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Project Cars Project Cars #400

Garagem Alfa Romeo: chegou a hora de conhecer o terceiro Alfa

E aí, então depois dessa fanfarra toda, me aparece finalmente o 155 vermelho. Claro, nada muito pronto, direto ou fácil como se era de esperar, especialmente se tratando de Alfas.

Primeiro, comecei as tratativas com o proeminente vendedor. Até aí foi fácil, marquei para ir ver o carro, que estava numa oficina até próxima do local onde estava trabalhando, no cruzeiro e ao ver o carro comecei a gostar.

Tinha o fato de estar pintado com o vermelho errado – porque diabos alguém pega um Alfa original Rosso Alfa e me pinta ele com outro tom de vermelho nada a ver é algo que não entendo, mas deixa quieto – tiraram o maravilhoso rosso alfa, escuro, denso, perfeito e me pintaram com algo que parece um vermelho flash da VW. Mal começo, mas vamos nessa.

Empurramos o carro pra fora, ligamos e ele pegou. Zero barulho no motor, fato este muito apreciado, sem barulho de válvulas ou variador de fase. Este fato só, junto com o estado razoável do carro foram suficientes para eu ir ao dono e deixar chequitos com ele como pagamento. O velho treme treme na mão do cheque facilitou a tarefa. Acho que preciso procurar um médico urgente; isso pode terminar em LER. Imagina que coisa horrorosa…

O 155 entrou por R$ 7.000. Levei pra casa de guincho, e em casa mesmo com calma arranquei o cabeçote e deixei na retífica. Uns dias depois peguei, comprei correia, tensor, rolete e bomba d’água nova e comecei a remontar tudo. Na remontagem ainda percebi que o eixo balanceador traseiro estava com rolamento ruim, o suficiente para não ser boa ideia montar a correia, de modo que ficaram sem uso até num próximo futuro, quando tirar o motor, vou trocar os rolamentos. Dois domingos depois tudo zerado e o carro funcionando. Estava coisa de R$ 1.000 menos rico ou mais pobre, mas tava valendo, tudo certo. Levei ele pra oficina, para um pente fino na elétrica e boa, comecei a usar.

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De cara uma constatação que já tinha feito antes: nada a ver com nenhum dos outros 3 Alfas. O motor até era muito próximo no geral em termos de funcionamento do 145 QV, andava muito próximo mas o comportamento dinâmico era muito diferente, mais seco, mais duro, ainda que não tão ruim de curvas de baixa com defeito de piso como o 145, este perdoava bem mais, mas ainda sim de olhos vendados no banco do carona era algo diferente e não tinha como confundir um com o outro. Como seria de se esperar, sendo sedan 4 portas é algo mais traseirudo que o 145. Mas passa a sensação de ser menos traseirudo que o Marea por exemplo.

E se você acha que só o que foi alterado de forma errada foram as rodas Speedline originais e os pneus na medida correta, se enganou. O belo interior Recaro foi modificado, cobriram tudo com couro preto. Os pneus corretos, 195/55R15 foram trocados por outros 195/50R15, claro que obviamente sequer eram pneus normais, eram remold.

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Logo depois num bom golpe de sorte, comprei um jogo de rodas Speedline no Mercado Live e naquele bendito Alfa bianco (o que subiu no telhado) vieram mais duas rodas livres. Assim, eu tinha ao menos um jogo completo, um estepe mais uma sobra. Junto com os aros, comprei logo um jogo de pneus GT radial na medida correta e montei nele. Abaixo foto do falecido ainda no ferro velho com as Speedlines instaladas.

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Depois de arrumado e funcionando a contento, levei na oficina de refrigeração, verificamos o sistema de ar, pusemos o gás e está com o ar gelando e perfeito. Até isso certo, correto e funcionando.

Assim logo depois de comprado, mais que em qualquer dos outros alfas, consegui por ele de volta a vida com muito pouco gasto. Parece que tinha acontecido algo inédito, em menos de 30 dias a partir da compra, tinha um Alfa pronto para usar gastando menos de R$ 3.000. Esse 155 Super foi bem porreta mesmo.

