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Project Cars Project Cars #04

Formula SAE: conheça a história do Project Cars da equipe Fênix Racing!

Fala galera do FlatOut! Meu nome é José Rodolfo, sou estudante de Engenharia Mecânica da UNESP de Ilha Solteira, tenho 22 anos e estou representando 19 estudantes que formam a nossa equipe estudantil de Fórmula SAE: a Equipe Fênix Racing. Aqui vou apresentar a nossa equipe, falar sobre a competição e, claro, sobre o nosso projeto, o FX4.

 

O que é a competição Fórmula SAE

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Fórmula SAE é uma competição estudantil organizada pela instituição internacional Society of Automotive Engineers, na qual estudantes de engenharia projetam e constroem um veículo automotor para participar de competições entre instituições de ensino superior de nível nacional e internacional. A competição envolve 565 equipes do mundo todo. Durante os três dias de evento, os carros passam por provas estáticas e dinâmicas, avaliando-se a performance de cada projeto na pista, assim como as apresentações técnicas da equipe.

 

Provas estáticas

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Inspeção Técnica: é verificado se o protótipo atende a todos os requisitos da FSAE previstos em regulamento, incluindo uma análise rigorosa dos equipamentos de segurança. Caso o carro esteja fora do regulamento, a equipe pode levar o monoposto de volta aos boxes para realizar as alterações necessárias, a fim de obter aprovação na reinspeção.

Business Case: nesta prova, a equipe deve apresentar uma plano de negócios para simular a viabilidade de produção em massa e venda do protótipo para o mercado. Os estudantes devem apresentar conhecimento sobre custo, identificação de mercado, público alvo, produtividade, produção, demanda, lucratividade, entre outros elementos, todos eles coerentes com o carro fabricado para a competição.

Avaliação de custos e manufatura: consiste na avaliação do relatório de custos enviado pela equipe e na viabilidade de manufatura.

Projeto: nesta prova, os estudantes são avaliados sobre os critérios de engenharia aplicados no desenvolvimento do projeto. A apresentação é dividida nas seguintes áreas: Direção, Eletrônica, Estrutura, Freio e Cockpit, Motor, Transmissão e Suspensão.

 

Provas dinâmicas

Aceleração: é avaliado o tempo decorrido pelo carro ao percorrer um trecho retilíneo de 75 metros de distância.

Skid Pad: avalia-se a performance do veículo em uma curva com superfície plana e raio constante.

Autocross: aqui o veículo é requisitado em função da sua dirigibilidade e busca-se maior performance obtida com a combinação correta de aceleração, frenagem, direção e suspensão. O circuito é travado e a pontuação é obtida em função do tempo decorrido para completar o percurso.

Enduro e Economia de Combustível: o veículo é colocado em uma prova de resistência, na qual é verificada a confiabilidade e a durabilidade do projeto como um todo. O protótipo deve percorrer uma distância de 22 km e avalia-se o consumo de combustível neste percurso.

 

Equipe Fênix Racing

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Atualmente a equipe conta com 19 integrantes estudantes de Engenharia Mecânica e Engenharia Elétrica. Nosso orientador é o professor Miguel Ângelo de Menezes, Ph. D. A equipe é subdividida em Acionamentos, Eletrônica, Estrutura, Motor, Suspensão e Transmissão.

A equipe Fênix Racing iniciou as suas atividades em 2009 com o objetivo de implementar o projeto Formula SAE na Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira – UNESP.

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Nos dois primeiros anos, o grupo se dedicou na obtenção de infraestrutura. Inicialmente, conseguiu-se o apoio dos professores, em seguida, uma sala foi disponibilizada pelo departamento, onde hoje é a oficina. De pouco a pouco a equipe foi se desenvolvendo.

Após três anos de consolidação da equipe, foram projetados e construídos três carros, que participaram das competições de 2011, de 2012 e de 2013, alcançando resultados razoáveis. Os nomes dos nossos projetos sempre são escolhidos em homenagem à pessoas que fizeram e fazem toda a diferença para o projeto acontecer. Quem sabe em um post futuro podemos falar um pouco sobre os homenageados.

Infelizmente, em todos os anos a equipe encontrou grandes problemas que afetaram diretamente o resultado final na competição.

No ano de 2011 tivemos problemas com a entrega dos materiais. Os materiais encomendados chegaram muito atrasados, atrasando toda a construção do “FX1 – Aélcio Gomes” e principalmente atrasando a realização dos testes. Com a carro sendo feito às pressas e sem tempo algum para testes, problemas na regulagem do motor impediram que o monoposto funcionasse na competição. Mesmo sem participar das provas dinâmicas com o carro em pista, a equipe conseguiu a 18ª colocação entre 22 competidores.

Em 2012 a equipe construiu o “FX2 – Delforge”, totalmente do zero, pois os componentes já estavam bastante comprometidos devido às diversas soldas aplicadas, dentre outros procedimentos. Mesmo com um projeto novo, o carro de 2012 seguiu os moldes do carro de 2011, cujo projeto da estrutura estava bem feito e bem analisado. Neste ano o projeto caminhou bem e alguns testes antes da competição foram possíveis. Porém, tivemos problemas com o sistema de freio. Por regulamento, deve-se travar as quatro rodas do protótipo na prova de frenagem, mas nosso veículo travou apenas as rodas traseiras. Portanto, novamente não foi possível participar das provas dinâmicas com carro em pista. Participando apenas das provas estáticas, a equipe conseguiu a 14ª colocação, competindo entre 27 equipes.

Com a experiência adquirida nestes dois anos de competição, a equipe tinha tudo para alcançar as primeiras colocações na competição de 2013. O projeto caminhou bem, encontramos o erro no projeto do sistema de freio, o problema foi solucionado, o “FX3 – Eduardo Matos” foi testado, o carro andou, as 4 rodas travaram na frenagem, e então partimos para a competição. Tudo ocorria bem, até a prova de segurança que avalia o ruído do motor (o ruído não deve ultrapassar 110 dB). Nesta prova, infelizmente, o motor da Hornet 600cc que utilizamos travou. A utilização de bronzinas erradas fizeram com que elas fundissem e travassem o virabrequim! Com isso, não conseguimos participar das provas de aceleração, skid pad, autocross e enduro. Neste ano a equipe ficou em 18º de 31 equipes.

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FX1 – Aélcio Gomes, FX2 – Delforge e FX3 – Eduardo Matos

Para 2014 nós estamos trabalhando num projeto totalmente novo que, baseado em três anos de experiência acumulada, está sendo altamente refinado, seguindo todas as tendências de performance automotiva. Hoje estamos com bastante conhecimento prático e teórico sobre a concepção do projeto e a construção do protótipo. O nosso foco é conseguir as primeiras colocações em 2014 e buscar suporte para competirmos no exterior em 2015. Ainda não sabemos quem ou o que será homenageado neste novo projeto que, por enquanto, não possui sobrenome. Se Deus quiser, em meados de setembro teremos o post com o carro finalizado e nomeado!

Será um prazer compartilhar com todos vocês o nosso projeto, a sua construção e as experiências vividas até a competição em novembro deste ano.

Forte abraço!

Por José Rodolfo Queiroz, Project Cars #04

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