FlatOut!
Image default
Project Cars Project Cars #38

Fiat Uno com motor Yamaha R1: ligando o motor e a compra do carro

No primeiro Post, terminei mostrando a moto que foi a doadora do motor para o meu projeto, estão lembrados? No dia que fui buscar a moto e finalmente a deixei no lugar que seria feito o carro, eu mal podia acreditar que aquela obra prima da engenharia, com 180cv por litro e naturalmente aspirada era minha e eu não conseguia ir embora. Só ficava imaginando a hora de poder acelerar.

Alguns dias depois comecei a desmontar a moto para a retirada do motor. Em menos de uma hora estava tudo desmontado e separado. Fiquei impressionado com a facilidade na desmontagem e lógica de todos os sistemas dessa moto.  O próximo passo foi fabricar um cavalete para colocar o motor e também onde pudesse ligá-lo mais tarde.

Foto 02 - Edson Terra - Uno R1 - Post2

Cavalete feito e motor no lugar, já era hora de sair em busca das peças que teriam que ser substituídas, pois tinham vindo danificadas como coletor de escape e uma peça do sistema de refrigeração. As peças foram logo encontradas, compradas e montadas no motor.

O passo seguinte foi encontrar o diagrama elétrico da moto para identificar todos os componentes do chicote e ver se faltava alguma coisa. E essa parte não foi nada fácil pois tive acesso a um único diagrama, mas há pequanas diferenças na parte elétrica das motos vendidas no Japão, nos Estados Unidos e Europa. Estou colocando uma imagem só para o pessoal ter uma idéia da encrenca.

YZF-R1S (C) Service Manual

Identificado os componentes, foi constatado que faltavam dois relês que fazem parte do sistema de partida. Novamente saindo atrás das peças, elas foram compradas e instaladas.

Alguns dias depois foi tudo preparado para a primeira partida do motor, algo que aconteceu sem muito esforço. Na garagem da casa do meu amigo, os vizinhos escutaram pela primeira vez o que iria infernizá-los por mais três anos seguidos: imaginem uma Yamaha R1 só com o coletor de escape, ligada de frente para janela do seu quarto todos os finais de semana durante quase três anos. Valeu, vizinho!

Esse foi o motivo do carro demorar tanto tempo para andar. Eu só podia trabalhar no carro aos sábados (das 9:00 às 15:00). Sabem como é né… namorada, vizinho… não dava pra incomodar muito. Mas por um lado foi bom, porque eu trabalhava nele no sábado e corria atrás das peças durante a semana.

Nesse dia em que dei a partida pela primeira vez, pude dormir mais tranquilo pois sabia que o motor estava realmente intacto. Qualquer problema grave como bloco trincado, poderia ter inviabilizado o projeto. A partir daquele momento e com a certeza do funcionamento do motor, comecei a procurar o carro ideal para o projeto.

Desta vez não poderia ser um kit car como o Porsche Spyder, porque agora como engenheiro, não dispunha mais das muitas horas livres que um kit car necessita. Apesar de bem mais pesado tinha que ser um carro pronto, tinha que ser um carro de rua que eu pudesse encontrar peças e que tivesse mão de obra fácil. Só quem já construiu um carro de fibra de vidro do zero conhece as dificuldades e a má qualidade da mão-de-obra existente em grande parte do nosso mercado.

Já sabia há algum tempo, peso, estrutura compatível, área frontal, coeficiente de arrasto etc dos carros mais leves encontrados por aqui, e dentro dos modelos que poderiam ser escolhidos estavam: Peugeot 106, Peugeot 205, Renault Twingo, Suzuki Swift, Fiat 147 e Fiat Uno.

Foto 04 - Edson Terra - Uno R1 - Post2

Todos pesavam no máximo 850kg quando originais.

Acabei escolhendo o Uno. Além de comprar o carro ele tinha que ser reformado e nada como o Uno (que foi vendido até o começo de 2014) para comprar peças até em concessionária por uma pechincha. Até esqueço de quantas vezes fui na Fiat e a nota fiscal não passou de dois dígitos. Algumas compras não passavam de R$ 10,00 na Fiat.

Comecei a procurar o carro na internet e fui ver pessoalmente os que me interessavam. Dei preferência aos carros com problemas de motor ou câmbio com a carroceria no melhor estado possível.

Após algumas visitas frustradas, encontrei um uno 1.5 R que estava com problemas no câmbio. O dono que não encontrava as peças para trocar a um valor que coubesse no seu bolso, e por isso queria se livrar do carro. Fui ver o carro e fechei negócio.
O carro não era nem de longe o que eu queria, mas era o que eu podia pagar e, mais importante, a estrutura estava em bom estado. Ele tinha potencial.

O problema no câmbio era pequeno. Apenas o garfo da 3ª e 4ª marcha estava quebrado.  Por incrível que pareça vim com o carro andando tocando apenas em 1ª, 2ª e 5ª marchas.

Agora vai! Carro na mão, motor na garagem e… um universo a ser construído pela frente.

Foto 05 - Edson Terra - Uno R1 - Post2

O início das modificações e a primeira vez que o motor foi colocado no carro eu falarei no próximo post. 

 

Por Edson Terra, Project Cars #38

0pcdisclaimer2

Matérias relacionadas

Project Cars #50 – realizando o sonho de ter um Civic VTi na garagem

Leonardo Contesini

Project Cars #348: começando a restaurar a Kombi “Food Truck”

Leonardo Contesini

O Subaru Impreza SW de Okada – upgrades e dúvidas

Juliano Barata