Mas claro tava fácil demais. Num fim de semana levei ele para a garagem nova e deixei ele lá uns dias. Um mal contato na alimentação do sistema code deixou ele inoperante e enguiçado. Guincho de volta pra oficina e problema resolvido.

Peguei ele num sábado de manhã e saí para uma animada voltinha rápida por perto da oficina. O motor liso, vocal, solto, esperto não se fez de rogado e começamos a brincar de verdade. Depois de uns bons minutos de fanfarra sai com ele na estrada. Tinha uma confusão na frente, tive que praticamente parar e ao passar o rolo, estrada livre. Primera esticada até cortar, 7.000 rpm, segunda idem, terceira da mesma forma, engatei quarta e continuei de pé embaixo, entrada que eu queria pegar chegou, tirei o motor e entrei na cidade. Quando parei na primeira esquina, um barulho estranho vinha da frente. Ó céus, que será isso? Isso, bielas fazendo barulho, seu animal.  Chamei o guincho, levei de volta pra oficina e tiramos o cárter. De cara nenhuma biela azul, mas tinha folga nelas. Muita folga. Desmontei as capas e vi que um par de bronzinas da biela do cilindro dois tinham ido pro saco.

Ok, com tudo desmontado, peguei especificações, medi o eixo e descobri com muita alegria que estava dentro do utilizável. Peguei uma fita de lixa usada em polimento de virabrequins em retíficas de motores, poli o máximo que deu, ainda dentro da tolerância para standard, catei um jogo completo de bronzinas, móvel, fixo e arruelas de encosto, remontei tudo e boa! Ah, lembra do aumento de pressão no 155 depois da troca? Claro, se repetiu com facilidade. A preciosa lição que ficou é que se eu tivesse feito isso junto com a troca da junta de cabeçote, o rolo não teria rolado. Aí, use isto, se algo tiver que ser feito, faça logo o rolo todo, assim você poupa tempo alí na frente. Impagável, claro, a expressão de surpresa e incredulidade do  pessoal da oficina e do guincho, mas mal acabou de ficar bom, já tá aqui ruim de novo?

É, Alfa é assim, se você não tem estômago para isso, compre outro carro. Simples assim. Sem mimimi, sem frescurinhas, sem ataques de pelanca.

Troquei também como de praxe nos outros a quinta original super curta 37/35 por outra, 37/31 de forma a ter um carro mais usável em estradas, já que aqui em Brasilia, qualquer trajeto entre uma cidade e outra acaba sempre sendo feito por rodovia. Antes era 3.000 rpm a cerca de 100 km/h, agora os mesmos 3000 rpm em quinta viram cerca de 117 km/h. Uma diferença notável.  Ainda tive um pequeno acidente com o carrinho quando um carinha num Corsa Wind saiu de cima da calçada sem aviso e parei dentro da porta dele, resultando apenas em pequeno amassado no paralamas e um pisca quebrado.  Tudo rapidamente reparado e ele voltou ao uso.

Outro lance legal que aconteceu e que eu aprendi uma lição valiosa foi o seguinte: um dia, ao chegar em casa com o Marea da esposa, desci e depois de 15 minutos ao retornar ao carro para sair de novo ele não pegou e acendeu a luz do check engine. Como estava com pressa, deixei ele enguiçado do lado de fora, saí e na volta, umas horas depois entrei nele e liguei, que pegou de boa e não perturbou mais.

Aí notei algo legal: esquentava e se desligasse, não pegava mais, só depois de frio. Passamos o scanner nele e dava sensor de fase. Para quem não sabe, sensor de fase trabalha numa pista colocada atrás da engrenagem do comando de escapamento. Para trocar tem que tirar a engrenagem e soltar a correia dentada. Isso, aquela troca de quase R$ 500 de M.O. No thanks.

