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Ford Mustang 2018: visual mais retrô, suspensão magnética e câmbio de 10 marchas para brigar com o Camaro

Justo quando a gente estava aprendendo a lidar com o visual modernoso do Ford Mustang de sexta geração, vem a Ford e lança uma reestilização que traz de volta um pouco do aspecto retrô que havia sido deixado de lado. E ficamos felizes com isto.

E, sabe o que mais? O visual não foi a única coisa que mudou pois, com sua sexta geração, o Chevrolet Camaro vem se mostrando um rival mais forte do que nunca – nós mesmos fizemos uma avaliação completa e elogiamos sua evolução em termos de visual, construção e acabamento e, claro, dinâmica. Evidentemente, a Ford não deixaria o Mustang comer poeira por muito tempo. Além disso, o atual Mustang foi revelado em 2013 e começou a ser fabricado em 2014, como modelo 2015. Já estava mesmo na hora de uma renovação de meia-vida.

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Mas vamos, primeiro, falar da “cara” do carro. No começo da semana, um vídeo “vazado” acabou revelando o visual do Mustang 2018. Só havia um problema: com contraste, brilho e saturação alterados, o vídeo deu a impressão de que o facelift piorou as coisas – parecia que os faróis tinham ficado menores e inexpressivos. Veja, abaixo, a versão oficial do vídeo:

Não demorou para que a Ford, então, revelasse todo o material oficial (incluindo a versão de alta qualidade do vídeo) para colocar os pingos nos is. Ficamos mais aliviados quando vimos as fotos.

A real é que o Ford Mustang agora é mais retrô. Os faróis continuam pequenos, mas esta já era uma característica do Mustang original que se fez presente também nas duas últimas gerações. E eles não ficaram inexpressivos – na verdade, ganharam elementos mais elaborados no interior e formato mais sofisticado. Eles deram ao muscle car uma cara mais agressiva e, ao mesmo tempo, mais fiel ao desenho clássico da primeira geração do Mustang pois, tal como era na década de 1960, são mais recuados em relação à carroceria e à grade, que por sua vez ficou mais baixa, larga e pronunciada.

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A Ford não declara abertamente, mas nosso palpite é que estas mudanças foram inspiradas pelo modelo 1969 – que também tinha uma grade mais baixa, larga e pronunciada, que dava a impressão de que os faróis eram menores. Outra evidência disto é o formato do novo splitter frontal, que cresceu para a frente e para os lados.

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O para-choque dianteiro ganhou elementos de iluminação mais modernos, com novas entradas de ar (incluindo frestas para ventilação dos freios) e luzes diurnas.

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Se as laterais não trazem mudanças perceptíveis, a traseira adotou novas lanternas. Elas ainda trazem três elementos verticais mas, em vez de retas, agora apresentam uma ligeira curvatura nas bordas externas da traseira. Já o difusor no para-choque agora é pintado de preto, e não da cor do carro, e tem formato ligeiramente mais retilíneo, parecendo mais integrado ao para-choque.

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Dois vincos no painel traseiro, ao lado do emblema “GT”, dão um aspecto mais sofisticado à traseira

Também foi incorporada uma nova asa traseira opcional ao Mustang GT – que, novamente, enxergamos como uma referência ao passado: ela lembra bastante a utilizada no Mustang Mach 1 intruduzido em 1969. E a cor do carro na maioria das fotos de divulgação, um laranja bastante vibrante que parece uma referência ao primeiro Mustang Boss 302, que competiu (e venceu) na mítica Trans-Am series, em 1970.

Por dentro, uma mudança simples, mas importante: agora, o cluster de instrumentos com mostradores analógicos e uma tela colorida no centro se tornou completamente digital, tendência que vem sendo cada vez mais adotada pela indústria. No mais, o desenho do painel e dos revestimentos das portas não mudou.

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A motorização permanece a mesma. Ou quase: enquanto o V8 Coyote, de cinco litros com comando duplo no cabeçote e 441 cv, e o quatro-cilindros turbo Ecoboost, de 2,3 litros e 314 cv, permanecem, o motor V6 de 3,7 litros e 304 cv vira passado também nos EUA – na Europa, ele sequer chegou a ser oferecido. Faz sentido: por mais que o V6 fosse um motor confiável e consagrado, o quatro-cilindros é mais potente, mais moderno e mais econômico. Mesmo nas vendas, o V6 ficava lá atrás. E pense pelo lado positivo: quem quiser um ‘Stang naturalmente aspirado será forçado a comprar um V8!

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Desse ângulo dá para ver como a dianteira ficou mais alongada e imponente (e com um quê de Jaguar)

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Também houve duas mudanças técnicas importantes, como previsto em novembro de 2016. A primeira é a adoção, finalmente, do câmbio automático de dez marchas desenvolvido em conjunto por General Motors e Ford – que já é encontrado no Camaro e, segundo a Chevrolet, é mais rápido do que um PDK de dupla embreagem. Vale lembrar que o fato de ter o mesmo projeto não significa que os câmbios são exatamente iguais: cada marca usa sua própria programação e configuração de relações. Até porque os motores dos dois carros são completamente diferentes.

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A outra é o emprego de amortecedores magnetorreológicos, que alteram a carga de forma ativa através de um fluido eletro-magnético que fica mais ou menos denso, dependendo da situação. Eles são responsáveis por boa parte da melhora na dinâmica no Chevrolet Camaro (além, é claro, de toda a evolução do projeto), e era questão de tempo para que o Mustang também ganhasse os seus.

Mais detalhes (especificamente, as atualizações nos motores e os preços) ainda precisam ser revelados, mas agora sabemos como será o Mustang que chegará ao Brasil no ano que vem. Diz aí: curtiu as mudanças?

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