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Games que marcaram a infância: Twisted Metal

Não faz muito tempo que falamos aqui no FlatOut sobre Vigilante 8, clássico da era 32-bits nos consoles. O jogo de combate veicular tinha belos gráficos, jogabilidade excelente e uma história bacana, tornando-se um clássico. No entanto, Vigilante 8 surgiu no embalo de outro clássico do gênero: Twisted Metal. E, como você é um cara esperto, já noto que é disso que vamos falar hoje!

Twisted Metal foi lançado pela Sony Computer Entertainment em novembro de 1995. Estamos falando, portanto, de um game que surgiu poucas semanas depois do lançamento mundial do PlayStation original, em setembro do mesmo ano.

Na época, as desenvolvedoras ainda não conheciam direito os limites do novo console, o que era normal — o que ajuda a entender a evolução dos games lançados para determinada plataforma com o passar do tempo. Com Twisted Metal, no entanto, foi um pouco diferente: apesar de ter sido desenvolvido por uma companhia contratada, a SingleTrac, o game foi produzido pela própria Sony. Isto permitiu que Twisted Metal explorasse um pouco mais os recursos do PlayStation em comparação a outros títulos da época.

O que isto quer dizer, na prática?  Que Twisted Metal era um game à frente de seu tempo. O modelo de combate em uma arena tridimensional era algo inédito na época, os gráficos coloridos e a jogabilidade divertida e intuitiva faziam sua parte com louvor. No entanto, o todo o conceito do game foi o que conquistou muitos fãs.

Twisted Metal é o nome de um torneio promovido todos por um misterioso homem chamado Calypso. O prêmio? Qualquer coisa que você quiser — qualquer coisa mesmo, seja ela possível ou impensável. Como conseguir? Entrando em uma arena com um carro armado até os dentes para enfrentar um punhado de loucos que queriam o mesmo. O último sobrevivente seria o vencedor, obviamente! Ou será que não?

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Sério, você confiaria nesse cara?

Mas tem um problema. Se um cara todo esquisitão com poderes mágicos (a gente ainda não tinha comentado isto, não é?) te promete qualquer coisa no mundo e te diz que, para isto, basta você pegar um carro cheio de armas e matar alguns outros caras que também estão tentando matar você com seus próprios carros cheios de armas, certamente tem algo estranho. Como um palhaço sinistro com chamas no lugar do cabelo.

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Este é Sweet Tooth, o “mascote” de Calypso — um assassino em série que quase sempre é o último rival que o vencedor do torneio deve enfrentar. As chamas na cabeça doem o tempo todo, e boa parte de seu desejo de matar vem das queimaduras que ele sofre o tempo todo.

Os outros personagens — os caras que você escolhe — também não são muito melhores: criminosos, malandros e loucos em geral são os que procuram pela “generosidade” de Calypso.

Ao longo dos anos, mais de 50 veículos diferentes foram criados para a franquia Twisted Metal

É um conceito bem interessante que, pensando em retrospecto, daria um belo roteiro para uma série do Netflix ou algo do tipo. Acontece que, mesmo sem este pano de fundo, Twisted Metal seria um jogo bacana.

Isto porque o conceito do jogo era algo realmente diferente de tudo o que havia. Os cenários tridimensionais eram variados, bem construídos e interativos. A jogabilidade era outro ponto forte: a curva de aprendizado era bastante amigável, a dinâmica dos carros era convincente e a variedade de armas e personagens garantia um fator replay bastante alto.

Era possível jogar sozinho ou com um amigo. No primeiro caso, você podia começar um combate único ou seguir a história, com seis níveis diferentes e a oportunidade de enfrentar Calypso e Sweet Tooth no final. No segundo caso, você escolhia um cenário para participar de um combate em dupla com um amigo — se os dois ficassem até o final, a disputa virava um duelo.

Mas e o tal do “algo estranho”? Pois bem: se você tivesse a manha de fechar o game, o personagem que você escolheu tinha seu desejo transformado em realidade… da maneira que Calypso desejasse. Ele interpretava o desejo como quisesse e, no final, o que quer que ele tivesse concedido acabava na morte de quem fez o pedido. Detalhe: todos os finais eram filmados em live action, com todo jeito de filme B. Demais!

O conceito foi explorado nos jogos que vieram depois — Twisted Metal 2, Twisted Metal III e Twisted Metal 4 marcam a série clássica, e mais quatro games foram lançados para PS2, PS3 e Playstation Portable. O último deles, intitulado simplesmente Twisted Metal, data de 2012. Nenhum deles, contudo, fez tanto sucesso quanto os dois primeiros jogos.

Este escriba tem como favorito Twisted Metal 4. Além de ser o primeiro game da franquia que joguei, gosto do quarto título por causa da atmosfera mais sombria nos cenários e personagens do que os jogos anteriores. Tem também o fato de (como em TM3) a trilha sonora ser composta por Rob Zombie — que também se tornou um dos personagens selecionáveis, sob a alcunha de “Mr. Zombie”. A propósito, a música Dragula, do Rob Zombie, também fez parte da trilha sonora de Gran Turismo 2, outro clássico do PSOne que já apareceu nesta seção.

Se você  ficou com saudade, saiba que dá para comprar os jogos lançados originalmente para Playstation na PSN — ou você pode usar um bom e velho emulador (sabemos que você faz isso!) para resgatar bons momentos de destruição automotiva virtual.

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