Mas depois de uma série de testes com o scanner e apagando o código de erro e tentando dar partida o carro não pegava, nem havia corrente nos bicos ou velas. Só que tem um outro sensor que é o de rotação que fica na roda fônica do virabrequim que também impede ele de funcionar, iniciar bicos e bobinas e isso me deixou desconfiado. Claro, tem outros carros, logo Marea na garagem e vamos andar de Alfa. Vai que… opa foi. Num dia em que por acaso fui comprar o tal sensor de rotação do 2.4 (que alías foi uma guerra achar) e inclusive tendo comprado um novo de bobeira pros 155 só porque tinha e estava barato, no retorno ao lar o 155 rosso engasgou na descida da BR 020, o contagiros caiu, ele voltou a funcionar para enguiçar logo depois. Ah, tudo o que eu precisava.

Liguei por guincho já que ele morreu e não pegava mais, guinchamos pra oficina. Passamos o scanner e e deu sensor de fase igual ao marea. Eram mais de 18 horas, oficina fechando, deixei ele no elevador já para ir ver cedo no dia seguinte. Mole, mal cheguei, troquei o sensor de rotação, o tal que comprei de bob só porque estava barato (coisa de R$ 60) e mesmo sem ter tirado o código de erro da véspera dei partida e o carro pegou de primeira.

Tirei o 155 do elevador, pus o Marea, troquei o sensor de rotação do marea (frio estava funcionando bem),  deixei esquentar,  desliguei, liguei e nunca mais perturbou. Ou seja, o laço logico que testa um sensor e acusa o defeito em um, tipo no sensor de rotação é o mesmo que testa o de fase, de modo que é impossível saber qual dos dois está realmente defeituoso. Mas tem um jeito de testar o de rotação, que é o fácil e ver de verdade de quem é o defeito, mesmo sem usar o scanner.

Primeiro você tira o sensor do bloco, mas nem desliga ele do chicote. Pega uma faca de pão com dentes largos e algo espaçado ou melhor ainda, se tirer uma roda fônica solta a mão passa ela no sensor com a chave de ignição ligada que os bicos pulsam e as bobinas centelham. Só Não use uma faca de inox não magnético ou de plástico porque é claro que não vai rolar. Assim você sabe ao certo se é o sensor de cima ou o debaixo.

Claro, legal ter tido a capacidade de desconfiar do equipamento e descobrir essa marmota, mas fica claro que se faz imperioso descobrir, investigar, avaliar tudo, minunciosamente para que a gente tenha o máximo de certezas e assim evitar essas variáveis.

Mas na boa, ser derrubado por um scanner é MUITA sacanagem. Imagina a desolação se eu tivesse desmontado o 2.4 para trocar o sensor de fase e o carro enguiçasse logo depois, ia ser muito frustrante. A lição serviu para meu uso, e para uso do pessoal da oficina também, na medida que eles também ignoravam isso solenemente. Eu, eles, o fabricante do scanner etc etc etc…

Aqui faço uma pausa para comentar que, de todos os quatro Alfas, este é, sem nenhum motivo muito real ou objetivo, o mais legal de todos de se usar. Por ter sido bem rodado, está com cerca de 180 mil km rodados é um carro bem solto, bem livre, ainda que não exatamente perfeito ou impecável. Passa uma sensação muito legal e faz o ato de usar, dirigir ele é bem agradável. Ainda que meio zoado, meio esculachado, meio carro de ogro. É, fazer o que né…

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O carro em si não é perfeito, depois da compra e em todas as visitas as oficinas, ficou claro que algum dia ele sofreu uma batida frontal não grande o suficiente para afetar estrutura, mas fez desalinhar o painel frontal que no ato do reparo da batida no corsa foi reparado e tem um capo ruim, além de que um dos faróis foi substituído por outro não original e de qualidade meio duvidosa. O plano é, quanto tudo e todos estiverem resolvidos, sem nenhuma pendencia, sem nenhum  outro item a fazer, vou desmontar ele, trocar o painel dianteiro que é aparafusado, o capo e a porta dianteira direita e substituir tudo pelas peças do alfa bianco que subiu no telhado, que estão em forma infinitamente melhor, beirando a perfeição. E troco o maldito vermelho errado pelo Rosso Alfa original. Mas se fizer isso, acaba a graça, a esculhambação de ter um carro bom o suficiente para se usar a vontade, sem vergonha, sem mimimi, mas não impecável o suficiente para você ter receio de usar e estragar. Fato este que obviamente ocorreu com todos os outros três Alfas.

