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Fiat 500 Abarth Motore Centrale é exatamente o que você está pensando

Quer dizer, se o que você estiver pensando for um Fiat 500 Abarth que teve o motor trocado de lugar: do cofre na dianteira, como todo bom hot hatch, naquele sweet spot entre os bancos dianteiros e o eixo traseiro, como todo hot hatch que, na verdade, queria ser um supercarro (o Renault Clio V6 te lembra algo?). O monstrinho é feito sob encomenda por uma preparadora italiana desde 2011 e, desde que descobrimos sua existência, não conseguimos para de desejá-lo.

Não faz dois meses que a Fiat finalmente lançou o 500 Abarth no Brasil, e nós já o aceleramos. Com um 1.4 MultiAir turbinado de 167 cv a 5.500 rpm, o pequeno Fiat ítalo-mexicano é realmente uma delícia de pisar forte (leia a avaliação completa  aqui!), mas não deixa de ser um carro de tração dianteira.

Há quem acredite que seja impossível atingir todo o potencial de um carro se a tração for dianteira — dizem até que são as rodas erradas — e, ainda que não seja totalmente verdade, não temos absolutamente nada contra quem dê ao Fiat 500 tração nas rodas traseiras, as rodas “certas”.

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A entrada de ar denuncia o “crime”

E é exatamente isto o que a Lucarelli-Monza faz. Na verdade, o projeto original envolvia apenas a preparação do motor. Diferentemente do nosso Fiat 500 que vem do México (que também fornece o carrinho para os EUA), o 500 Abarth europeu é menos potente, com 135 cv. Talvez não fosse o suficiente para os caras, que trocaram o turbocompressor original por um caracol da Garrett e realizaram outras modificações para atingir saudáveis 233 cv — injetores de alta vazão, pistões forjados, módulo de controle recalibrado, um intercooler maior, filtro cônico K&N e sistema de escape retrabalhado de aço inox e fibra de carbono.

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O novo motor, obviamente, ficou um foguete: o 0 a 100 km/h é cumprido em 4,7 segundos e a velocidade máxima é de 240 km/h. Foi da cavalaria extra que veio a ideia de deslocar o motor para a porção central-traseira do carro. Eles devem ter pensado, “já que estamos fuçando mesmo… por que não?”

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Obviamente, não foi uma tarefa tão simples — toda a estrutura inferior traseira teve que ser modificada para acomodar o motor (e ainda deixar um pouco de espaço para bagagem), sendo que a maior mudança aconteceu na suspensão traseira: o eixo de torção deu lugar a um sistema de braços sobrepostos do tipo “duplo-A” que, além de ocupar menos espaço, melhora o comportamento dinâmico por ser independente. A suspensão dianteira continua sendo do tipo McPherson, mas tem sua geometria retrabalhada, e em ambas as pontas há barras estabilizadoras ajustáveis.

Dá para ter uma bela ideia do resultado com o vídeo abaixo:

Will it drift? HELL YEAH

A Lucarelli-Monza aceita encomendas e produz, no máximo, 30 unidades por ano. E, além dos upgrades de desempenho para 233 cv no pacote chamado R230, a empresa ainda oferece outras duas opções prontas: o R180, de 182 cv, que recebe apenas o novo sistema de escape e a recalibragem na ECU; e o extremo R280 que, além de uma preparação mais pesada para chegar aos 284 cv (incorporando novas bielas e comando mais agressivo, além das outras já citadas). O R280 também tem peso aliviado por componentes de fibra de carbono e interior desprovido de certos luxos — que baixam o número exibido na balança de 1.050 kg para bons 950 kg.

Segundo a companhia, o 0-100 é baixado para 3,9 segundos, e a máxima sobe para 260 km/h. Naturalmente, acompanham freios maiores, com discos de 350 e 305 mm de diâmetro (frente/traseira) dão conta de parar o carro. A LM faz questão de reforçar que os airbags originais são mantidos em todas as configurações, mas que os sistemas eletrônicos de assistência podem ser desligados quando desejado. Sabe como é… para andar de lado!

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Além de carros interiso, a LM ainda vende componentes separados para que você realize a conversão no seu próprio carro ou fica com o seu 500 Abarth para devolvê-lo semanas depois, totalmente convertido.

É o tipo de coisa que adoraríamos ver saindo de fábrica — a Fiat adora inventar novas maneiras de tornar o 500 um carrinho ainda mais interessante, e não seria nada mau ver uma série especial nesses moldes. Ou será que… alguém teria coragem de fazer o mesmo com um 500 aqui no Brasil? Considerem isto um desafio!

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