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Project Cars Project Cars #392

Fusca Outlaw: a conclusão do Project Cars #392

Como vão, confrades? Chegou o post derradeiro, o fim da história. Espero que gostem do último texto e de como o fuscão ficou. E se não gostarem, eu gostei!

Quem perdeu, pode ver como tudo começou neste post e neste post.

Então vamos lá…

Depois do encontro, o carro hibernou um mês. Somente fiz ajustes, acertei mangueiras, pintei a roda de preto pra dar um contraste no cromado da calota – E isso deu muito certo.

Já estava satisfeito com o carro, confesso. Funcional, andava bem e ficou bonito. Mas ainda faltavam alguns detalhes. Pra compor o visual inspirado nos German looks, comprei o jogo de piscas mexicanos (ou alemães? Ou americanos?), os ‘cat eyes’ pra lanterna traseira,e o painel com os manômetros de temperatura e pressão de óleo. Não poderia arriscar novamente outra quebra. Comprei tudo pelo ML e não deu certo: Os instrumentos que comprei iam exigir adaptações para o uso no fusquinha e eu queria evitar isso ao máximo. No fim, acabei adquirindo tudo novamente (E os que comprei antes estão à venda, balatinho). De novo, quem fez o trampo pra mim foi o André, que caprichou e deixou do jeito que eu achei que ficaria (E as fotos vou deixar todas – ou quase todas – pro final)

 

Parêntese: Quando fui buscar o carro, achei que tinha ficado animal. Mas faltava aquele talento na suspensão dianteira pra ‘ornar’. Pois bem. O André pesou e eu acabei abaixando a frente do carro… pra que, meu Deus do céu? Ficou horrível pra andar, raspava na porta de casa, na lombada, no vento… sem falar do que o carro quicava. O curso do quadro foi extinto e o carro ficou sentado nos amortecedores, que, sem curso também, passavam todos os solavancos pro banco. Cheguei em casa e fui regular as válvulas, quando me vem a mensagem:

“E aí, gostou?…”

Voltei pra lá no mesmo dia e levantei o carro novamente, não tanto quanto estava mas numa altura que não raspava nem me surrava.

A partir daí, precisava da ‘trip’ que ia batizar o fusquinha, e como bom paulistano, escolhi um destino inédito (!): Campos do Jordão! Grupo criado no whatsapp, rotas combinadas e uma turma gente fina. Não tem como dar errado (a menos que o fusca queira). Já agendamos a visita à uma famosa cervejaria da cidade e preparamos os carangos. O Vinícius, que tirou as fotos, só colocou gasolina, o André do fusca branco deve ter só lavado – ele mora numa oficina —  já eu e o Douglas, da brasa verde, tivemos mais trabalho. Eu, por ir com carro mexido, chequei tudo 10x. O Doug porque sai com o carro de seis em seis meses.

 

A Brasília

Merece um capítulo à parte. Meses antes, num encontro de posto de gasolina e lanchão cheio de catupiry falso, nos chega um rapaz com semblante esquisito com uma Brasília (ou um Brasília?) verde. Velho amigo, nos conta que mexeu no carro e esqueceu de apertar os parafusos da roda, que o abandonou no caminho. Passado o susto, rimos, avaliamos os pequenos prejuízos e vida seguiu. Pois bem. Um dia antes da viagem, faríamos mais um “garage day” – E o nosso é de graça! Ninguém cobra pra você arrumar seu carro! – e terminaríamos os ajustes necessários pra qualquer contratempo na estrada. No sábado, estava eu passando cera no fusca, e recebi uma mensagem do Douglas me dizendo que a roda da brasa tava travada e precisaríamos dar uma fuçada. Passei o que restava de cera na fuca e fui atrás das peças: Cilindro, lonas, rebites… Desmontamos, improvisamos a rebitagem, limpamos, ajustamos e finalmente tudo estava pronto pro grande dia…(depois de algumas horas e boas risadas). SQN. Numa esticada na estradinha, eis que surge um barulho inesperado e desesperador:

– Ta ouvindo isso?

-To mano!

-Para o carro! E.. Bem.. Você apertou os parafusos?

Sim, ele tinha esquecido! E também não trouxe a chave. No fim, fiquei na beira da estrada aguardando ele ir buscar . Depois disso, conferimos todos e percebemos que freio estava ótimo – Como freio de fusca.

 

O Grande dia

Combinado o itinerário, saímos as 8:00am, já atrasados devido à minha querida namorada. Foi uma briga feia mas superamos (E se ela não fosse, provavelmente o carro ia quebrar). Manhã bonita de domingo, sol, tudo caminhando para um ótimo passeio. Nos encontramos com o Felipe e o cotô (Vulgo Lucas carvalho do apollo, verona…) num posto, tomamos café e tocamos pra CJ. E que coisa legal é estar na estrada com uma galera de antigos. Volta no tempo. Só quem já fez sabe a sensação.