Você compra, reforma, faz tudo com um carinho infinito e depois, claro que fica receoso de parar em qualquer lugar, de estacionar no shopping de qualquer jeito, de usar a moda e por aí vai. Assim, deste jeitinho mesmo ele vai ficar mais algum tempo, para não ter muito mais com o que se preocupar. O carro é um Super, e não tem teto solar, assim este item que é até bem legal existe no meu 155 Elegance e no 156, mas não no 145, nem no 155 Super.

Em termos de coisinhas que aparecem, ainda acabei trocando dois amortecedores traseiros, mais dois rolamentos de roda e um cabo de freio de mão e não tive dificuldade de comprar nenhuma das peças, os amortecedores Cofap para Alfa 155 mesmo, rolamentos iguais aos do Marea, e o cabo de freio de mão também.

Outra coisa legal que acabou acontecendo foi que o outro 155 Super bianco veio com o interior Recaro original. Tem pequenos detalhes a reparar, mas é o mesmo padrão do original deste Super vermelho. Desnecessário dizer que está guardado com carinho para a fase final, quando for parar para refazer este carro, reponho o interior dele todo original. Mas na boa, eu não vou fazer isso agora. Eu quero usar essa tranqueira do jeito que ele está, sem mimimi, sem frescura. Se der uma de zé frisinho, vira reforma 100 por cento original e perde a graça como já disse ali em cima.

Abaixo foto de um interior original Recaro de pano dos 155 Super.

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E  abaixo fotos recentes, do Super Rosso mais ou menos limpo e com as rodas corretas e pneus novos finalmente instalados. Se essa coisa aí embaixo não é um carro legal, sinceramente eu não sei mais o que é…

Aqui vou ter que fazer uma paradinha para contar outra marmota que aconteceu bem referente a essa bagunça de Alfa, que inclusive explica bem essa marmota do 155 Bianco Argento. Esta é a forma pela qual, do nada, sem muito planejamento, ordem ou outro mimimi qualquer, do nada me apareceu mais um Alfa aqui. Deixo o meu publico e sincero agradecimento ao bacaninha por isso, Uno Conversível, muito obrigado. Este 155 de ferro velho tem sido uma ajuda inestimável aos demais Alfinhas aqui.

Nosso amigo estava em Luziânia e me ligou apressado dizendo que tinha achado um Alfa 155 bem completo, num ferro velho, baixado com toda a documentação pertinente e que venderia tudo bem barato.

Ah não, mais bagulho? Mas não é possível, isso é perseguição. Claro, óbvio, lá fui eu ver a imundície. So que junto da imundície tinha uma conversa fiada (aquelas que a gente só acha na olx) de um outro 155 preto Super meio abandonado e que iria ver também. Vai que né… foi. Me lasquei mais uma vez. Abaixo, a foto do 155 bianco  sendo já desmontado, para aproveitamento de 100% de seu conteúdo disponível.

Claro que quando você começa a dar ouvido ao que maluco fala, você termina se lascando. Abaixo a prova irrefutável disso. Não bastasse o bianco, veio o preto também.

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Mas definitivamente esta foi a melhor aquisição alfistica de todas. Paguei R$ 2.000 nessa joça, mas o que eu economizei de peças para todos os outros Alfas valeu cada centavo do valor sem nenhuma dúvida. E de quebra ainda sobrou uma carroceria completa, perfeita, muito bacana que me dá muita paz de espirito ter. Documentada, da qual posso tirar tudo e mais um pouco sem ter que me preocupar com nada. Só que teve o outro Alfa preto. Bom ele estava tão legal e com preço tão bom que eu aproveitei o frete já que guincho tá caro mesmo e reboquei ele junto pra oficina.

