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Games que marcaram a infância: Vigilante 8

Não é segredo para ninguém que a gente aqui no FlatOut também curte games — temos diversos posts dedicados a jogos de corrida e simuladores. No entanto, como você bem deve saber, nem todo game de carros é um game de corrida ou simulador, e por isso títulos como Grand Theft Auto e Driver 2 também já ganharam espaço nas nossas páginas. Hoje é dia de falar de outro desses: Vigilante 8, clássico do PlayStation.

O cenário são os EUA na década de 1970. O problema, a escassez de petróleo. A solução? Colocar um bando de malucos ao volante de carros preparados, armados até os dentes, em uma disputa mortal. Resumidamente, esta é a premissa de Vigilante 8, que foi lançado em 1998. Desenvolvido pela Luxoflux e publicado pela Activision, Vigilante 8 foi bastante elogiado pela crítica e muito bem recebido pelo público pelos gráficos, muito bons para a época, e pela jogabilidade bastante envolvente.

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Se você já curtia carros quando era moleque, provavelmente sacou o “V” e o “8” em destaque na capa — sinal claro de que os responsáveis por seu desenvolvimento levaram o aspecto automotivo do game a sério. E também de que boa parte dos carros de Vigilante 8 tem, bem, motores V8!

Sendo ambientado na década de 1970, Vigilante 8 pegava emprestada a atmosfera de filmes clássicos de Hollywood, como “Corrida Contra o Destino” (Vanishing Point, 1971) ou  o “60 Segundos” original (Gone in 60 Seconds, 1974). No entanto, em vez de dirigir muscle cars americanos pelas longas estradas desérticas dos EUA (um game assim seria bacana, não), Vigilante 8 te colocava para destruir os carros dos outros em uma arena.

A história, honestamente, não era bem explicada: tudo o que você descobria quando colocava o disquinho para rodar (ou o cartucho, no caso do port para Nintendo 64 lançado em 1999) era que havia um grupo de rebeldes chamado Coyotes, liderados por um cara chamado Sid Burn. Estes rebeldes estavam a serviço de uma empresa chamada OMAR (Oil Monopoly Alliance Regime), que pretendia monopolizar a distribuição mundial de petróleo. Sua missão: causar o caos por meio de ataques terroristas motorizados. Por sorte, um outro grupo de rebeldes, liderado pelo caminhoneiro Convoy para impedi-los — os Vigilantes. Ou algo assim.

Não parece uma boa ideia armar um bando de lunáticos com carros cheios de metralhadoras, bombas e lança-foguetes para combater outro bando de lunáticos com carros cheios de metralhadoras, bombas e lança-foguetes. Quer dizer, não é uma boa ideia no mundo real, mas dá um belo game.

Vigilante 8 tinha dois modos de jogo: Quest e Arcade. No primeiro, você tinha que escolher entre oito carros — quatro de cada uma das “gangues” —, e cada um deles tinha quatro missões a realizar. Se você escolhesse um dos quatro Coyotes, as missões envolviam destruir coisas. Se fosse um Vigilante, era preciso protegê-las — para isto, não tinha conversa: era matar ou morrer.

Cada um dos carros era pilotado por um personagem, e baseado em um veículo da vida real, porém com outro nome e algumas diferenças estéticas. Havia um Fusca, um Ford Mustang, um Lincoln Continental, uma van Dodge e até um Shelby Cobra Daytona. Os líderes de cada uma das “facções” tinham carros especiais, que podiam ser desbloqueados dependendo do seu desempenho nas fases — que saudade do tempo quando não existiam “conteúdos adicionais pagos, não?

Convoy tinha um Mack R-600 batizado como “The Moth Truck”, enquanto Sid Burd pilotava um Chevrolet Corvette com chamas pintadas na carroceria. Curiosamente, o Corvette é chamado de “Manta 1969” no game — como você talvez já saiba, o Manta foi um cupê esportivo vendido pela Opel, divisão alemã da General Motors, entre 1970 e 1988. Preferimos acreditar que não foi coincidência, e sim uma referência sutil.

 

Todos os carros vinham equipados com metralhadoras e recebiam upgrades de acordo com ícones espalhados pelos cenários — cidades, rodovias, parques e arenas no deserto. Mísseis, lança-chamas, bombas e minas terrestres eram compatíveis com todos os carros, mas cada um deles tinha uma arma especial diferente. O vídeo abaixo, muito útil, demonstra cada uma delas:

Os combates eram muito intensos e, ao final de cada missão, um pequeno filme contando a história do personagem era exibido. Por outro lado, você também podia escolher o modo Arcade: você simplesmente escolhia seu carro, a quantidade de oponentes e o cenário, e o sobrevivente vencia.

Se uma história interessante e bons personagens já são meio caminho andado para um bom game, a jogabilidade e os gráficos também são importantes. E Vigilante 8 mandava muito bem neste quesito.

Seus gráficos, muito bem detalhados e cheios de texturas realistas, foram muitíssimo elogiados pela imprensa especializada, mas outra coisa fazia a diferença — os carros ficavam danificados, caindo aos pedaços, e as armas eram realmente “instaladas” quando você as recolhia. E outra coisa fazia muita diferença: a taxa de frames per second ou “fps” — a quantidade de quadros exibidos pela tela em um segundo — era bem alta. Quanto mais quadros, mais fluida e realista é a movimentação dos elementos na tela.

Quanto à jogabilidade, era simples e intuitiva: acelere, vire e atire. No entanto, cada um dos carros tinha características de dirigibilidade diferentes — claro, não estamos falando de características dinâmicas fundamentalmente diferentes, como em um simulador. No entanto, fazer com que um caminhão passe a sensação de ser “pesado” e um Corvette se comporte… bem, como um Corvette, em um game caótico como Vigilante 8, foi impressionante para a época.

Tanto que Vigilante 8 ganhou uma sequência já em 1999 — Vigilante 8: 2nd Offense, que repetiu a fórmula (e o sucesso) do game original, e também se tornou um dos clássicos da quinta geração de consoles, que durou de 1993 a 2006 e também ficou conhecida como “Era 3D”.

Temos certeza de que muitos leitores já passaram horas detonando oponentes em Vigilante 8. E, provavelmente, quem já jogou V8 conhece outro joguinho de combate veícular bem famoso, chamado Twisted Metal e nós vamos falar dele no próximo post desta série. Fique bem ligado!

 

 

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