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Ferrari GTC4Lusso: a nova V12 da marca é o jeito certo de se fazer uma shooting brake

Quando a Ferrari FF foi lançada em março de 2011, ela trouxe a receita clássica dos grã-turismo da marca: motor V12 central-dianteiro e espaço para quatro ocupantes e sua bagagem. Tem sido assim desde 1948, quando a Ferrari 166 Inter foi lançada. O problema é que a tradição chegou em uma embalagem um pouco diferente: o carro era uma shooting brake com tração integral. Como em todo o caso em que se quebra ou modifica uma tradição, a FF dividiu opiniões — até porque a Ferrari já teve soluções melhores de design.

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Mas o tempo passou e nós acostumamos com ideia de uma Ferrari em forma de perua e com tração integral e até aprendemos a gostar dela. Agora, depois de cinco anos de estrada, a FF foi completamente renovada: ganhou novo motor, novos sistemas eletrônicos, visual novo e até um novo nome. E querem saber? Depois de conhecê-la melhor, só queremos saber por que a Ferrari não fez isso antes.

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A primeira novidade é que a Ferrari abandonou o simplório nome “FF”, sigla para Ferrari Four, em favor de algo mais refinado e ligado a linhagem história dos GT de quatro lugares: GTC4Lusso. Repita com sotaque italiano: gi-ti-tchi-quattro-lusso. Elegante, não?

A sigla GTC, por exemplo, remonta à 330 GTC dos anos 1960 e à 365 GTC/4 dos anos 1970. Lusso é o sobrenome daquela que é considera a Ferrari mais elegante já feita, a 250 GT Lusso — essa que Steve McQueen teve nos anos 1960:

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Depois tem o motor V12. Na verdade ele não é realmente novo, e sim o mesmo F140 que estreou em 2002 na Enzo com seis litros e foi usado na FF em uma variação de 6,3 litros (6.262 cm³), mas agora ele trabalha com taxa de compressão 13,5:1 em vez de 12,3:1 e por isso a potência subiu de 660 cv para 690 cv a 8.000 rpm, enquanto o torque foi de 69,5 para 70,9 mkgf a 5.750 rpm (segundo a Ferrari o motor já produz 57 mkgf a 1.750 rpm).

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Com os upgrades do motor, a GTC4Lusso vai de zero a 100 km/h em 3,4 segundos (0,3 s a menos que a FF). A velocidade máxima não mudou: 334 km/h.

As mudanças mecânicas se estendem ao sistema de tração integral. Ele continua o mesmo 4RMEvo, porém agora com uma nova versão do controle de tração da Ferrari e uma novidade especial: um sistema de esterçamento das rodas traseiras. A Ferrari não o chamou de Passo Corto Virtuale neste primeiro momento, mas é provável que ele seja muito semelhante àquele usado na F12 TdF (veja como ele funciona aqui). Os sistemas trabalham todos em conjunto com os amortecedores eletrônicos e o diferencial também eletrônico. Segundo a Ferrari isso permite “o controle do torque impressionante da GTC4Lusso mesmo em pistas cobertas de neve, molhadas ou de baixa aderência”.

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Embora o visual seja apenas uma evolução da FF, o novo modelo conseguiu um resultado mais elegante e adequado ao seu novo sobrenome “Lusso”. A grade dianteira foi redesenhada e para integrar as pequenas tomadas de ar inferiores da FF e os respiros nos para-lamas agora são aletados, como na clássica Ferrari 330 GT 2+2.

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O capô tem um vinco em forma de V que dá mais agressividade à dianteira, como uma testa franzida. As laterais agora têm dois vincos bastante marcados — um estreito na parte superior e outro maior na parte de baixo (este último já presente na FF) — que certamente terão função aerodinâmica.

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Na traseira a GTC4Lusso tem um spoiler integrado ao teto que dá um aspecto mais fluido à junção da linha do teto com a traseira, que também afina a silhueta da traseira, fazendo o carro parecer mais baixo do que realmente é.

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Outra solução elegante para a GTC4Lusso foi a face traseira: as lanternas circulares agora são duplas e menores que na FF, e o mini-deck traseiro (reduzido a uma pequena aba acima das lanternas) reforça a noção de que as shooting brakes são cupês transformados em hatchbacks. Na parte inferior há um novo extrator de ar. De acordo com a Ferrari, todas estas mudanças resultam em um coeficiente aerodinâmico “substancialmente mais baixo” que na FF.

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Por último, e mais importante em um carro que leva o luxo no nome, estão as novidades da cabine. O layout de quatro lugares com o console central elevado e estendido até os bancos de trás permanecem os mesmos. As mudanças são um compartimento no console central para acomodar a chave presencial da GTC4Lusso, um novo sistema multimídia com tela de 10,2 polegadas desenvolvido pela Delphi e compatível com Apple CarPlay, e um medidor de forças G no mostrador do passageiro do sistema “dual cockpit” — algo inédito em uma Ferrari.

 

O volante também mudou e agora tem menor diâmetro graças ao um novo airbag mais compacto, e controles mais ergonômicos, como um novo Manettino e novos botões para o sistema de conectividade com o telefone.

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Ainda há muito a se descobrir a respeito da Ferrari GTC4Lusso — queremos detalhes do sistema de esterçamento das rodas traseiras, vídeos do modelo em ação, detalhes dos upgrades do motor e, claro, mais imagens. Contudo, teremos que esperar até o começo de março, quando a Ferrari irá apresentar o modelo no Salão de Genebra.

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