápida e empolgante. Por alguma razão, os alemães também gostavam de fazer Italo Disco, com destaque para um grupo chamado Arabesque, que se desfez em 1984.

As músicas do Arabesque ficaram muito populares no Japão, e isto continuou mesmo depois que o grupo acabou. Os produtores de Italo Disco perceberam ali uma oportunidade, e começaram a criar composições naquele mesmo estilo especificamente para o mercado japonês. O Eurobeat tornou-se o estilo favorito em casas noturnas de Para Para, um estilo de dança no qual se move muito mais os braços do que as pernas, normalmente em dupla e de forma sincronizada, e sempre havia demanda por novas músicas e coreografias. Assim, enquanto a cena europeia se diversificava em estilos como o trance e a house music, um dedicado grupo de gravadoras do norte da Itália seguia produzindo músicas para as danceterias japonesas.

Um deles era Dave Rodgers, pseudônimo de Giancarlo Paschini. Ele não criou o Eurobeat, mas foi um dos responsáveis pela divulgação do estilo musical e por popularizar a receita: melodias com progressões “épicas”, vocais intensos, tempo 4/4 e levadas de 138 a 185 bpm, acompanhados dos sintetizadores e guitarras que já citamos ali em cima.

Em alguns casos, os títulos das músicas eram iguais aos de canções conhecidas no resto do mundo, como “Eye of the Tiger”, do Survivor; “Like a Virgin”, da Madonna, ou “Station to Station” do David Bowie, mas as músicas em si não tinham nada a ver com as originais além do nome. Na maioria das vezes, porém, os nomes das canções eram retirados diretamente das letras, que eram extremamente simplistas e às vezes, nem faziam muito sentido. Havia, contudo, alguns temas favoritos dos compositores eram carros e corridas (“The Race is the Game”, “The Race of the Night”, “The Race is Over”, “Car of Your Dreams”); energia e animação; (“Adrenaline”, “Power”, “Energy”; amor e sentimentos (“Love is danger”, “Crazy for Love” e coisas assim); o Japão (“No One Sleeps in Tokyo”) e a música em si (havia um monte de canções chamadas simplesmente “Eurobeat” e “Super Eurobeat”).

We are running in the nineties, is a new way to set me free / I’m just running in the nineties / Yes I wanna know, yes I wanna see – eram letras simples de fácil assimilação, escritas em inglês por italianos

Estamos nos referindo a estas músicas no passado, mas a verdade é que o estilo anda bem vivo. Rodgers foi um dos responsáveis por manter viva a cena do Eurobeat depois da virada dos anos 90. Percebendo que as músicas estavam perdendo a popularidade, Rodgers criou a coletânea Super Eurobeat, que desde então já teve mais de 250 volumes lançados e sempre conta com novas canções – muitas delas, compostas, gravadas e produzidas pelo próprio Rodgers.

Outros artistas italianos também participam de canções de Eurobeat como projetos paralelos. Um dos exemplos mais conhecidos é Fabio Lione, vocalista da banda italiana de power metal Rhapsody of Fire (e também do grupo brasileiro de metal progressivo Angra). Aliás, o Eurobeat tem muitos elementos em comum com o power metal – as vocalizações intensas, o ritmo rápido e as melodias épicas já estão ali. Tanto que a voz de Lione (que é conhecido no meio Eurobeat como “J. Storm”) combina perfeitamente com ambos os estilos.

Aliás, é comum também que músicos do metal participem de gravações de Eurobeat. Dave Rodgers mesmo já convidou Kiko Loureiro, guitarrista do Angra (e do Megadeth) para algumas de suas faixas:

Agora, o Eurobeat seria praticamente desconhecido fora das discotecas do Japão se não fosse por Initial D. E é graças a esta demanda que o estilo permanece como um dos mais prolíficos da música eletrônica.

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