A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Project Cars Project Cars #43

Focus Colin McRae: os novos rumos do Project Cars #43

E aí, amigos! Quanto tempo! Pouco mais de um ano se passou desde que o MothaFocus parou, e muita coisa aconteceu nesse tempo. Coisas boas, outras não tão boas, mas assim é a montanha russa dos carros modificados!

Como tudo nessa vida tem um ciclo, o do MothaFocus também está chegando ao fim. É, eu sei que parece chocante, mas é por um bom motivo e em breve vocês vão entender.

 

No começo desse ano, trouxe o Focus de volta pra SP pra começar a desmontagem e ver de perto o tamanho do estrago da última Subida da Montanha de Campo Largo, no fim de 2015. Levei o carro pro Acácio, Jorge, Tiago e Piauí, da Akira Motors, pra começar a tentar entender o que aconteceu na fatídica prova com o nosso “Bola de Fogo”.

Primeiro analisamos o estrago feito pelo fogo. Felizmente foi bem menor do que parecia, e os adesivos acabaram protegendo um pouco a pintura original. De estrago mesmo, só a pintura do parachoque traseiro, o friso do porta malas e o limpador traseiro que derreteram, e a ponta do aerofólio traseiro lá em cima da tampa (hein?) que queimou! Pois é amigos, a coisa ficou quente por ali… As lanternas traseiras trincaram inteiras e vão ser substituídas, e as luzes do parachoque (ré e neblina) queimaram superficialmente mas foram recuperadas com lixa e polimento. Na parte dianteira, o chicote elétrico queimou um pouco, mas nada muito difícil de refazer.

foto15

Por baixo, nenhum dano grave, nada derretido ou estragado. Foi uma decisão muito acertada não ter parado o carro quando vi o fogo, teria sido muito ruim o final dessa história…

Na hora de desmontar o motor, começaram as surpresas (e os sustos!). O cabeçote saiu ileso da espetacular explosão, não estragou nada, nenhuma válvula danificada, pouquíssimas marcas de impactos nas camaras, nada crítico se comparado com o que achamos na parte de baixo (ou não achamos, no caso!).

foto16

O bloco quebrou dos dois lados, desapareceram por completo 3 pistões, mas o que chamou a atenção mesmo quando terminamos de desmontar foi não termos encontrado uma das bielas. A surpresa veio quando retiramos o que sobrou do carter (que chegou a entortar), e encontramos a capa da biela desaparecida praticamente intacta. Aí começaram as dúvidas. Inicialmente eu imaginei ter quebrado um pistão, já que durante toda a subida o motor foi falhando em altas rotações e eu tinha muito claro que a quebra foi causada por isso. Mas, o estado perfeito das velas descartou essa possibilidade, pelo menos inicialmente. Como 3 pistões simplesmente foram abduzidos, não dava pra ter muita idéia do que se passou por ali, mas um pedaço do único que sobrou mostrou que não tinha marcas de alta temperatura por falta de combustível ou algo do tipo.

Aí veio a dúvida/surpresa: uma das bielas sumiu, as outras 3 estavam quebradas mas bem fixadas ao virabrequim, e só encontramos a capa da desaparecida em excelente estado, o que me leva a crer que essa biela se soltou (sabe-se lá como) e acabou por destruir o motor por completo. A hipótese mais provável é essa, já que a outra hipótese forte de quebra de parafuso de biela me deixa um pouco mais em dúvida pois as outras três estavam em ótimo estado.

Feito isso, passado o susto e as risadas, começou a ação. Tinha guardada uma parte de baixo 2.0 e um motor 1.8 completo, então algumas opções me surgiram. Eu poderia tentar montar o 2.0 com os pistões Zetec com cerâmica que já tinha guardado (que mostrei no vídeo do ano passado), ou tentar montar o 1.8 com pistões forjados VW, uma adaptação bastante comum nos Zetec 1.8 que tem as dimensões de pistão muito próximas às do AP 1.8, e ter uma boa margem de segurança com um preço razoável.

Conta pra lá, teste pra cá, achei que teria mais dor de cabeça que alegria fazendo experiência com peças caras, ter que fabricar junta, adaptar pinos, mexer em bielas e etc. Sinceramente, não to nem um pouco afim de comprar uma guerra dessas….

Fazendo todas as contas e análises, decidi que a melhor opção seria trazer tudo de fora pro Zetec 2.0, aos poucos, e fazer um motor melhor já de uma vez.

Nesse meio tempo, tive a (infeliz) confirmação de que não teríamos a subida de montanha em 2016, por absoluta falta de apoio financeiro ao organizador Marcelo Preiss, que sempre fez das tripas coração pra que essa prova fosse realizada. Nada como viver no tal do ‘país do futebol’, que só tem olhos e investimentos pra isso…

Aí entra a história do fim do ciclo. Com praticamente dois anos de prazo pra próxima prova, que esperamos para fim de 2017 se tudo correr bem, comecei a comprar as peças para a nova mecânica. Primeiro, chegou o kit de comandos Crower Stage2, que preferi utilizar agora mantendo os Stage4 guardados. Depois apareceu um belo upgrade de turbina, partindo pra uma TD05 (usava uma TD04) que comprei do amigo Rodrigo Kinoshita. Durante o ano, chegaram as bielas Eagle forjadas e os novos pistões forjados JE FSR Asymmetrical, uma nova e interessante tecnologia de desenho de pistões, com saia assimétrica e pino deslocado, diminuindo atrito e utilizando menos folga, com consequente menor ruído de operação, melhor vedação, menor peso e maior potência.

