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Lançamentos Zero a 300

Ferrari Monza SP1 e SP2: as barchettas estão de volta e com o motor V12 mais potente já feito pela Ferrari

Sempre que uma nova Ferrari é lançada, todo o mundo automotivo se volta a Maranello e, mesmo que por alguns instantes, aquela é a única notícia que interessa. E quando são duas novas Ferrari? Pois foi exatamente o que aconteceu ontem, 18 de setembro, em uma reunião para apresentar seus resultados e o plano de negócios para os próximos quatro anos.

Parece assunto de bean counters e investidores, mas é nesse tipo de evento que as fabricantes mostram com bastante antecedência seus futuros lançamentos. E, se tratando da Ferrari, era óbvio que os italianos tinham preparado um mimo especial para os caras que financiam a companhia: a estreia oficial dos carros que marcam o início da estratégia de expansão da marca: as Ferrari Monza SP1 e SP2.

O plano também incluirá um supercarro com motor central-traseiro posicionado acima da 488 GTB; um SUV crossover chamado Purosangue, que deverá correr atrás do título de mais rápido do mundo (este era questão de tempo, mesmo) e também o lançamento de um V8 com tecnologia híbrida.

Mas vamos ao que interessa no momento (o plano será detalhado logo mais no Zero a 300): as duas novas Ferrari. Na verdade elas foram apresentadas no dia 17, em um evento mais intimista e fechado ao público – que contou com a presença dos carros que foram mostrados aos investidores no dia 18 e também de um exemplar na cor vermelha. Este terceiro carro ficou de fora da estreia oficial, mas há fotos dele nas redes sociais.

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Já especulava-se que um novo modelo chamado Ferrari Monza seria apresentado, mas no fim das contas os dois carros foram batizados Ferrari Monza SP1 e SP2. Enquanto “Monza” é uma homenagem às Ferrari Monza da década de 1950, que lhes serviram de inspiração no visual, “SP1” e “SP2” são referência à divisão Ferrari Special Projects – e não ao Volkswagen SP1/SP2, embora esta seja uma coincidência bem interessante por razões que vocês conhecerão mais tarde.

Tanto a Ferrari 750 Monza quanto a 860 Monza eram esportivos com motor V12 da década de 1950, e ambos tinham estrutura tubular e carroceria construída pela Scaglietti com desenho de Dino Ferrari. O primeiro usava um motor de três litros com comando duplo no cabeçote e duas válvulas por cilindro com carburador Weber e 240 cv, e venceu primeiro o Grande Prêmio de Monza, na Itália, em 1954.

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Já a Ferrari 860 Monza tinha um quatro-cilindros de 3,5 litros (deslocamento individual de 860 cm³, por isso seu nome) de cárter seco, também com comando duplo no cabeçote e duas válvulas por cilindro, alimentado por um par de Weber 58 DCOA/3 para entregar 280 cv a 6.000 rpm. O carro era uma evolução da 750 Monza, e ficou com a segunda e a terceira colocações na Mille Miglia de 1956.

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Agora, há outra Ferrari que foi claramente uma inspiração para a SP1 e a SP2: a 166 MM, feita em 1948 especialmente para provas de longa duração. Sua carroceria aberta, com um para-brisa tão pequeno que estava mais mais para defletor, inspirou o jornalista italiano Giovanni Canestrini a usar o termo barchetta (que siginfica “barquinho” em italiano) para descrever a Ferrari 166MM, que foi a estrela da marca italiana no Salão de Turim há 70 anos. Ela tinha um V12 de apenas 1,5 litro com três carburadores e 140 cv, e também foi o carro que inspirou a música “Red Barchetta”, da banda canadense de rock progressivo Rush.

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Pois então: ambas as Ferrari Monza, tanto a SP1 quanto a SP2, podem ser chamadas de barchettas de verdade: nenhuma delas possui para-brisa propriamente dito — eram defletores de vento, na prática —, deixando seus ocupantes totalmente expostos aos elementos, o que certamente proporciona uma experiência muito mais intensa ao volante.

Como você deve ter percebido pelas fotos, ambas são carros praticamente iguais no desenho da dianteira e na traseira, com uma diferença importante: a Monza SP1 tem o cockpit parcialmente fechado, enquanto a SP2 tem o banco do carona, acompanhado de um porta-luvas, uma saída de ventilação e um santo-antônio extras.

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No mais, estes são carros nos quais a Ferrari assumiu a opção por uma abordagem mais estética, sem se preocupar tanto com aparatos aerodinâmicos e dando tanta importância à forma quanto à função. Assim, o que se tem são proporções extremamente agradáveis, superfícies limpas e minimalistas e uma aura quase experimental quando se observa os faróis profundamente alojados nas cavidades da dianteira ou a lanterna traseira em peça única.

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Na carroceria foram usados componentes de fibra de carbono e Kevlar, as rodas de 21” são forjadas e a estrutura é a mesma da Ferrari 812 Superfast, que também cedeu seu conjunto mecânico à Monza. As dimensões dois dois modelos são idênticas: 4.657 mm de comprimento, 1.996 mm de largura e 1.155 de altura. O entre-eixos não foi divulgado, mas provavelmente é o mesmo da 812 Superfast, ou seja, de 2.720 mm.

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Dito isto, o V12 de 6.596 cm³ e um ângulo de 65° entre as bancadas de cilindros entrega 810 cv a 8.500 rpm e 73,3 mkgf de torque a 7.000 rpm – 10 cv e 0,1 mkgf de torque a mais que na 812 Superfast. É uma diferença pequena, mas basta para fazer da Monza a Ferrari de rua não-híbrida mais potente de todos os tempos.

Talvez porque a 812 lhe cedeu todo o conjunto mecânico, incluindo a caixa de dupla embreagem e sete marchas e o sistema Passo Corto Virtuale de esterçamento das rodas traseiras – e também por causa dos reforços estruturais que são aplicados aos modelos abertos – a Monza não é assim tão mais leve: o peso seco da SP1 é de 1.500 kg, enquanto a SP2 pesa 1.525 kg. No caso da 812 Superfast, o peso seco é de 1.525 kg.

De todo modo, a Ferrari Monza é capaz de ir de zero a 100 km/h em 2,9 segundos, de zero a 200 km/h em 7,9 segundos e tem velocidade máxima “superior a 300 km/h”.

Para garantir o conforto dos ocupantes na ausência do para-brisa, a Ferrari desenvolveu um sistema (patenteado, como a companhia faz questão de reforçar) chamado Virtual Wind Shield (“Para-brisa Virtual”, em tradução literal) – na prática, um defletor de ar camuflado na moldura do painel de instrumentos (e na frente do carona, no caso da SP2) que desvia o fluxo de ar em alta velocidade para garantir o conforto do (s) ocupante(s). O cockpit do motorista é idêntico nos dois modelos, trazendo um quadro de instrumentos digital com apenas o conta-giros físico e todos os comandos concentrados em um painel no console central.

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De acordo com a Ferrari serão feitos apenas 500 exemplares da Ferrari Monza, incluindo as duas variações. Será a estreia do programa Icona, que contará com outros modelos da divisão Special Projects inspirados por Ferrari icônicas (pun intended) do passado. O preço ainda não foi divulgado – isto acontecerá em outubro, quando a SP1 e a SP2 serão levadas ao Salão de Paris.

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