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Project Cars Project Cars #317

Ford Focus 2.0 Turbo: a reconstrução do motor e o primeiro teste no dinamômetro

Fala, pessoal mais roots do Brasil, nesse post vamos dizer que foi o Stage 2 do carro. Nada é simples em um carro turbo, ainda mais quando você tenta inventar moda em um carro que ninguém nunca fez, nunca viu e a única coisa que te falam é que não vai dar certo.

Uma vez com o jogo de bicos na mão e  a megasquirt tentei fazer a instalação, porém a cada tentativa de fazer o carro funcionar ele ficava todo errado, dando estouros no escape, não firmando aceleração, dando excesso de combustível e aí que a coisa começou a complicar. Tentei fazer uma ligação completa, sensor de temperatura de ar, temperatura de agua, sensor de TPS, sinal de rotação e aí que estava o problema pois como o carro tem acelerador eletrônico qualquer interferência nos sinais acima o carro desarma e entra em modo de emergência e não deixa que nada funcione. Para conseguir colocar o carro para funcionar novamente tive que colocar outro sensor de temperatura em uma mangueira de água e não pegar nem um sinal dos demais sensores do carro com exceção do TPS do pedal do acelerador. Mesmo assim ainda tinha um problema: não tinha sinal de rotação. A única maneira de pegar um sinal limpo e que não interferisse no funcionamento do carro foi pegando o sinal do pulso da bobina de ignição para assim consegui fazer o carro funcionar.

Nesse setup andei durante um ano e pouco mais de trinta mil quilômetros, porém em um track day onde minha bomba de combustível me deixou na mão lá se foi o terceiro pistão.

Foi uma situação muito chata, pois danificou o bloco também e como esse carro usa pistões de 87,50mm que são enormes e teria de mudar para a medida de 88mm e aí vem a questão, onde achar com preço acessível e de boa qualidade pistões que aguentassem pressão? Na Ford? Esquece — nunca tem nada e quando acha é uma fortuna. Acabei achando da marca Takao porém nunca vi ninguém usando essa marca de pistões em carros preparados, e aí já caminhava para uma semana com o carro parado pois teria eu decidir o que fazer antes de mandar o bloco para retífica.

Nessas horas que ou você mete a cara e muda para um próximo nível ou larga mão de tudo e volta a andar com o carro original.

Depois de muito pensar e analisar cheguei a conclusão que muito dos amigos que conquistei e boa parte de todo meu circulo de amizade conheci por conta do meu carro, outro ponto é o sonho que tive de ter um carro preparado, algo que nunca imaginei que era correr em um autódromo e isso veio tudo junto com o carro e não iria abrir mão disso agora.

Então bora pra frente e acabei adquirindo um jogo de pistões da AFP do motor GM 2.4 medida 0,50 para turbo, queria o pistão reto para manter uma boa taxa de compressão porem não foi possível encontrar isso em nem um local no Brasil, pelo visto ninguém abre o motor 2.4 e decide colocar pistão reto então até tinha no catalogo da AFP porem nem um distribuidor possuía em estoque ou já chegou a vender. Uma vez com eles em mãos entreguei na retifica com as medidas de folgas em mãos para que fosse realizado os devidos ajustes na camisa danificada e abertura das demais.

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Na hora de medir a taxa de compressão fiquei decepcionado pois havia caído de 10,5:1 para menos de 8 de taxa o que me obrigou a voltar a usar gasolina.

Agora com todas as peças em mãos quis economizar com uma junta paralela que tinha um preço muito inferior a junta original e também era de metal. Foi a pior escolha que eu poderia ter feito. Montei o carro e agora era hora de amaciar o motor, primeiros 500km rodados troca de óleo e vamos curtir viatura.

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Esse é meu carro de uso diário e na época tive que me deslocar para São Paulo, uma semana após a montagem do motor. Durante a viagem quando tentava manter o carro em quinta marcha e próximo a 5.000 rpm (próximo a 110km/h) o ponteiro de temperatura subia rapidamente e eu era obrigado a tirar o pé, a cada tentativa de manter uma tocada um pouco mais animada o carro esquentava, porém não chegou a ferver nem uma vez. Peguei trânsito em São Paulo, voltei e tirando esse problema de temperatura em altas velocidades o carro estava normal, coisa de mais dez dias fui para mais um track day e voltei para casa com uma junta queimada e cabeçote empenado. Isso foi muito frustrante pois andei com o carro quase 70.000 km sem ter que abrir o motor desde que havia montado o turbo e agora pela segunda vez em um mês estava com o carro encostado, digamos que fiquei muito puto com a situação e não iria montar até entender o que estava ocasionando aquele problema.

 

Após desmontar o cabeçote e enviar para a retífica lá fui eu novamente comprar parafusos do cabeçote, juntas e retentores e tudo mais que iria precisar para fechar o motor, e tudo isso não custa nada barato. Ao comparar a junta do cabeçote original com a junta da Bastos tive uma surpresa muito desagradável: as dimensões nas galerias de água e óleo eram diferentes da junta original. Para vocês terem uma ideia o diâmetro da galeria de água era 150% menos que na junta original, e isso interfere diretamente na troca de calor que deveria acontecer entre a água do bloco que deveria ir para o cabeçote assim como o óleo que não circulava normalmente.

Mas vamos lá, até entrei em contato para com a fabricante, porém já sabem como é o atendimento de pós-venda no Brasil. Com o carro montado pude curtir novamente o meu brinquedo sem esse problema de temperatura elevada em altas velocidades. Agora podia ir até um dinamômetro e ver o resultado do conjunto atual o que me deixou muito satisfeito com o torque alcançado, porém estava longe de ser uma mesa.

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O resultado foi 36kg de torque e 230cv na roda com 0,5bar. Já no GNV obtive míseros 170cv — embora seja mais que suficiente para se locomover aqui no centro de Curitiba com sua velocidade máxima de 40km/h. Vou deixar aqui um vídeo de um dos últimos TrackDayIn aqui de Curitiba onde fiz uma compilação dos melhores momentos.

Volto a repetir galera, esse é meu carro de uso diário e chego andar mais 100km em alguns dias e quando pego a estrada é para valer cerca de 1.000km em uma semana então é um carro forte e confiável. Só estava meio chateado com o visual do carro.

Já fazia algum tempo que estava querendo encostar ele na lataria para realizar alguns retoques, porem os latoeiros estava me pedindo uma pequena fortuna e assim acabava deixando de lado pois a cada gasto com o carro tinha que gastar o mesmo valor com a casa pois esse foi o acordo feito com a patroa, para encuntar a historia a patroa ganhou uma cozinha nova pois decidi que iria pintar o carro, não só pintar e sim alterar a cor do carro.

Insatisfeito com o serviço realizado no focus nas ultimas empresas que o levei acabei abrindo uma oficina mecânica, e um dos mecânicos que trabalha em minha equipe tinha ótimas recomendações por ter realizado varias restaurações em carros clássicos e com a faca e o queijo não mão meti bronca.

 

A cor escolhida foi a Brilhant Red do catálogo 2016 da Audi, mesma cor utilizada pela Audi no RS3, A3 TSI, R8 e outros carros da linha que acho o máximo. Comprei todo o material da PPG e 3M para obter o melhor resultado possível, foram 15 dias de trabalho e o resultado ficou sensacional e abaixo algumas fotos do processo de pintura.

Na próxima parte contarei como ficou o carro com o novo acerto da turbina K24 e 1kg de pressão para dentro do motor.

Por Wyldwagner de Souza, Project Cars #317

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