Na estrada, fomos em ritmo de festa: Limite da rodovia o tempo todo, e com o fusquinha branco, 1300, na nossa cola o tempo todo… Que carrinho valente! Subimos a serra com o pé embaixo e deixamos muitos – mesmo – carros novos pra trás, inclusive um Cruze que depois se invocou, apertou um botãozinho e saiu cantando correia… Problema dele! Nunca vai sentir a mesma sensação que a gente. E entre uma esticada e outra, um túnel e outro, pude perceber o quanto abençoado sou por um momento desses. Coisas que vão ficar pra sempre na memória. Enfim.

Chegamos bem a CJ, e em cima da hora da visita à cervejaria. Daí, foi aquela coisa que todo mundo faz: Visita, almoço (Que foi um lanche muito caro e ruim! Se por acaso passarem por lá, evitem uma lanchonete meio retrô) e mais passeio. Teve teleférico, chocolate… E o mais legal foi ter reunido uma galera tão gente boa. Realmente, foi um dos melhores passeios que fiz com o fusca. Incrível máquina de fazer amigos, já diziam os sábios.

Na volta, paramos no mirante e tiramos mais algumas fotos antes de nos despedirmos. A volta também foi bem tranquila e só paramos nos pedágios… E corremos pra casa antes da chuva chegar.

E sobre a viagem, além das fotos, é isso. Uma boa desculpa pra colocar os carros na estrada e dar boas risadas. Farei mais vezes.

 

Impressões

Agora vai ter polêmica.

Bom, o fusquinha superaqueceu numa esticada. O óleo chegou a 130 graus, o que me obrigou a mexer novamente no arrefecimento, coisa que já resolvi deslocando a tampa traseira, retirando uma das latas sob aconselhamento do grande mestre Zotti, do FFB, e utilizando um óleo mais viscoso. A foto da tampa deslocada também está lá no fim!

Na estrada, ando com bastante tranquilidade na velocidade máxima da via, com algum conforto pela baixa rotação e tenho motor pra ultrapassar. O barulho, nos túneis, é sensacional pra quem gosta. Não tive como filmar isso, mas filmei na garagem, e é mais ou menos assim:

 Tá tosca a filmagem, eu sei.

Além disso, o carro freia como deveria e é estável. Claro que não dá pra fazer arruaça com um carro de 40 anos, mas ele não faz feio na estrada e garante boa diversão nas curvas. Dome-o.

Eu estimo (estimo!) 95cv no motor. Explico: O SP2 tinha 75cv no motor 1700 original. Partindo daí, o comando de válvulas, segundo as tabelas, me dariam mais 12 cv. Considerando 10, teria 85cv. Aí, juntando a alimentação recalibrada, ignição eletrônica ‘moderna’, escapamento dimensionado, filtros esportivos e cabeçotes trabalhados, teria mais 10cv. Logicamente, é apenas uma estimativa. Eu andei um bom tempo num PUG 1.6 16v que tinha 113 cv e sei que o fusca não chegou nisso, mas também tenho um Fiesta Rocam 1.0 daily que com 73cv fica muito pra trás. Pareceu supertrunfo, mas eu não vou pra dinamômetro. Deixa assim, romântico. Na aceleração, fiz 11s no 0 a 100. No GPS, de final, já marquei 170 KM/H numa rodovia mexicana. Acredito que esses números possam melhorar com uma carburação mais agressiva (maior) e mais coragem no pedal. Mas vou manter assim. Já é o suficiente pra me divertir e ter confiabilidade. O consumo: Gastei um tanque (40L) pra andar 350 KM. Nem fiz a conta HAHAHA.

No mais, fiquei satisfeito com o carro e é isso que importa.

Então é isso, pessoal. Encurtei a história porque vocês também têm coisas a fazer, mas espero ter contribuído ou pelo menos, entretido vocês que acompanharam. Agradeço o espaço pra compartilhar a empreitada, as pessoas que me ajudaram e me aturaram no processo, à minha namorada que tá sempre comigo nessas loucuras e a Deus por me dar essa chance. Agradeço também as mensagens recebidas: É muito legal essa coisa.

Pra manter a tradição, vai a dica do dia!

Fiquem (agora sim!) com a galeria de fotos, tiradas pelo Vinícius Gouveia e pelo Lucas Carvalho. Valeu pela força, rapazes.

Enfim…Foi um prazer contar a minha história!

Forte abraço.

Por Ewerton Calebe, Project Cars #392

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Uma mensagem do FlatOut!

Ewerton, que belo projeto este seu. Você conseguiu fazer um projeto diferenciado em um estilo que se torna cada vez mais comum entre os aircooleds. Todas as modificações são de muito bom gosto e os trabalhos são muito bem executados. As fotos traduzem exatamente esse esmero. E como sempre dizemos por aqui: o mais legal é que você dirige o carro por todos os lados e curte seu carro com a galera. Não é exatamente esta a ideia por trás de um Project Car? Parabéns pela conclusão do projeto!

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