Edição diária: 20/06/2019
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Project Cars Project Cars #46

Ford Ka One “Kaveirinha” – a história do Project Cars #46

Olá pessoal, meu nome é Rodrigo Coutinho Cardoso Passos. Tenho 32 anos, sou técnico formado em Eletrônica e Instrumentação e Controle e, além desses dois, como engenheiro mecânico. Que eu me lembre, minha paixão por carros começou por volta dos quatro anos de idade, quando nas tardes de domingo meu pai lavava seu belo Maverick verde-esmeralda. Eu ficava sentado na calçada, olhando aquele imenso carro sendo limpo ao som de Beatles, Roberto Carlos e outros tantos sons legais da década de 1970.

Lembro que, finalizada a lavagem, ele me colocava no banco do passageiro e íamos abastecer o carro. Como eu era pequeno, só via o painel e uma parte da paisagem (normalmente os beirais e telhados das casas). Tenho ótimas lembranças da sensação mista de medo e felicidade de ouvir aquele motor roncar e automaticamente ser esmagado contra o encosto do banco.

Fui crescendo, lendo revistas e sempre acompanhando meu pai e tios nas visitas às oficinas. Nada mais natural, portanto, que criar gosto pela mecânica e pelo cheiro de gasolina. Meu pai sempre reclamava das ferramentas desaparecidas dele (adivinha quem fui?) e dos meus carrinhos de brinquedo desmontados. Assim, cheguei à adolescência e a febre por dirigir tomou conta de um moleque impaciente, que questionava o pai por não saber dirigir. Em uma certa tarde de domingo, ele disse que me ensinaria – e lá fomos nós num caixinha GTI pelas ruas do bairro.

Daquele dia em diante nunca mais me desliguei dos carros. Este sou eu – mas vamos falar do Ka, que é o real motivo deste post.

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O Kaveirinha é um Ford Ka modelo One, 2007, motor 1.0 monocombustível. Não vou me alongar na ficha técnica, pois sempre achei que números em excesso só eram legais no Super Trunfo – e, além disso, teremos bastante tempo para falar de cada característica técnica do carro e de cada modificação que fiz nos próximos posts.

Essa aí em cima foi uma das primeiras fotos que tirei dele, feita no dia seguinte à compra. Ela me faz lembrar o que me levou até este modelo da Ford: a busca por diversão séria a baixo custo. Depois de ter uma relação de amor e ódio com alguns modelos que fui proprietário e de realizar um sonho de infância (a compra do meu querido Opala 1977), decidi que era hora de buscar um modelo que exigisse baixo investimento, que tivesse uma boa gama de equipamentos aftermarket interessantes, e principalmente, que tivesse um handling digno de elogios. São esses fatores que me levaram ao Ford Ka Mk I.

Mas por que cargas d’água comprar um One 1.0 se o XR 1.6 é superior? Porque eu sempre tive o intuito de modificá-lo, e não faria isso com um modelo de maior valor, principalmente quando o assunto recai sobre as modificações do motor, assunto que detalharei mais à frente.

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Logo após fazer as devidas trocas de fluidos e correias, peguei a estrada com ele até minha casa na época, em Salvador, e pude sentir o quanto este carrinho, mesmo todo OEM, é bastante plantado e prazeroso de se guiar. A forma como ele se mostrou comunicativo nos pedais e direção, a pouca rolagem de carroceria e a disposição do motor Zetec Rocam pra trabalhar em regimes mais altos confirmaram o que eu esperava: ele realmente era uma ótima base para um devorador de curvas!

Há ainda um fato bastante curioso sobre este carro: ele foi o responsável indireto pelo meu casamento. Como assim? Explico.

Depois de ter ficado acordado por 36 horas na antiga unidade onde eu trabalhava, fui pra casa descansar. Mas duas horas após ter chegado, recebi uma ligação dos meus pais, que disseram que iriam me visitar no final de semana e ficariam dois dias em casa. Como todo belo apartamento de solteiro, não havia comida nem bebida decentes o bastante para pessoas com mais de cinquenta anos, então, mesmo cansado, saí e fui às compras.

Sinceramente, não lembro sequer do momento em que saí do supermercado – muito menos do acidente que sofri oitocentos metros depois. Capotei o carro. Acordei no hospital, na manhã do dia seguinte, sem saber bulhufas do que havia acontecido, só de cueca e pijamão. Meus pais, que só viriam na sexta, anteciparam a viagem pra quarta. Junto veio a minha esposa, na época minha namorada, falando que estava muito preocupada e que iria cuidar de mim – e nessa conversa mole de cuidar de mim, colocou a escova de dentes na minha pia, as roupas no armário… e tandan! Lá estava eu assinando os papéis!

O pobre Kaveirinha sofreu danos nas portas, suspensão e teto, mas não teve seu monobloco atingido. Foi recuperado pela seguradora e voltou pra casa, depois de dois meses entre liberação do seguro e serviços de funilaria e mecânica.

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…e assim começou o projeto do Kaveirinha. Qual meu objetivo? Torná-lo meu kart de rua, aprender muito mais e aplicar na prática os conhecimentos adquiridos. Trabalhar nele é o meu prazer dos finais de semana. Se pudesse resumir toda a ideia em uma imagem, seria essa abaixo.

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Um grande abraço a todos – e fica o meu agradecimento pela participação no Project Cars e pela atenção dos leitores. Não há como esconder o entusiasmo, tanto de fazer parte deste projeto como de acompanhar cada um dos envolvidos.

Até o próximo post!

Por Rodrigo Passos, Project Cars #46

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