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Ferrari patenteia nova tecnologia eletrônica de direção

Nos últimos 15 anos os sistemas eletrônicos promoveram uma verdadeira invasão aos novos carros — esportivos ou não. Inicialmente, a eletrônica parecia matar o prazer de dirigir, e em muitos casos era realmente isso o que acontecia.

Felizmente, todas aquelas lembranças ruins que você tem da eletrônica em seu carro foram males necessários para chegarmos a um novo patamar de desempenho. Em resumo, a evolução da eletrônica permitiu não apenas carros mais seguros, mas também mais velozes, mais divertidos e, principalmente, cada vez mais precisos em termos dinâmicos.

Veja o 911 Turbo S, por exemplo: quando se pensava que a Porsche não teria para onde correr na evolução do desempenho, eles sacaram um diferencial com vetorização de torque e um sistema de esterçamento por demanda das rodas traseiras — eletrônico, claro. O resultado é um carro extremamente preciso nas curvas, capaz de desafiar a física e surpreender até quem já duvidava da possibilidade de evolução.

Agora que a eletrônica já arrumou os motores, a segurança e a tração, qual o próximo passo? Se depender da Ferrari, será o sistema de direção. As atuais caixas com assistência elétrica são a saída para reduzir as perdas mecânicas causadas por sistemas de assistência hidráulica, que também não ajudam na busca por motores cada vez mais econômicos e potentes.

O problema é que, com raras exceções, a direção elétrica ainda não tem o nível de precisão conseguido por um sistema hidráulico, ou puramente mecânico, especialmente no início da viragem do volante, onde a folga tende a ser maior e o peso menor do que esperados.

Para solucionar isso, a Ferrari patenteou um novo sistema que promete ser muito mais preciso do que qualquer outro já feito. E adivinhem só: ele abusa da eletrônica. Diferentemente do que a BMW já tentou fazer com seu Série 7, ele não elimina a ligação mecânica com as rodas, muito menos a mantém como backup em caso de falha.

Nos sistemas mecânicos de direção as ligações entre a coluna e a caixa de direção resultam em uma certa “falha de comunicação” entre o comando do motorista ao volante e as respostas das rodas dianteiras — um pequeno atraso entre a viragem do volante e o esterçamento das rodas devido ao trabalho das juntas e conexões mecânicas. Esse atraso resulta em uma inconsistência na força necessária para girar o volante em determinada condição.

FerrariF12

Com sua nova patente, a Ferrari pretende eliminar essa “falha de comunicação” usando um programa que lê o ângulo e o torque aplicado ao volante, processando-o antes de enviar o sinal a um servo-mecanismo elétrico que aplica a força proporcional à caixa de direção e às rodas.

A conexão ainda será mecânica, mas a assistência irá afinar a comunicatividade da direção, além de aliviar seu peso como em qualquer outro sistema. Segundo a patente, o sistema é simples e não será caro para implementar, uma vez que a direção continuará a mesma. Por isso também, o motorista não perceberá diferença no peso ou na viragem do volante, mas a força aplicada será transmitida de forma mais consistente.

Ainda é cedo para dizer se isso irá fazer uma real diferença na prática — a teoria é muito boa. A Ferrari contudo, não comenta registros de patentes e ainda não confirmou se esse sistema estará presente em algum modelo futuro. O que temos certeza é que eles já devem estar desenvolvendo esse sistema. A implementação deles certamente vai depender apenas dos reais benefícios observados em testes.

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