Decidi pelo modelo de 11,0:1 de taxa, que receberá também o revestimento cerâmico feito pelo amigo Funari. Ainda faltam chegar as válvulas de aço da Supertech, mais alguns parafusos que serão todos ARP, e a junta de cabeçote da Cometic com a espessura correta para ajustar a taxa, que devo deixar em torno de 10,5:1. A correia dentada consegui da Cosworth, utilizada nos motores Zetec do WRC, bomba de óleo do Focus RS, e encontrei os mancais do virabrequim forjados que devo encomendar em breve.

Uma coisa que ainda me incomodava, agora usando a injeção ProTune, era ter que manter a eletrônica original trabalhando em paralelo para manter o painel funcionando corretamente, e com isso uma montoeira de fios que não tinha como se livrar. Alguns anos atrás, eu tive em mãos um espetacular painel multifunções Stack ST-8130 inglês, que acabei vendendo sem usar para comprar algumas peças para a ‘Evolução3’. Um dia, pensando no que precisava ainda resolver para o futuro, liguei pro meu amigo Rodrigo Corbisier, da GR Racing, pra quem eu havia vendido o painel, perguntando se ainda estava com ele, se tinha usado e se por um acaso assim como quem não quer nada me venderia outra vez. Pra minha alegria ele na hora me diz pra passar na oficina buscar porque nem tinha usado, mas pra mim venderia de volta. E assim foi, voltou pra casa! Isso vai resolver um problema enorme que eu tinha, já que esse painel é uma versão em KMH para rua, conta com múltiplas funções que conversam com a ProTune, tem alarmes programáveis para óleo, água e combustível, é coisa de primeiro mundo! E agora o Haruki, da Focuspeed Motorsports, vai poder se divertir fazendo um belo chicote Milspec para esse novo brinquedo. Alivio de peso, adeus ao ninho de rato do chicote original, adeus módulos originais, e as coisas começam a se encaixar outra vez.

foto31

Já estava planejando começar de uma vez a tão sonhada e comentada por mim ‘Evolução 3’, e tudo isso acabou contribuindo.

Sempre digo que só temos duas certezas na vida: uma que um dia todos vamos partir dessa vida, e outra que fim do ano tem especial do Roberto Carlos, todo o resto são dúvidas e planos!

Por isso, outra vez voltando pra planilha, análises e longas conversas com os amigos mais próximos, cheguei à conclusão que não compensaria montar o MothaFocus outra vez com a mecânica nova, pra já desmontar de novo em seguida, então depois de muito pensar, muita investigação e cálculos, decidi por aproveitar que ele está parado e desmontado e devolvê-lo às ruas, numa versão civilizada como era no início.

Aproveitando as peças que eu já tinha, começamos a montar o 2.0 com os pistões em cerâmica, já tinha sobrado a turbina TD04 antiga, o escape, a pressurização que usava antes na admissão original, etc, etc, então resolvi que voltaria a 2010 (MothaFocus virou um DeLorean? Kkkkk) quando turbinamos a primeira evolução do carro, a gasolina, quietinho, pouca pressão e de uso diário. E esse vai ser o fim do ciclo de um carro que me deu MUITAS alegrias, surpreendeu muitas vezes, trouxe muitos amigos e empresas que tenho muito orgulho de poder contar como parceiros.

O amigo Junior Campos, do Project Cars #277, possui uma oficina de pintura automotiva e se encarregou de devolver o MothaFocus à perfeição e ao uso civil. Retirou os adesivos, pintou o parachoque, deu um talento no cofre e porta malas, deixando o carro como novo outra vez!

Acredito que até fevereiro vai estar pronto e andando novamente, como era na sua versão inicial de 2010, discreto, confiável e bem montado para uso diário.

Isso pode soar como uma despedida, e até de certa forma é já que o próximo post vai ser o último desse carro, mas ele vai continuar por aí, nas ruas e estradas, incomodando os desavisados! Tudo que passei desde o fim do ano passado acabou se transformando no motivo que faltava para fazer o Focus definitivo, o sonho da minha vida com tudo que sempre quis, e o projeto já começou. E como todo projeto precisa de um start, deixo um gostinho do que vem por aí, com uma trilha sonora de acordo pra despedida: “Song to Say Goodbye”.

foto34

Um grande abraço, feliz Natal e um ano novo de pé no porão! E lógico, ‘if in doubt, FLATOUT’!

Por Gustavo Loeffler, Project Cars #43

0pcdisclaimer2

Matérias relacionadas

Mini-Maverick: o detalhado processo de montagem do Project Cars #55

Leonardo Contesini

Project Cars #44: hora de montar o motor do meu Escort Mk1 1971 inspirado nos ralis

Leonardo Contesini

Ford Maverick V8 1975: o renascimento do Project Cars #292

Leonardo Contesini