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Nisso, o 155 preto que estava com motor morto teve ele retirado e refeito. Tinham defeitinhos na pintura e enquanto fazíamos o motor, o Baiano deu um tapa nele e refez uns detalhes e amassadinhos que ele tinha. Tirei o ridículo insulfilm que estava marrom e os magníficos vidros azuis originais voltaram a brilhar e encantar como antes. Embreagem nova, suspensão revisada, varetas de trambulador com folga trocadas, pneus podres trocados por outros ainda usáveis e mais um detalhe ou outro e ele estava no jogo de novo. O carro estava com rodas de Tempra Turbo Stile no lugar das Speedlines originais e está assim até agora.

Só que com 100% de peças de um outro alfa super disponíveis, fiquei muito valente e corajoso, temo mais nada! Ou quase nada. Notem na foto, o 155 preto sem espelhos e o bianco idem.  Só tem uma explicação, o conde drácula passou por perto de Luziânia, se irritou com os espelhos e quebrou dos dois carros. Aí como eu já citei no outro texto do 155 do vovo Gepeto, eu consegui um espelho de 155 bom, e daí que eu tinha resolvido o problema dele e os espelhos de tipo que eu tinha posto nele sobraram e então como estava sem, pus eles no 155 preto. Um tempo depois, eu consegui mais um espelho ruim de 155, mas junto com os ruins que vieram no preto, consegui deixar tudo no ponto de em breve  e do mesmo jeito que fiz no Elegance, junto todos os pedaços e refaço um par decente para por no preto também! E perto do trabalho que foi refazer o Elegance, refazer este 155 foi molezinha, ainda que tenha dado algum trabalho a mais que o meu 155 rosso.

O 155 preto ficou com um colega de banco. Ele disse que ia ficar com o carro etc e tal. Beleza. Mas ele queria outro.  Aí achamos um 145 1.8 em salvador. Ele catou, trouxe, documentou, pusemos para rodar. Só que ele se apertou. Tinha um valor para ele quitar no 155 e então fizemos um negocio aparentemente bom, paguei um troco pra ele, com isso ele quitou definitivamente o 155 preto e o 145 1.8 passou a ser meu, pelo menos por enquanto. Como roubaram mesmo a Elbinha da esposa e foi comigo, propus a ela que eu passaria o 145 para ela ter de back up car e boa.  Então, apesar de ser um 145 1.8 na verdade é um fiat elba, 1996, 1.5, cinza drake. Não parece, mas é. Mas é claro, estava zoado. Bem como o 155.

Claro, primeiro documentos. Foi pro nome do colega que ainda ia ficar com ele. Depois peguei e comecei a rodar e ver o que tinha de errado. Motor, acionamento da embreagem, suspensão, pintura. Nada demais,  só o basico.

Sabe o Baiano? Isso, ele deu um tapa na pintura e o 145 ficou lindão. Depois fizemos uma revisão rápida que melhorou muito o carro, mas o motor, ah, mesmo menos ruim que antes estava não bom. Sai fora, abre tudo, retifica. Este estava com barulho no variador e isso já dá mais trabalho, o do 155 estava perfeito, foi mais simples de refazer. O cabeçote estava podre também, mas como tinham dois cabeçotes refeitos, herdados do 156 e das peças extras que eu achei no ferro velho do Luizão no setor de industrias de sobradinho, que já estavam prontos e completos guardados no meu estoque pessoal, ignorei o cabeçote podre e pus outro original e perfeito lá. A embreagem foi fácil, só um servo novo e está ok! Cilindros gastos, anéis quebrados em dois pistões diferentes e começamos a consertar tudo. Retificamos o bloco a 0,5mm, eixo foi para a primeira retifica por estar algo arranhado e gasto, e o cabeçote já pronto facilitou as coisas um bocado. Só para constar, antes que pensem que fiquei falido só pela retifica, pistões, anéis, bronzinas e juntas não custaram muito mais que R$ 1.200 tudo, inclusive os caríssimos vedadores dos comandos e do virabrequim. Tinha um barulho infernal na suspensão, mas era apenas o suporte do semi eixo direito, que tem o deslizante que estava quebrado. Simples, é o mesmo dos mareas 1.8, já que o do 2.0 é bem diferente. 1.8 não tem balanceadores, logo o arranjo das polias, correias e passadores são totalmente diferentes dos alfas 2.0, mas é idênticos aos dos mareas 1.8. Muito comodo isso, amei!

