Edição diária: 17/06/2019
FlatOut!
Image default
Car Culture Zero a 300

Ferrari Testarossa dissecada: relembre o ícone em detalhes que você nunca viu!

Apesar de ter sido um ícone dos anos 1980, a Ferrari Testarossa nunca foi uma unanimidade entre os entusiastas e até mesmo entre os ferraristas. As principais críticas ao carro sempre foram direcionadas ao seu design, que tinha uma traseira imensa (culpe o flat-12, não Leonardo Fioravanti) e com cantos retos, as laterais aletadas e a dianteira baixa e mais estreita que a traseira. Mesmo assim ela conquistou seu espaço e até virou estrela de TV.

Nascida em 1984, ela entrou nos anos 1990 com apenas seis anos de carreira, o que já é considerado o fim da vida em termos de ciclos de produto no mercado automotivo. Seu visual já estava envelhecido pelos faróis auxiliares não-integrados e com canto retos, pelo spoiler e saias laterais pretos, que remetiam à combinação de suas irmãs mais velhas, a 512BB e 308 GTB. Para piorar, a chegada da F40 eliminou completamente qualquer chance da Testarossa em manter seu status de Ferrari dos sonhos. Não dava para competir.

9269901548_12234f4b31_h

Aliás, falando em competir, a Testarossa foi uma das únicas Ferrari que não tem um histórico nas pistas. Com seus quase 1.700 kg ela nunca foi pensada para atacar pontos de tangência com a voracidade das demais Ferrari V12. Seu negócio era cruzar estradas, te levar para o mais longe possível confortavelmente em alta velocidade. Mas isso era um valor no qual nem mesmo a Ferrari estava interessada na época, como fica evidente pela existência da F40.

img_2930

Em 1992, seu oitavo ano de vida, a Testarossa mudou de nome passando a se chamar 512TR, ganhou uma dianteira mais moderna, com para-choques inspirados na dianteira da 348 e lanternas mais aparentes sobre a grade traseira. No final daquele ano a 456 GT apareceu para mostrar como seriam as Ferrari dos anos 1990, e em 1994 foi a vez da F355 tornar a 512TR ainda mais antiquada. As maiores memórias que as pessoas têm da Ferrari Testarossa nos anos 1990 certamente são do game Cruisin’USA — onde ela se chamava Italia P69. Nem mesmo o facelift que ela sofreu (e sofreu mesmo) naquele ano ajudou. Com lentes no lugar dos faróis escamoteáveis ela ganhou um sorriso simpático como o Austin Healey Sprite “frogeye”, mas as laterais e as lanternas traseiras circulares destoavam demais de um visual que nunca foi perfeito.

FERRARI-512-M-3168_21

Para piorar, seus rivais pareciam muito mais modernos — e de fato eram se você considerar que estamos falando do Lamborghini Diablo e do McLaren F1. Por isso,à medida em que os anos 1990 avançavam a Testarossa ia ficando para trás. Esquecida, ela deixou de ser produzida dois anos depois, em 1996. Morreu como Eleanor Rigby.

Mas aí veio o revival dos anos 1980, aquele ciclo de tendências que se repetem a cada 30 anos. A estética oitentista ganhou as ruas, as lentes, as capas, as redes, os games, os alto-falantes e fones de ouvido. A Ferrari Testarossa, com seu visual que era a cara daquela década, veio no embalo e voltou ao estrelato, agora como um ícone retrô.

1

E como um ícone, decidimos dar uma boa olhada naqueles detalhes que nunca apareceram nos pôsteres, nos vídeos, nos games e nos clipes. Para isso, contamos com a ajuda do manual do proprietário da Testarossa, um dos manuais integrantes da biblioteca secreta do FlatOut, e de algumas fotos dos americanos da LBI Limited.

Primeiro uma boa olhada por fora.

FerrariTestarossa-1-1

FerrariTestarossa-3-1

Abra as portas e você irá reparar as aletas que direcionam o ar para os radiadores, instalados nas laterais traseiras, em frente às caixas de roda.

FerrariTestarossa-98

É isso o que te recebe lá dentro:

FerrariTestarossa-27-1

Aqui temos o quadro de instrumentos, que parece ter saído diretamente de uma loja de souvenires de “De Volta Para o Futuro”. Os números até lembram os circuitos do tempo. E tem uma pegadinha aí. Dê uma boa olhada e veja se você nota alguma ausência:

FerrariTestarossa-126

Notou? Qual a quilometragem do carro? Quanta gasolina ele ainda tem no tanque? A resposta está pouco mais ao lado e embaixo, no console central:

FerrariTestarossa-129

Sim: a Ferrari Testarossa tinha seu odômetro no console central, abaixo do relógio digital e de um par de instrumentos. O de cima mede a temperatura do óleo do motor, e o de baixo o nível do tanque de combustível, que tem capacidade para 115 litros.

FerrariTestarossa-130

Já que estamos no console central, você também deve ter notado que a Testarossa não tem nenhum comando aparente no painel, certo?

FerrariTestarossa-153

É porque tudo foi deslocado para baixo, entre os bancos, assim você não precisa esticar os braços, nem desencostar do banco para ajustar o ar-condicionado, abrir os vidros ou até mesmo abrir o porta-luvas.

FerrariTestarossa-132

Aqui podemos ver tudo em detalhes: os três botões ao lado da alavanca de câmbio servem para fechar ou abrir a recirculação do ar-condicionado (o de cima), ativar/desativar o ar-condicionado (meio) e ativar o modo de desembaçador (embaixo). Lá no alto, o “Stop”, serve para interromper o aquecedor.

