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Sessão da manhã

Fiat 126 “flatout”: nada é capaz de parar este mini Fiat de rali

Sabe por que todo mundo gosta de rali? Porque aquilo é loucura, cara. Claro, todo tipo de automobilismo é meio que uma forma de loucura, mas no rali esta sensação parece se amplificar — vemos carros acelerando até o limite, em piso pouco aderente, com motores subindo de giro em um ritmo inacreditável e terra voando por todos os cantos. Árvores no caminho, espectadores irresponsáveis a centímetros da pista, isto sem falar em um possível encontro inesperado com a fauna local.

Mas nada disso, nada mesmo, parece abalar o cara que a gente vai conhecer hoje. Quer dizer, não vamos conhecê-lo de verdade porque, primeiro: ele mora na Polônia. Segundo: sabemos sobre ele pouco mais que seu nome. Piotr Filapek é meio que um herói desconhecido, conhecido como “Malucha” (“criança” em polonês) no meio dos ralis regionais poloneses por causa do carro que dirige, um Fiat 126. O mini Fiat é pouco maior que um Fiat 500 clássico e tem motor um pouco mais potente. Pouco mesmo.

Ele participa regularmente de eventos de rali e autocross com seu 126P — assim era o nome do carro fabricado na Polônia por uma divisão da companhia italiana, a Polski Fiat (que, literalmente, significa “Fiat Polonesa”) entre 1973 e, acredite, o ano 2000.

Decifrando comentários em polonês postados abaixo do vídeo, descobrimos que, aparentemente, o motor do carro de Piotr é exatamente o mesmo dois-cilindros de 652 cm³ (menos de 0,7 litro) que veio no cofre do carro quando ele saiu da fábrica, em algum ponto entre 1977 e 1987. Originalmente, são apenas 23 cv mas, segundo consta, o carro de Piotr tem um compressor mecânico. Você não precisa de muito para um carro que pesa tanto quanto um saquinho de Baconzitos.

E isto é tudo o que se sabe sobre o carro — e, claro, que ele é vermelho e que Piotr pilota feito um maníaco. Ele pilota como se não desse a mínima para sua vida ou para seu carro. Ele pilota como se o apocalipse o estivesse perseguindo. Piotr só quer ser o mais veloz e, se for necessário comer um pouco de grama, amassar a lataria e arrebentar toda a parte de baixo do carro para isto, ele o fará. Duvida? Então assista a estes gloriosos pouco mais de dois minutos:

O que temos aqui é um bichinho valente. O Fiat 126 foi proposto no início dos anos 1970 como uma forma de modernizar o já consagrado Nuova 500 que, apesar de muito simpático, já sofria com o peso da idade — ele havia sido lançado em 1957, afinal de contas.

Acontece que a Fiat estava errada: o Cinquecento era carismático demais e, por mais que o 126 tivesse uma aparência mais moderna, inspirada no irmão maior, o 127 (que deu origem ao nosso Fiat 147 em 1976), ele não caiu no gosto dos italianos da mesma forma que seu antecessor. Como resultado, apesar de ter vendido muito bem — quase 1,4 milhão de unidades apenas na Itália entre 1973 e 1991 —, o 126 não tem o mesmo status de clássico, e nem é conhecido por tanta gente.

fiat126

Quer dizer, mundialmente falando, porque no Leste Europeu o “mini-147” fez muito mais sucesso, tanto que foi produzido por mais nove anos e tornou-se — para os poloneses, em especial  — mais ou menos o que o Fusca é para os brasileiros em termos de popularidade.

Do ponto de vista entusiasta, no entanto, o Fiat 126 está para os poloneses como o Chevette para nós: existe aos montes, é barato e um dos favoritos dos fuçadores. Caramba, nem faz tanto tempo que mostramos, aqui mesmo no FlatOut, um exemplar da Lituânia com carroceria alargada e um motor Honda turbo de 1,6 litro e 170 cv.

Considerando que o 126 pesa menos de 600 kg, fica fácil concluir que ele, de fato, não precisa de muito mais potência para ficar verdadeiramente rápido. Tanto que colocar motores de outros carros nele não é tão comum quanto colocar motores de motos esportivas, como a Yamaha R1 e a Suzuki Hayabusa. Mais que força bruta, estes motores têm alta capacidade de rotação e são suficientes para tornar o desempenho do 126 ainda mais interessante. Além disso, são menores e mais leves, o que nunca é ruim — especialmente em um projeto de pista.

O carinha aí em cima, por exemplo, berra muito alto com seu quatro-cilindros vindo de uma R1, capaz de girar a quase 14.000 rpm e entregar por volta de 130 cv. Abaixo, temos outro exemplo, porém com o motor de 1.000 cm³ de uma Yamaha FZR, capaz de entregar 145 cv. E ele nem aparenta tanta selvageria!

De qualquer forma, nada impede que se coloque outros motores na traseira do 126. Que tal um boxer VW de quatro cilindros e 2,3 litros, capaz de entregar 205 cv?

Ou que tal um Fiat 126 com motor V8? Ainda que não seja uma cirurgia tão comum quanto o swap para motor de moto, existe uma quantidade razoável de 126 modificados para arrancada, com motor central-traseiro, pneus enormes e a incrível capacidade de devorar esportivos maiores e mais potentes na dragstrip:

Desconsidere o fato de o vídeo ser gravado com uma calculadora, ok?

Mas o que impressiona mesmo é o potencial do Fiat 126 para ser abusado. Piotr que o diga.

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