Aí teve uma coisa legal nessa bagunça toda: eu sempre soube que o 1.8 4 cilindros era muito próximo do 2.0 dos alfas, do 2.4 e bem mais distante do 2.0 5 cilindros. Com os motores abertos, peças para todo lado de todos esses motores citados comecei a fazer uma pesquisa de compatibilidade de componentes. O que eu supunha ser possível, misturar peças do 2.0 TS no 1.8 do marea/brava e alfa 145 1.8 não só era possível como era fácil e barato.

Pra constar, o que muda pro 2.0 e a relação deste 1.8 com os dos Mareas:

  • Pistões iguais aos do marea 1.8, mas obviamente diferentes dos alfas 2.0 4 cilindros twin spark,
  • Bronzinas de mancal, biela e arruela de encosto: iguais aos usados nos alfas 2.0 e mareas 1.8,
  • Virabrequim: o mesmo do 1.8, claro, mas tem uma pegadinha: o Marea 1.8 usa injeção Hitachi e o Alfa Bosch, logo as rodas fônicas são diferentes. O Alfa usa uma roda fônica igual a do Marea 2.4, enquanto a do Marea 1.8 é única. Bem como a engrenagem do comando do escapamento. Tem vários cortes a mais que nas dos motores com injeção Bosch.  Atenção a isso ou se misturar vai dar zebra e o motor não pega, cuidado ao misturar peças.
  • Bielas: idênticas, por acaso as mesmas dos Mareas 2.4 5 cilindros, e dos Alfas 2.0, mesmo comprimento e diâmetro de alojamentos em todos, mas completamente diferente das usadas nos Mareas 2.0 5 cilindros.
  • Cabeçotes: diferentes na medida que os Alfas tem duas velas por cilindro e os Mareas 1.8 só uma. Mudam também tampas de válvulas, tampas dos comandos, bobinas, cabos de vela que não existem nos mareas e tem nos alfas, suporte de bobinas,  etc etc etc…
  • Arranque, volante motor, embreagem tudo igual.
  • Bomba dagua, correias, esticadores, roletes tudo idêntico,  não só ao do 1.8 bem como aos dos 2.4.
  • Bomba de óleo é a mesma do marea 1.8, mas é diferente da do 2.0 TS que sai nos outros.

Vale lembrar que o 1.8 NÃO TEM  eixos balanceadores como o 2.0 TS.

E uma coisa linda: o carter é o mesmo nos dois carros e também é idêntico ao usado nos 2.0 TS.

 

Upgrades fáceis e possíveis nos Marea e Alfas

Se você tem um 1.8 e está insatisfeito com o desempenho, é muito fácil passar de 1.8 para 2.0: use pistões dos motores 2.4. O 1.8 tem 82mm de diâmetro original, o 2.4 tem 83mm, basta retificar o bloco para a medida 83mm, trocar o virabrequim de 82mm do 1.8 por outro de 91 do 2.0. Simples assim, liso, fácil tranquilo. O vira do 2.0 cabe no bloco do 1.8, usa as mesmas bielas, só precisa claro dos pistões do motor 2.4 que são mais baixos. Tem uma chance magra da injeção Hitachi do marea funcionar com o deslocamento extra se tudo for feito direito, inclusive e mais importante  por a roda fônica do 1.8 Hitachi no vira do 2.0. Mas para tirar 100% de aproveitamento, uma visita a um hacker que saiba reprogramar a central para trabalhar mais feliz com o aumento é altamente recomendável.  Ou então, aproveitando que a central Hitachi é bem mais difícil e menos confiável que as Bosch, retira ela e põe uma central aftermarket e se livra do problema de uma vez.

Mas segura as pontas aí que tem mais marmota vindo. Inclusive um Tempra Turbo 2 portas, jabuticaba exclusivíssima que só tem aqui no Brasil! Até o próximo capitulo, onde teremos fotos decentes dos dois últimos Alfas, do Tempra turbo, e de mais alguma coisa que por acaso apareça por aí. Nunca se sabe…

Por Alexandre Garcia, Project Cars #400

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