FerrariTestarossa-136

O botão com o detalhe amarelo é a velocidade do ventilador, seguido pelo seletor de temperatura no meio e, embaixo, o acendedor de cigarros. Na parte de baixo, o interruptor à direita é o seletor de saída da ventilação do lado do passageiro, enquanto o da esquerda é o do lado do motorista. Os dois recortes indicam qual saída está selecionada.

FerrariTestarossa-135

Ao lado, próximo do motorista, está o ajuste elétrico do retrovisor externo (o joystick em cruz), o seletor das luzes de estacionamento (o botão verde com a letra P) e o interruptor do pisca-alerta (você sabe qual…).

No outro lado, o interruptor do topo aciona o vidro da janela do motorista, o do meio a janela do passageiro e logo abaixo dele (acima do seletor da saída da ventilação) está o interruptor que ativa a fechadura eletromagnética do porta-luvas, que tem um espelho de cortesia integrado:

FerrariTestarossa-159

Ainda no console central, o pomo do câmbio indica a ré para a frente e a primeira marcha tipo dogleg…

FerrariTestarossa-133

… e com atenção à grelha você poderá ver o interruptor da luz de ré, acionado quando a alavanca o pressiona.

FerrariTestarossa-134

Atrás desse painel de comandos, fica o descanso de braço, que esconde um porta-objetos e um porta-fitas-cassete. 1986, cara!

FerrariTestarossa-139

Isso porque originalmente a Ferrari Testarossa tem um toca-fitas como sistema de áudio original. Ele fica escondido atrás desta tampa no painel:

FerrariTestarossa-137

Mas neste exemplar, ao abri-la, você topa com um CD player Alpine 7900, feito na virada dos anos 1980 para os anos 1990:

FerrariTestarossa-138

Depois vamos aos bancos. Embora na maioria das fotos eles pareçam inteiriços, com o encosto de cabeça integrado, eles na verdade têm ajuste de altura do apoio para a cabeça — afinal, trata-se de um grã-turismo, e não de um rato de pista.

FerrariTestarossa-150

O ajuste é elétrico, feito por três botões quase escondidos na lateral externa dos assentos:

Ah, outra curiosidade é que o freio de mão da Testarossa não fica no console central e muito menos usa um quarto pedal. Ele fica esmagado entre o banco e a soleira, logo ao lado destas alavancas cromadas:

FerrariTestarossa-34-1

A alavanca da frente abre o capô por meio de um mecanismo eletromagnético. A alavanca de trás abre a tampa do motor, também por um sistema eletromagnético. Ambas têm uma cordinha escondida no acabamento da cabine para a abertura mecânica caso a bateria acabe descarregada — o que não é difícil de acontecer com uma Ferrari que sai da garagem esporadicamente.

Ainda na cabine, podemos ver como as caixas de roda imensas ocupam espaço para os pés — especialmente do motorista, cuja pedaleira fica encaixada justinha no espaço que sobrou:

FerrariTestarossa-118

Note como os pedais são deslocados em relação à linha de centro do banco. Nesta outra foto abaixo dá para ver os pedais mais claramente, a alavanca de ajuste da coluna de direção e a cordinha da abertura mecânica do capô, que falei mais acima no texto, dando as caras sobre o alto-falante:

FerrariTestarossa-120

Hora de sair do carro. Com os comandos elétricos todos no console central, o painel da porta é limpo:

FerrariTestarossa-140

A maçaneta fica escondida sob o puxador:

FerrariTestarossa-141

E a porta tem uma luz de cortesia para iluminar onde você irá pisar:

FerrariTestarossa-145

Agora que descemos do carro, vamos dar uma olhada no porta-malas da Testarossa:

FerrariTestarossa-187

Diga a verdade: você esperava que ele fosse assim espaçoso? E que ainda tivesse espaço para todas essas ferramentas?

FerrariTestarossa-196

E se você olhar a dianteira com o capô aberto, encontrará as buzinas FIAMM e o reservatório do lavador do para-brisa:

FerrariTestarossa-190

Vamos fechar o capô e dar uma olhada lá atrás.

FerrariTestarossa-8-1

Reparou que ela tem só um duto de admissão no spoiler? É porque ele alimenta o condensador do ar-condicionado, que fica instalado em frente à caixa de roda dianteira esquerda.

Abra a tampa e…

FerrariTestarossa-177

… você topa com isso: o inspirador de seu batismo: o motor flat-12 F113 com as tampas de válvulas vermelhas.

FerrariTestarossa-171

Como já foi explicado centenas de vezes ao longo da história, testa é a palavra italiana para cabeça, e rossa é o nome da cor vermelha. Pode chamar de ruiva:

FerrariTestarossa-173

Apesar da posição baixa do bloco em V aberto a 180 graus (que é a definição de um flat-12), a admissão fica em posição elevada, principalmente para dar comprimento aos dutos de admissão, o que ajuda a acelerar o ar que entra no motor.

FerrariTestarossa-164

Nesta foto acima também é possível apreciar a disposição dos componentes do motor. Os abafadores ficam encaixados sob a boca da admissão, acima do câmbio. São eles que você vê através da grade traseira, e não o motor em si.

FerrariTestarossa-185FerrariTestarossa-83

Ou nem verá nada, considerando a velocidade na qual a Testarossa irá passar por você:

7786925710_a1e7e03428_b

Foto: Ron Alder/Flickr

Matérias relacionadas

Indy volta ao Brasil em 2015, todos os ângulos do novo Batmóvel, Ferrari Speciale terá versão Spider e mais!

Leonardo Contesini

Lancia Stratos Zero: o supercarro em forma de cunha mais absurdo dos anos 70

Dalmo Hernandes

Placas Mercosul não podem ser multadas fora de seu estado, São Paulo terá WEC até 2025, Porsche 992 chega em novembro e mais!

Leonardo Contesini