A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Achados meio perdidos GT40 Classificados Zero a 300

Ferrari Dino 308 GT4: a primeira Ferrari com motor V8 central-traseiro, à venda no Brasil

Há poucos dias, mostramos aqui no FlatOut uma Ferrari 308 GTSi transformada em 288 GTO – uma conversão muito bem feita e bastante convincente, diga-se. Agora, garimpamos outra Ferrari 308 no GT40.com.br! Desta vez, um exemplar original da Ferrari 308 GT4, primeiro cupê 2+2 da companhia de Maranello, e o primeiro carro com motor V8 central-traseiro feito pela marca.

Se você achou o perfil da GT4 2+2 diferente das outras Ferrari na época, isto se deve a duas coisas: à própria configuração 2+2, que exigiu um entre-eixos mais longo para acomodar os dois bancos individuais traseiros; e ao fato de este modelo ter sido projetado Por Marcello Gandini no estúdio Bertone, e não pela Pininfarina como de costume.

308-gt4 (10)

A semelhança com o Countach é inegável

Lamborghini Countach e Jalpa, Lancia Stratos, Alfa Romeo Montreal. Não precisa olhar por muito tempo cada um deles para encontrar elementos semelhantes nas Ferrari da época. Repare no formato do para-choque dianteiro, por exemplo; ou nas molduras das lanternas traseiras em acrílico transparente, além do formato da grande área envidraçada.

308-gt4 (2)

A Ferrari 308 GT4 nasceu como Dino 308 GT4. Ela foi a sucessora da Dino 246, que foi a primeira Ferrari com motor central-traseiro (um V6 de 2,4 litros e 195 cv) e a primeira produzida em grande escala. Utilizava como base o chassi tubular da 246, porém com entre-eixos aumentado (de 2.280 mm para 2.550 mm). Quando foi lançada, em 1973, a 308 GT4 também utilizava o nome Dino, passando a se chamar Ferrari 308 GT4 em 1976.

O motor V8 de três litros a 308 GT4 é, em essência, uma versão com dois cilindros a mais do motor V6 usado pela Dino 246, dotado de comando duplo nos cabeçotes e duas válvulas por cilindro.

Com 2.928 cm³ de deslocamento e virabrequim de plano, o V8 tem um ronco completamente diferente daquele produzido por um motor V8 de muscle car. Isto se deve ao virabrequim de plano simples, que é mais leve e modifica totalmente aspectos como a ordem de ignição e as vibrações do motor. A pulsação no sistema de escape é totalmente diferente, e o ronco é mais anasalado e agudo.

308-gt4 (8)

Alimentada por quatro carburadores Weber 40 de corpo duplo, a  308 GT4 dispunha de 258 cv a 7.700 rpm e 28,9 mkgf de torque a 5.000 rpm. Com câmbio manual de cinco marchas, era capaz de chegar aos 100 km/h em 6,7 segundos, com máxima de 257 km/h. Seus 4.300 mm de comprimento e 1.740 mm de largura faziam dela uma das Ferrari mais compactas da época e, graças a seus quatro lugares (ainda que o banco traseiro fosse meio apertado), a GT4 também é bastante prática se comparada a outros cupês da marca.

308-gt4 (4) 308-gt4 (7)

O interior também tinha identidade própria, com formas mais arredondadas e “encorpadas” do que os carros com design Pininfarina

O exemplar que está anunciado no GT40.com.br foi fabricado em 1974, o que significa que originalmente usava emblemas da Dino. Agora, esta 308 GT4 exibe emblemas Ferrari (legítimos), modificação comum nestes carros pois, no meio dos colecionadores, há quem não considere os carros anteriores a 1976 como “Ferrari de verdade”. Na nossa opinião, isto não é verdade – nada desabona o valor histórico das Dino, vide o fato de as 246, sempre renegadas por não serem “Ferrari de verdade”, hoje estão entre os mais valorizados no mercado.

308-gt4 (5) 308-gt4 (6)

A 308 GT4 de especificação europeia (nota-se pelos para-choques mais harmônicos, e não os gigantescos para-choques retráteis do modelo americano) está no Box 54, em Araçariguama, e era “hóspede” do estabelecimento havia cerca de dois anos. Seu dono resolveu vendê-la agora.

308-gt4 (3) 308-gt4 (9)

Pintura e interior são originais e estão em muito bom estado – há pequenas e quase imperceptíveis marcas de uso, plenamente aceitáveis em um carro fabricado em 1974. O motor também é totalmente standard, com pouco mais de 100.000 km rodados. O carro é mantido sempre em plena condição de funcionamento, com manutenção mecânica, elétrica e de suspensão/freios/pneus. Dito isto, é claro que revisão básica e um serviço de detailing não fariam mal. Nunca fazem.

Se você curtiu a ideia de ter uma rara Ferrari Dino 208 GT4, é só passar lá no GT40.com.br e pegar todos os detalhes!

inbanner-fim-post


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios do GT40.com.br de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios nem pelas negociações decorrentes – todos os detalhes devem ser apurados atenciosamente com o anunciante!

Matérias relacionadas

Mercedes confirma 2.0 de 421 cv para o novo AMG A45, Bentley quer recorde em Pikes Peak, Fiat Toro muda (mas não muito) para 2020 e mais!

Os carros de até R$ 15.000 mais legais anunciados no GT40

Dalmo Hernandes

Volkswagen Taro: quando a Toyota Hilux virou uma picape alemã

Dalmo Hernandes