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Ferrari Portofino: a sucessora da California T tem um V8 biturbo de 600 cv – e sobrenome de Lamborghini

Em 2008, bem antes de sonhar em escrever para o Jalopnik Brasil, eu era redator publicitário. Trabalhava em uma agência de médio porte que era o oposto de tudo o que você sonha quando entra na faculdade de publicidade. Em vez de campanhas brilhantes e belas sacadas, 90% do trabalho era escrever manuais de GPS, spots de rádio e TV para concessionárias da Volkswagen e da Audi e revisar brochuras de “empreendimentos imobiliários”.

As construtoras e incorporadoras e afins, você já deve ter notado, sempre seguem temas para batizar seus condomínios. Algumas usam nomes de árvores nativas, outras usam nomes de cidades brasileiras, poetas famosos, flores, pedras preciosas e por aí vai. Aquela imobiliária para quem eu revisava brochuras decidiu usar nomes de lugares na Itália, porque seu proprietário era neto de italianos e decidiu homenagear sua origem. Via Reggio, Palazzo Toscano, Castelvecchio e… Portofino.

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Lembrei dessa época porque hoje, logo pela manhã, a Ferrari acordou o mundo com a sucessora da California T, batizada com o mesmo nome do condomínio com apartamentos de dois e três quartos com duas vagas de garagem a 15 minutos do centro que eu conheci há quase dez anos. Sim, o mais novo modelo de Maranello chama-se Ferrari Portofino, uma homenagem à comuna situada na Riviera Italiana, “uma das cidades mais belas da Itália, famosa por seu porto turístico encantador”, segundo a fábrica. Aparentemente a motivação para o nome foi a mesma das construtoras ao batizar seus edifícios: escolher um local chique e paradisíaco e dar seu nome à sua mais nova criação.

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Até agora a Ferrari vinha bem em suas novas nomenclaturas, com referências ao passado combinadas à evolução numérica: 488 GTB segue o padrão clássico do deslocamento por cilindro, combinado a uma sigla igualmente cheia de significado. 812 Superfast remete a um clássico dos anos 1960 e combina sua potência ao número de cilindros (800 cv, V12). GTC4Lusso é outra referência ao passado brilhante da Ferrari, assim como a California. Mas aí chegamos a Portofino e tudo o que eu consigo lembrar é de um condomínio qualquer. Até pensei na possibilidade de haver uma ligação de Enzo Ferrari com a cidade costeira. Nada.

Para piorar, Portofino é o nome de um conceito da Lamborghini apresentado em 1987. Dá para imaginar isso? Uma Ferrari com o nome de um conceito Lamborghini?

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Bem, ao menos é um nome melhor que California, se você considerar que a relação deste estado americano com os carros não é das melhores desde os anos 1970. Faz sentido que a Ferrari tenha deixado a California T para trás e voltado para casa nessa nova geração.

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Não se deixe enganar pelas proporções semelhantes e pelo mesmíssimo layout da California: a Portofino é construída sobre uma plataforma completamente nova, que a torna mais leve e mais rígida que sua antecessora. As dimensões são praticamente as mesmas, com um aumento de apenas 16 mm no comprimento, e 28 mm na largura. A altura é 4 mm mais baixa. É a diferença entre andar sozinho ou com um passageiro. A Ferrari não diz quanto peso o carro perdeu, mas ao menos nos consola com a distribuição de peso equilibrada de 46% na dianteira e 54% na traseira — um feito e tanto, se você considerar que o V8 fica lá na frente.

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Por falar nele, o 3.9 biturbo é praticamente o mesmo da California T e bastante semelhante ao V8 da 488 GTB, porém tem uma calibragem única para produzir exatamente 600 cv a 7.500 rpm e 77,4 mkgf entre 3.000 rpm e 5.250 rpm — 40 cv e 0,6 mgkf a mais que sua antecessora com nome de americana e 70 cv a menos que a irmã de motor central traseiro. O V8 recebeu novos pistões e bielas, um novo sistema de admissão, geometria do escape revisada, coletor de escape de peça única e pressão de trabalho variável de acordo com a marcha selecionada.

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A combinação de mais potência e menos peso logicamente resultou em um carro mais rápido. Segundo a Ferrari, a Portofino vai de zero a 100 km/h em 3,5 segundos e segue até além dos 320 km/h de velocidade máxima, completando a aceleração 0,3 segundo antes da California T e superando a antecessora em, pelo menos, 5 km/h.

Outras novidades que tornam a Portofino mais avançada que sua antecessora são o diferencial traseiro eletrônico E-Diff 3, a nova caixa de direção com assistência elétrica da Ferrari, que estreou na 812 Superfast e tem relação variável em 7%, e suspensão ajustável com amortecedores magnetorreológicos.

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No campo visual ela adota o mesmo estilo agressivo, com aquele jeitão de inseto venenoso pronto para te atacar que predomina nos supercarros de hoje. Não é meu estilo preferido, mas dá uma boa agressividade a carros naturalmente agressivos — e que roncam como insetos furiosos.

Os faróis são mais longos em direção ao para-brisa e estreitos, e a superfície do carro é marcada por vincos e dutos que obrigam o fluxo de ar a trabalhar a favor do carro. Os faróis são fortemente influenciados pela 488 GTB e pela 812 Superfast, bem como a grade dianteira e, como em suas irmãs, são ladeados por dutos que direcionam o ar para as laterais, logo atrás dos arcos de roda dianteiros.

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A cabine também adota o visual dos modelos mais recentes como a GTC4 Lusso, com um novo volante com almofada central em forma de trapézio com bordas arredondadas, saídas de ventilação pronunciadas e um sistema multimídia com tela de 10,2 polegadas na parte cenetral do painel. Atrás dos bancos há um defletor de ar que reduz o fluxo dentro da cabine em 30% com o teto aberto.

Por enquanto a Ferrari divulgou apenas estas sete imagens do carro, todas ilustrações realistas. As fotos reais do modelo veremos somente em setembro, quando o carro for apresentado ao público no Salão de Frankfurt.

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